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“Estou muito longe dessa podridão”, diz o governador do Acre

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O ministro Luís Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), autorizou nesta quinta-feira (12) a abertura de inquéritos para investigar os governadores do Acre, Sebastião Viana (PT), e do Rio de Janeiro, Luiz Pezão (PMDB). O ministro também decidiu o segredo de Justiça das duas investigações.

Os dois foram citados por delatores da Operação Lava Jato como beneficiários do esquema de corrupção na Petrobras. Eles negam as acusações. No inquérito de Pezão, também serão investigados o ex-governador do Rio Sérgio Cabral e o ex-chefe da Casa Civil Regis Fichtner.

Os pedidos de inquérito foram apresentados ao STJ no final da manhã desta quinta pela Procuradoria Geral da República, órgão que realiza as investigações e é responsável pela acusação.

No caso do governador do Acre, Paulo Roberto Costa afirmou que R$ 300 mil foram dados como “auxílio” à campanha eleitoral de Sebastião Viana ao governo em 2010. Segundo o ex-diretor, o pagamento foi feito pelo doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal e um dos articuladores do esquema de corrupção. Viana diz que a doação foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Acre e “não tem nada de ilegal”.

Clique aqui para ler a decisão do ministro.

Clique aqui para ler o pedido da PGR.

Diligências

Nos despachos que autorizaram os inquéritos, Salomão autorizou também as primeiras medidas de investigação.

A Polícia Federal deverá coletar no Hotel Caesar Park, em Ipanema, no Rio de Janeiro, informações e documentos, incluindo imagens, registros de entrada e saída, relacionados a uma reunião realizada no primeiro semestre de 2010 em um dos quartos, possivelmente locado por Regis Fichtner.

Além disso, a PF terá 90 dias para tomar depoimentos de Cabral e Fichtner, além dos executivos Cláudio Lima Freire (da empresa Skanska), José Aldemário Pinheiro Filho (da construtora OAS), Ricardo Ribeiro Pessoa (da UTC), César Luiz de Godoy Pereira (Alusa), Ricardo Ourique Marques (Techint), Rogério Santos de Araújo e Márcio Faria da Silva (ambos da Odebrecht).

A PF também fará uma análise das doações realizadas aos comitês financeiros da campanha eleitoral de 2010 ao governo do Rio de Janeiro registradas no Sistema de Prestação de Contas Eleitorais (SPCE) do Tribunal Superior Eleitoral.

Futuras diligências podem incluir quebras de sigilo (telefônico, bancário ou fiscal) ou interceptações telefônicas, por exemplo. É comum que elas sejam mantidas sob sigilo, para evitar que o investigado se antecipe e elimine rastros de delitos eventualmente cometidos.

Julgamento

O STJ é o foro competente para julgar, por crimes comuns, governadores de estado, desembargadores de tribunais estaduais e federais, além de membros de tribunais de contas dos estados – no Supremo Tribunal Federal (STF) são julgados ministros, deputados e senadores.

Os governadores, no entanto, são julgados no STJ pela Corte Especial, composta por 15 ministros. Os demais vão para a 5ª Turma, colegiado menor, formado por cinco magistrados. O STF, por sua vez, julga deputados, senadores e ministros.

Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou pedido enviado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar políticos citados por delatores. Na semana passada, o órgão enviou ao STF 25 pedidos de inquérito, já autorizados pelo relator na corte, ministro Teori Zavascki.

Depois da repercussão do pedido que a Procuradoria Geral da República (PGR) formulou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), pedindo a abertura de inquérito para investigar sua participação como um dos supostos envolvidos no escândalo da Petrobras, o governador do Acre, Sebastião Viana (PT) quebrou o silêncio e divulgou uma nota se defendendo da acusação de recebimento de dinheiro do esquema que envolveria empreiteiras, partidos, parlamentares e governadores.

“A respeito de citação da minha pessoa com a tal Operação Lava Jato, eis minha posição: estou muito longe dessa podridão, essa podridão está muito longe de mim. Os dedos sujos da injúria, da calúnia e da difamação que apontam para minha honra não escondem a covardia daqueles que certamente não terão a dignidade de vir a público pedir desculpas quando toda a verdade vier à tona”, diz o petista Sebastião Viana, na abertura da “nota pessoal”.

