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“Pais precisam observar seus filhos”, diz psicóloga sobre jogo Baleia Azul

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“Pais precisam observar seus filhos”, Karoline Brilhante

Uma brincadeira criminosa que está ganhando repercussão internacional pode por fim à vida de crianças, adolescentes e jovens. A Baleia Azul já virou pauta de inquérito policial e, mais que um jogo juvenil, virou tormento para pais que veem mudanças nos filhos e não sabem o que fazer. Suicídios e automutilação são alguns dos males trazidos pelo jogo.

No Brasil, em menos de uma semana, a imprensa divulgou que uma jovem de 16 anos, de Vila Rica (MT), cometeu suicídio. Um rapaz de 19 anos, que vivia em Pará de Minas (MG), também foi vítima do jogo mortal. Ambos cometeram suicídio e têm os casos investigados pela polícia judiciária. O intuito é descobrir e prender quem incentiva o jogo no país.

O que chama ainda mais a atenção nessa história, é a disposição desses adolescentes em participar do jogo que, publicamente, tem resultados negativos. Essa explicação quem dá é a psicóloga clínica Karoline Brilhante, que trabalha diretamente com esse público. Ela faz um chamamento aos pais e dá dicas de como descobrir se algo anormal está acontecendo.

ac24horas: Como identificar os filhos ou netos estão participando desse jogo?

K.B.: A gente precisa observar primeiro o comportamento. Tem que ver se o menino ou a menina estão colocando roupas com manda comprida, pulseiras demais, ou se ele está sempre usando o celular ou computador. Tem que ficar atento porque não é normal trocar a rotina para ficar no computador. Percebido isso, ou até outras mudanças, tem que procurar um psicólogo.

ac24horas: A pessoa que brinca dessa forma pode ser taxada como “doente”? Isso é decorrência da depressão, por exemplo?  

K.B.: Nós temos distúrbios psicológicos, depressão, transtornos de personalidades. Tendências suicidas sempre existiram e a internet ajuda muito, trazendo esses exemplos. Agora, o que precisa, é identificar se há uma pré-disposição genética nesse menor para a depressão. Não é só pensar que isso é algo comportamental que pode aflorar. É algo muito mais além, que precisa ser estudado a fundo.

ac24horas: Essa é uma espécie de “resposta” que essa geração está buscando na internet? Qual o papel dos pais nessas horas?

K.B.: Os pais são essenciais nessas horas. Além de chefes da casa, o pai e a mãe precisam ser amigos dos filhos. Hoje, as crianças preferem procurar respostas na internet, que perguntar ao próprio pai. Isso não é saudável. Essa relação entre pais e filhos é extremamente importante no combate a esse tipo de jogo. Ao invés de buscar repostas no Baleia Azul, essa criança vai conversar com os pais, tem que ter essa relação.

ac24horas: É possível que, na hora de jogar, passe pela cabeça do jogador o desejo da morte, do suicídio, ao ponto de ele querer muito isso, e se sentir contemplado?

K.B.: Mais uma vez entra os pais. Ao esconder os cortes, é porque o filho sabe que os pais não vão gostar, que a sociedade não vai concordar. Há, em muitos casos, prazer em se automutilar. Há vários meios para se chegar a esse quadro: transtornos psicológicos, influências, problemas psicossomáticos, fatores ambientais –algo está acontecendo em casa. A pessoa acha que não tem mais nada a perder. É preciso uma avaliação mais clínica para identificar isso.

ac24horas: Muitos pais, ao verem casos assim, pensam que a internet é responsável por isso. É preciso cortar a internet, como muitos pais fazem, ou existem outras saídas?

K.B.: Primeiro, a internet não foi criada para isso. Ela foi criada para trazer conhecimento, para auxiliar no ensino, na educação. Os pais precisam lembrar que o uso da internet é importante, mas precisa ser controlado, principalmente quando se trata de crianças, adolescentes. Crianças precisam ser observadas nesse manuseio. Elas não pode ser deixadas sozinhas porque podem facilmente ser influenciadas. Repito: pais precisam ser amigos dos filhos. Tem de haver um ambiente de confiança.

ac24horas: O bullyng ajuda nessa problemática? É um “empurrão” para eles irem para o mundo da Baleia Azul?

K.B.: Sozinho, o bullyng não leva a nada. É como a arma: sozinha ela não faz nada. Precisa de alguém. Se eu tiver uma fragilidade psicológica, pode ajudar. Não tem como uma criança com boa qualidade de vida, com boa alto estima, entrar num jogo como esses. Se você está nesse perfil, você certamente não será influenciado a isso. O que precisa ser atacado não é o sintoma em si, mas os meios, as raízes que levaram a isso. Agora, se eu entrei, é porque eu estou frágil. É porque estou com algum outro problema. Temos que separar sintomas de causas.

ac24horas: Por que esses garotos se deixam influenciar? O que pode estar acontecendo?

K.B.: Nós não temos na escola uma matéria que nos ensine a lidar com problemas. Imagine que para os adultos já é difícil, quanto mais às crianças. Aparentemente pode parecer que nada está acontecendo, mas e o subconsciente? ‘AH!’, mas crianças não têm problemas! Bom, aparentemente não, mas ela pode estar sofrendo com situação que ocorreram, com a falta de algo. É algo que precisa ser estudado.

ac24horas: Quais as estratégias para que esses personagens não caiam em jogos como esses? O que fazer para driblar esses obstáculos da caminhada juvenil?

K.B.: Uma das formas mais firmes para impedir que esse tipo de jogo, de influencia, permaneça na vida de um adolescente, é justamente encaminhando ele para outras atividades, como as esportivas, culturais. Colocar outras coisas na mente de uma criança é essencial. Colocar coisas saudáveis, que edifiquem, que façam crescer em sociedade. Precisamos dar novas formas de se espelhar.

O JOGO

Tudo se inicia com um convite para a página privada e secreta deste grupo “#F57” no Facebook, e nela um instrutor passa alguns desafios aos seus novos jogadores. A partir de então, o que parece um jogo inocente, torna-se macabro e mortal.

No total, são propostos 50 desafios, tais como: escrever com uma navalha o nome daquele grupo na palma da mão, cortar o próprio lábio, desenhar uma baleia em seu corpo com uma faca, até chegar ao desafio final, que ordena tirar a própria vida.

Um dado preocupante é que, após a vítima iniciar os desafios, ela não poderá desistir. Dizem alguns participantes, que caso pretendam desistir, são ameaçados pelos administradores do game, pois se deve ir até o desafio final.

Não há dúvida que esse jogo preocupante e mortal é contrário ao nosso ordenamento jurídico, e fica claro que a conduta dos responsáveis é criminosa.

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