O governador afirma ainda que todas as doações quere recebeu na campanha de 2010, foram declaradas à Justiça Eleitoral. “Minha candidatura recebeu uma doação legal da empresa chamada IESA, devidamente aprovada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Cabe destacar que a mencionada empresa nunca teve qualquer relação comercial ou institucional com o Estado do Acre”. Viana destaca que não teve contato com os “personagens desse submundo em investigação”.

Sebastião informa que tomou conhecimento que seu nome foi citado pelo delator Paulo Roberto Costa, no mês de janeiro de 2015. “Prontamente requeri interpelação judicial contra o bandido Paulo Roberto Costa. E agora, tão logo revelado o teor da sua mentirosa citação do meu nome, determinei ajuizar contra ele ação civil por danos morais e ação penal por denunciação caluniosa. Aguardo andamento pelo Poder Judiciário, no foro apropriado para as ações em questão”.

O petista revela que não teme a investigação que foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na tarde desta quinta-feira, após o recebimento do pedido de inquérito protocolado PGR, envolvendo também o governador do Rio de Janeiro, Pezão (PMDB) e o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB). “Quanto ao sigilo de qualquer procedimento judicial, autorizo a publicidade de tudo que envolva meu nome. Para mim, quanto mais investigação, melhor”, finaliza Viana.

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“Estou muito longe dessa podridão”,
diz o governador do Acre

Depois da repercussão do pedido que a Procuradoria Geral da República (PGR) formulou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), pedindo a abertura de inquérito para investigar sua participação como um dos supostos envolvidos no escândalo da Petrobras, o governador do Acre, Sebastião Viana (PT) quebrou o silêncio e divulgou uma nota se defendendo da acusação de recebimento de dinheiro do esquema que envolveria empreiteiras, partidos, parlamentares e governadores.

“A respeito de citação da minha pessoa com a tal Operação Lava Jato, eis minha posição: estou muito longe dessa podridão, essa podridão está muito longe de mim. Os dedos sujos da injúria, da calúnia e da difamação que apontam para minha honra não escondem a covardia daqueles que certamente não terão a dignidade de vir a público pedir desculpas quando toda a verdade vier à tona”, diz o petista Sebastião Viana, na abertura da “nota pessoal”.

O governador afirma ainda que todas as doações quere recebeu na campanha de 2010, foram declaradas à Justiça Eleitoral. “Minha candidatura recebeu uma doação legal da empresa chamada IESA, devidamente aprovada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Cabe destacar que a mencionada empresa nunca teve qualquer relação comercial ou institucional com o Estado do Acre”. Viana destaca que não teve contato com os “personagens desse submundo em investigação”.

Sebastião informa que tomou conhecimento que seu nome foi citado pelo delator Paulo Roberto Costa, no mês de janeiro de 2015. “Prontamente requeri interpelação judicial contra o bandido Paulo Roberto Costa. E agora, tão logo revelado o teor da sua mentirosa citação do meu nome, determinei ajuizar contra ele ação civil por danos morais e ação penal por denunciação caluniosa. Aguardo andamento pelo Poder Judiciário, no foro apropriado para as ações em questão”.

O petista revela que não teme a investigação que foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na tarde desta quinta-feira, após o recebimento do pedido de inquérito protocolado PGR, envolvendo também o governador do Rio de Janeiro, Pezão (PMDB) e o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB). “Quanto ao sigilo de qualquer procedimento judicial, autorizo a publicidade de tudo que envolva meu nome. Para mim, quanto mais investigação, melhor”, finaliza Viana.

 

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Filho de lavadeira, José Adriano rompeu pobreza ao focar no estudo e trabalho

“Limpei quintais, lavei carros, vendi salgados, mas nunca parei de estudar”, diz empresário

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Compreende como poucos os meandros que se escondem pela periferia do Segundo Distrito de Rio Branco. Quem o conhece depois do progresso, custa a acreditar que o empresário José Adriano, presidente licenciado da Federação das Indústrias do Acre (Fieac), chegou a trabalhar apenas pelo pão de cada dia por longos anos junto da família. Antes de despolitizar o setor industrial e enfrentar desgaste no segmento que lhe proporcionou o sucesso – a construção civil – teve de vencer muitos anos antes uma de suas mais duras batalhas: a pobreza.

 

Foi na rua Tambuatá, localizada no bairro Quinze, que o atual pré-candidato a deputado federal pelo Progressistas cresceu ao lado de 10 irmãos e seus pais. Veio para a capital acreana com seis meses de vida depois de a família deixar o seringal em que vivia. Pouco tempo depois, com cerca de 8 anos de idade, já ajudava o irmão mais velho a colocar comida dentro de casa. Nessa época, chegavam a dormir até 6 pessoas numa mesma cama. Não bastassem as necessidades dentro de casa, ainda sofreu a perda de muitos amigos do bairro para a violência, a maioria arrastada pelo tráfico de drogas.

“Limpei quintais, lavei carros, vendi salgados, mas nunca parei de estudar”

 

“A gente limpava quintais, lavava carros, vendia salgados, mas eu nunca parei de estudar”, conta. Frequentou o ensino fundamental na escola Dr. Carlos Vasconcelos, na região do Triângulo, e o ensino médio no Colégio Estadual Barão do Rio Branco (Cerb). “Sempre pensei na área da construção civil porque sonhava com uma casa melhor”.

 

Hoje se denomina uma pessoa mais simples do que muitos imaginam. “Nada para mim, faz sentido se não tiver utilidade. Tenho só dois pares de sapato. Quando um está sujo, uso o outro. Meu carro é completamente discreto. Sempre usei relógio barato. Faço meu café. Sempre arrumo minha cama. Bens materiais não me escravizam, mas valorizo tudo que conquistei”.

 

 

Apesar da vida difícil durante a infância e adolescência, galgou importantes degraus ao escutar os conselhos de sua mãe. “Minha mãe falou algo que marcou muito a minha vida. Ela disse o seguinte: você quer estudar, trabalhar e ser alguém? Ou você quer viver na molecagem?”. Desde então, nunca pensou em abandonar a sala de aula. “Minha mãe teve 12 filhos. Destes, perde 2 na gestação, 2 faleceram (um quando criança e outro aos 24 anos) e 8 sobreviveram. Hoje somos em 8. Duas mulheres e 6 homens”.

 

A morte do irmão aos 24 anos, que sofreu um disparo de arma de fogo quando tinha 17 anos e ficou paraplégico, é um dos momentos mais marcantes na vida. “Era muito apegado a ele. Formávamos uma dupla. Depois disso aprendi a trabalhar muito com a cabeça e ser determinado”.

 

Para Adriano, o grande problema de uma família de origem humilde é o preconceito em função da falta de alfabetização dos pais. “Meu pai era seringueiro, estudou somente até a 4ª série. Minha mãe sequer foi alfabetizada, então a vida dela foi muito dura”, relembra. A vinda para a cidade CRIOU um verdadeiro caos na vida da família numerosa. “Irmãos iniciando os estudos com idade já avançada. Meu pai ficou um tempo entre a cidade e o seringal, tentando conciliar, mas acabou indo parar em subempregos na capital”.

 

À sua mãe só restou ajudar na renda para garantir a sobrevivência da família ao lavar roupa para fora ou costurando. “Ela fazia um pouco de tudo, era uma autodidata. Não se ouvia falar em capacitação, trabalhava sem proteção nenhuma, tudo para tentar sobreviver”, diz o empresário, ressaltando que a mãe chegou a ter 15 clientes de lavagens ao mesmo tempo.

 

“Não era aluno nota 10. Fui um Cristiano Ronaldo: muito esforçado, aplicado, mas sempre com medo de errar”

Conciliando estudo e trabalho

 

Uma fase com histórias bem interessantes. Assim revela o empresário sobre a época em que se viu na obrigação de alcançar o sucesso na base da honestidade, com dedicação aos estudos e trabalho. “Não era o aluno nota 10. Sempre fui um Cristiano Ronaldo: muito esforçado, muito aplicado, e sempre com medo de errar. Quem tem medo de errar sempre costuma estudar mais que os outros”, brinca.

 

Adriano se considera um cara de sorte. “Quando a família é muito grande, os mais velhos começam a se virar para tentar ajudar na renda familiar. Meus irmãos foram engraxate, vendedores de picolé. Eu fui crescendo e tive que entrar nesse ritmo também. A gente não teve vida fácil. Mesmo assim nunca parei de estudar e nisso eu ia me destacando dos demais. Minha mãe percebia que eu teria algum tipo de futuro por conta dessa dedicação aos estudos e valorizava demais”.

 

No ensino médio optou pelo estudo profissionalizante voltado à técnica de construção civil. “Sempre me vi gostando de desenhar, isso porque a gente sonhava em ter uma casa melhor. Me dediquei muito, gostava do que fazia. Entrei na faculdade aos 17 anos no curso Tecnólogo de Construção Civil. Em seguida, aos 18 anos, tive que dar uma pausa para servir ao exército”.

 

Seu primeiro emprego de carteira assinada foi numa construtora, onde aperfeiçoou sua formação técnica do nível médio. “Por conta disso, quando entrei na faculdade, me destaquei bastante”. Pouco tempo depois, teve a oportunidade de trabalhar num lugar melhor, com a profissão de bancário após realização de concurso.

 

Para ele, um curto período, mas de muita mudança na vida. Teve de se afastar da família. Estava começando a faculdade e havia conseguido um emprego melhor. “Saí do exército com 19 anos e voltei para o banco. Tive que prestar serviço no interior de Rondônia, e foi onde eu consegui fazer meu nome administrativamente. Nessa oportunidade de ajudar as agências do estado vizinho, fiz muitos amigos e fiquei conhecido com um colaborador que fazia a diferença”, destaca.

 

 

“Na juventude, rejeitou bons salários fora do Acre para ficar com a família e ajudar irmãos que continuavam em subempregos”

 

 

José Adriano conseguiu provar à direção da matriz que o Acre também possuía colaborador capaz na agência e que não precisavam mais trazer funcionário de São Paulo para chefiar agência . “Quando voltei para minha agência em Rio Branco, depois de um ano, todos os gestores de Rondônia queriam que eu ficasse por lá, mas decidi voltar mesmo sem garantias de ter melhora no salário, por conta da minha família”.

Seus irmãos continuavam em subempregos. Voltou ao estado, seguiu com a faculdade de construção civil e fez de tudo tentando ajudar a família financeiramente. Decidiu começar um segundo curso em nível superior para não ficar com tempo ocioso e entrou para o curso de matemática, cujo diploma em licenciatura conquistou. De volta a sua agência de origem, conseguiu uma promoção adiantada, já que todos acreditavam que era capaz de substituir a subchefia, e obteve um salto importante dentro do banco na carreira administrativa.

 

 

Primeiro contato com atos políticos

 

 

Dentro da universidade pública, José Adriano conheceu os movimentos estudantis. Depois, afirma ter sido “seduzido” a ocupar função no sindicato dos bancários como representante da juventude. “Naquela época aprendi muito. Era filiado à UNE e participei dos congressos”. Porém, atuava na função de subchefe no banco e o estabelecimento não admitia que ele participasse de movimentos como esses, por isso começou a fazer tudo discretamente.

 

“Saía do banco às 20 horas e ia para as reuniões do sindicato. No entanto, eu sempre deixava claro na agência que eu estava acompanhando os movimentos, motivo pelo qual acabei sendo demitido numa greve geral, onde eu já era chefe e subgerente administrativo com apenas 22 anos”. O empresário ajudou a implantar novo sistema de informática no banco, ampliou a agência e habilitou a mudança para o digital.

 

“O banco queria muito que eu continuasse trabalhando, só que eu não gostava da forma como o banco tratava os funcionários. Eu não conseguia me ver o resto da vida trabalhando naquele ambiente. O banco me pediu para demitir cinco funcionários por conta da greve e eu fui contra meus empregadores e disse: não irei demitir porque acho justa a luta deles e que o banco deveria rever essa postura. Se tiver que demitir, seria melhor demitir pela cabeça, que era eu, e eles aceitaram a sugestão”.

 

Também foi José Adriano quem lutou pela desobrigação do uso de ternos e gravatas no banco. “Fiz uma correspondência para nossa matriz e falei que aqui era uma região muito pobre, quente, fiz uma comparação com o preço dos produtos em outras regiões e que o salário que eles nos pagavam não dava para comprar roupa social. Pedi que pudéssemos usar jeans com camisa social. O banco aceitou, desde que a gente usasse o jeans com camisa e sapato social e aboliu também a gravata, o que permanece até hoje”.

“Aos 22 anos decidi que nunca mais seria empregado de ninguém e ingressei no empreendedorismo”

A virada de chave

 

 

Nessa situação, saiu do banco aos 22 anos e tomou uma decisão que mudaria sua vida para sempre: nunca mais seria empregado de ninguém. Foi aí que ingressou de vez no empreendedorismo. “Montei uma distribuidora, vendi cerveja, montei uma empresa que que prestava serviço de limpeza. Mas como sempre existia o jogo de relações entre as EMPRESAS e poder público, nunca conseguia ser contemplado. Aí mudei a atividade para construção civil, já que eu estava terminando uma faculdade nesse ramo”.

 

Certo dia conseguiu ser contemplado com as primeiras obras no governo de Romildo Magalhães, na década de 90. “Peguei duas obras pequenas, mas sempre fui muito aplicado. Montava minhas próprias planilhas, acompanhava as obras, formava meu pessoal, e com isso consegui fazer o nome da empresa com pequenas obras”.
Na faculdade fez um amigo que o indicou para trabalhar no setor de informática do então governo Romildo.

 

José Adriano tinha o curso básico de programador e ficou por lá “passando uma chuva” até conseguir organizar sua empresa. “Depois assumi o cargo de chefe de setor de transporte, onde tive um forte embate com o jogo pesado do uso da máquina pública”. Ele relembra que tentou moralizar o setor da estatal. “Confesso que fiquei triste porque existia o famoso “jeitinho”, que eu não conhecia. No banco, era tudo muito rígido com as diretrizes e eu fui moldado com esses princípios”.

 

Chegou a um ponto em que o próprio amigo que indicou Adriano para o trabalho, o exonerou. “Ele me retirou do setor e colocou em outro E Queria que recebesse sem trabalhar, ficasse como um parasita. Foi então que eu o ameacei dizendo que se ele colocasse algum dinheiro na minha conta salário, eu denunciaria ao sindicato. Até que ele se afastou do cargo para concorrer eleição e outra pessoa assumiu e resolveu atender ao meu pedido e me demitiu”.

 

O empresário então resolveu tocar sua empresa e também chegou a ter contrato com o poder público na construtora. Entretanto, garante que seu perfil sempre foi a de contribuir com o estado. “O segundo mandato de governo do Jorge Viana teve entrega de muitas obras. Tanto trabalho possibilitou que empresas saíssem de pequenas para média e grandes. Contudo, sem condição de capacitar as equipes. Por isso acabamos cometendo o erro de pegar obras complexas num momento em que o estado também não tinha maturidade para entregar projetos bem feitos. Foi quando a construção civil entrou num processo de auto desgaste, fragilizando de vez o setor, mais do que qualquer outro”, lamenta.

Adriano acredita que o empreendedorismo é forte no Acre por ser a maneira de famílias sobreviverem na crise

Reconstrução da autoestima do povo e do empresário

 

Passados os momentos sombrios, a luta passou a girar em torno da reconstrução da autoestima do empresário local. Lema que virou discurso em sua candidatura à presidência da Fieac em 2015. “Sempre vi que os segmentos precisam ter representantes que conheçam sua dor. E esse é o desafio: fazer o setor produtivo acordar e buscar soluções para nossos próprios problemas.

 

Em função da pandemia, o empresário precisou ser mais ousado e ter mais criatividade, além de ter aumentado o índice de empreendedorismo”. Adriano acredita que o empreendedorismo é muito forte no Acre porque esse tem sido o único jeito de as famílias tentarem sobreviver num momento de crise. “Essa é a parte que me deixa muito orgulhosos de ser acreano e brasileiro, porque quando você tem saúde, você tem esperança. E isso me motiva”.

De acordo com o empreendedor, a situação da crise econômica do Acre em relação à construção civil não é de agora, mas se arrasta há bastante tempo. “A ideia que tenho é de valorizar o produto acreano. Esse orgulho do Acre é o que precisa ser resgatado. Mas isso não pode ser feita de maneira ideológica. Temos que reconstruir a autoestima do empresário”.

 

Quando assumiu a Federação, Adriano contou que a entidade não passava de uma extensão do estado. “Antes de mim não se recebia políticos de partidos distintos e isso me gerava muito desconforto. Vi ali uma oportunidade de fazer as coisas de maneira diferente. Foi então que me vi noutro embate. Foi um choque de gestão, tive que reduzir déficit de orçamento, e com isso um desgaste natural de quem perdeu suas acomodações. Por isso também acabei tendo um processo muito complexo de reeleição no segundo mandato”, relata.
Como sempre buscou trabalhar para a melhoria de todo os empresários, percebeu que os microempreendedores gostaram de ser valorizados e fez questão de manter esse direcionamento na Federação.

 

“Fizemos uma ruptura em algumas zonas de conforto. Tive esses desgastes por conta da minha postura e sei que não é diferente no âmbito da administração pública”.

 

O empresário já teve mais de 1.500 funcionários, hoje possui menos de 100 e lamenta a postura do estado diante de algumas situações. “Quando uma montadora de carros ameaça demissão em massa de mais de mil pessoas, o Congresso para e dá um jeito de contemplar a montadora para evitar demissões. Já no Acre, uma construtora perde 1.500 funcionários e os governos dão as costas ao problema, e alguns torcem contra o empresário por achar que são todos iguais, que todos têm relação promíscua com o poder público”.

 

Para ele, na construção civil o risco sempre fica com o empresário que assume um projeto que o estado entrega, com números que o estado acredita ser real. “E o estado pensa que quando contrata uma empresa, todo aquele valor bruto vai para o bolso do empresário. Não considera que ele precisa comprar material, contratar mão-de-obra, pagar impostos e se sobrar 2%, tem que comemorar”.

 

Pior, segundo o Adriano, é quando se está ligado a um projeto de governo ideológico e cresce uma oposição. “Todo mundo te marginaliza, como se estivesse escrito na sua testa o nome do partido. Esquecem que você trabalha por quem te dá condições de continuar trabalhando”. Sem nenhuma obra em execução relacionada ao estado, atualmente sua construtora apenas presta serviço para outras empresas que possuem alguma obra com o estado e precisam de sua expertise. “Não tenho nenhum familiar trabalhando no governo, nem na prefeitura. Tudo que temos hoje é fruto do nosso trabalho”, afirma.

“A maioria dos que estão na periferia continuam na mesma situação. Mas as pessoas não têm que mudar de lugar para melhor de vida”.

 

Projetos reais e vida real

 

Em sua proposta de pré-candidatura, José Adriano ressalta a importância de manter projetos reais, trabalhar com propostas para quando acabar os 4 anos de mandato, a sociedade possa usufruir verdadeiramente de mudanças. “Não dá para trabalhar em cima de algo desconectado com a realidade. E quando você não está preparado para o poder, você se deslumbra, e isso passa a ser um problema. Esse processo também é um aprendizado”.

 

O emprego na vida de um jovem dá poder para que ele possa ajudar sua família, viajar, se sentir igual aos outros. Adriano vem focando nesse significado. “Mais do que um trabalho, você entrega sonhos nas mãos dessa pessoa. E vemos que a única forma de ajudar a sociedade é construindo uma economia forte com todo gás do empreendedor”.

 

Mesmo sendo amante de um bom churrasco, o que mais gosta de fazer no tempo livre é praticar esportes. Gosta de todo tipo de esporte, mas sua paixão é mesmo o futebol. “Infelizmente fui um jogador mediano. Mas ainda fui chamado para jogar profissionalmente, mas tive que desistir por volta dos 15 anos para estudar e trabalhar”.

 

 

 

Por vezes se pega relembrando os tempos de bairro Quinze e se comove pelo fato de muitas pessoas não terem conseguido mudar de vida. “A vida não mudou para maioria dos que estão lá. Me questiono: será que você tem que sair do lado das pessoas, dos amigos para poder melhorar de vida? Não pode ser assim”. Por isso assegura acreditar no poder da transformação, na oportunidade de emprego, capacitação, infraestrutura e qualidade de vida. “A gente não tem que mudar as pessoas de lugar para que elas melhorem de vida”.

 

Fora do trabalho, é adepto da leitura e dos filmes. Seus amigos quase todos são relacionados ao trabalho. Não é de sair à noite é conhecido por manter uma vida tranquila, sem agito. “Quase sempre procuro ficar em casa. Alguns me chamam de excêntrico, mas prefiro chamar de disciplina. Respeita todas as religiões e acredito muito no poder da fé. Sou fanático por noticiário e na vida, minha prioridade sempre foi o trabalho”.

Independência e confiança

 

Por fim, tudo que o empresário busca é ver a economia local crescer. Conta que sempre se relacionou bem com todos os governos e de forma muito independente. “Sempre busquei essa independência, o que foi marca em minhas gestões no Sistema S e na empresa. Nunca fiz divisões, sempre recebo todo mundo, do pequeno ao grande empresário, do vereador ao presidente da república. A porta nunca ficou fechada para ninguém”.

 

Adriano não se conforma ao fato de que um estado com 22 municípios ainda possua 4 isolados. “A infraestrutura deve ser prioridade para esses municípios. Se gasta dinheiro com coisas que não fazem muito sentido e não se olha de forma social para os bairros periféricos. Ninguém dá nada pela vida das pessoas que estão na periferia. No meu bairro [Quinze], não mudou nada, as pessoas vivem do mesmo jeito. Quando perguntam por que quero ser candidato, digo que a única ferramenta é a política para fazer as coisas mudarem dessas realidade”.

 

José Adriano garante não ser pré-candidato pelo cargo ou pelo poder em si, mas para fazer as pessoas acreditarem que é possível eleger um candidato ao cargo federal, que tenha vindo debaixo. “Não importa o local que a gente mora, mas a raiz, a essência que nos mantém determinados e obstinados a fazer alguma coisa boa. Santo de casa faz milagre, sim”.

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Contrariando a Sefaz, STN diz que Acre ultrapassou em 0,16% o limite de gastos com pessoal

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Dados da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) apontam que Rio Grande do Norte, com 52,10%, e Acre, com 49,16%, ultrapassaram o limite previsto pela Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF para Despesa Total com Pessoal sobre a Receita Corrente Líquida – RCL – no Poder Executivo que é de 49%.

Os dados acima, além de outros, estão no Relatório de Gestão Fiscal – Estados + Distrito Federal (RGF em Foco – Estados + DF) do 1º quadrimestre de 2022. O documento apresenta demonstrativos dos Estados e do DF relativos ao primeiro quadrimestre de 2022, permitindo visualizar a situação de cada Unidade Federativa em comparação às demais.

Em relação ao limite da Dívida Consolidada Líquida – DCL – sobre a Receita Corrente Líquida, o Acre e todos os demais estados estão dentro do limite de duas vezes o valor da RCL. Os quatro estados que têm as maiores relações DCL/RCL apresentaram queda entre o valor da DCL/RCL no fim de 2021(31/12/2021) e o 1º quadrimestre de 2022: Rio de Janeiro reduziu de 199% para 174%, Rio Grande do Sul de 183% para 163%, Minas Gerais de 169% para 153% e São Paulo de 127% para 120%.

O documento traz, ainda, a relação do volume de precatórios sobre a RCL. No 1º quadrimestre de 2022, três estados apresentaram um volume de precatórios sobre a RCL acima de 20%: Rio Grande do Sul (22%), Distrito Federal (21%) e Rondônia (20%). Na outra ponta, dois estados não possuem precatórios: Alagoas e Amazonas.

Por fim, o relatório apresenta o volume de operações de crédito em relação à RCL. Esse dado se refere ao fluxo de ingresso do recurso ocorrido no quadrimestre e não necessariamente à assinatura do contrato. Nesse recorte, o estado do Amazonas se destaca com 5,6% do valor da sua RCL sendo utilizada em operações de crédito, seguido de Espírito Santo com 0,9% e Ceará com 0,8%.

Com a divulgação do RFG em Foco – Estados e DF, o Tesouro reforça seu compromisso com a transparência dos dados fiscais e com a divulgação de informações, tanto da União quanto dos entes da Federação, que venham a contribuir para a realização de um debate qualificado em torno da importância de se buscar a solidez das contas públicas.

“Esse foi o percentual informado tanto para o TCE quanto para a STN, embora esteja acima, nos encontramos em decrescente. Isso mesmo contratando na Segurança, Educação e pagando prêmios e promoções, inclusive anteriores a esta gestão. Neste percentual já consta valores pagos com reajuste e auxílio alimentação aprovado pela Aleac e sancionado pelo governador. Ontem (22/6) foi aprovado no senado a exclusão dos gastos com Organizações Sociais no cômputo do gasto com pessoal, assim podemos em breve sair deste patamar e ficar dentro do limite prudencial. Vale ressaltar que fatores econômicos e de arrecadação, como redução de alíquotas e essencialidade de alguns produtos que estão em trâmite no Congresso podem afetar este cenário”, disse Amarísio Freitas, titular da Secretaria de Estado da Fazenda do Acre.

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Taxa de inadimplência do Acre está entre as 10 maiores entre estados brasileiros

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Dados divulgados pela Serasa Experian na terceira semana de junho, mas referentes ao mês de abril deste ano, indicam que o Acre está entre os estados com população mais endividada do Brasil.

Apesar de outros órgãos já terem divulgado dados mais atuais sobre o tema, a Serasa traz alguns números que chamam a atenção na última edição do Mapa da Inadimplência: o endividamento no Acre é maior que em 18 estados brasileiros.

Com 45% da população adulta com alguma dívida, o Acre só tem menos devedores que Amazonas, Distrito Federal, Amapá, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Roraima. Sobretudo, diz o Mapa, a inadimplência do Acre em abril é 0,57% maior que em março, dando sinais que voltou a crescer após queda em comparação a fevereiro, quando 45,35% da população adulta estava devendo.

Além disso, a inadimplência acreana é 3,99% superior à média brasileira – 41,01% em abril. O estado que atualmente mais devedores possui entre seus habitantes é o vizinho Amazonas, onde 52,55% da população está enterrada em contas não pagas.

Contudo, a inadimplência não cresceu só no Acre, segundo o Mapa. O levantamento da Serasa indica que o número de inadimplentes no Brasil cresceu 0,67% em relação a março, apresentando crescimento no endividamento pelo quarto mês consecutivo. Com relação ao perfil dos inadimplentes, os brasileiros de 26 a 40 anos se destacam na faixa etária, representando 35,5% do total dos inadimplentes.

No período, a soma total dos descontos concedidos no Serasa Limpa Nome chegou a mais de 4 bilhões em total de descontos, evitando que o volume de endividados no país crescesse ainda mais. O valor médio de cada acordo ficou em R$ 679,42 e a região que se destacou no total de acordos foi o estado de São Paulo.

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Médicos acusam governo de omissão na morte de crianças e revelam “caça às bruxas” para esconder negligência

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O Sindicato dos Médicos no Estado do Acre (Sindmed-AC) emitiu uma nota de repúdio por meio de vídeo na tarde desta quarta-feira, 22, chamando as atitudes do governo do estado de politiqueiras e anti científicas que estariam sendo adotadas para tentar calar as mães das crianças falecidas por Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag).

O presidente da entidade, o médico Guilheme Pullici, diz que essas mães merecem respostas, pedido formal de desculpas e reparação do estado, além de punição dos gestores que deixaram de fornecer estrutura hospitalar necessária. “Não existe vacina contra o principal vírus causador da Srag, que compromete predominantemente as crianças de até 2 anos. Precisamos combater a fake news de que a falta de vacinação poderia ter causado a morte dessas crianças”.

Para o Sindmed, houve atitudes levianas dos gerentes de unidades de saúde, que, de acordo com o sindicato, iniciaram uma verdadeira caça às bruxas cobrando relatórios que tentam esconder os verdadeiros culpados: os governantes.

“Algo que ficou muito claro nessa tragédia foi o empenho e angústia dos médicos pediatras envolvidos nesses casos que infelizmente tiveram desfecho fatal. O Sindmed alertou sobre esses problemas. Nos reunimos com representantes da saúde e propusemos soluções para este caos anunciado na pediatria, mas os apelos foram ignorados”.

Os profissionais da saúde ainda afirmam que a abertura de novos leitos aconteceu de forma tardia e eleitoreira. “Falta medicamentos em todas as unidades, dificultando o tratamento dos pacientes. Essa negligência trará novas mortes”.

Por fim, a entidade garante que fará o início de paralisação das atividades médicas em Rio Branco a partir do dia 30 de junho, mas que irão fazer atendimento de crianças com doenças respiratórias nos postos de saúde da capital acreana. “Todo ato de protesto da classe médica é para buscar melhores condições de trabalho, concurso público e avanços no atendimento à saúde de todos os acreanos”, concluiu Pullici.

O ac24horas consultou a Secretaria Estadual de Saúde sobre o assunto que respondeu que não irá responder as acusações do presidente do Sindmed.

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