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Pai implora por ajuda da Justiça para manter a guarda de dois filhos que segundo ele, eram espancados pelo padrasto e pela mãe

Publicado

em

Ray Melo,
da redação de ac24horas
raymelo@ac24horas.com

Com os olhos marejados, o pintor Manoel Nogueira da Silva, 34, se emociona ao relatar o estado em que encontrou seus dois filhos, após a separação de um ano e seis meses de sua ex-mulher, Mariza da Silva Sena, 33.

O pai biológico de Luiz Carlos Sena da Silva, de 9, e José Expedito Sena da Silva, de 8, apela pela ajuda da Justiça para obter  a guarda dos meninos que seriam vítimas de maus-tratos, atestado pelo Conselho Tutela do município de Bujari, que acompanha o caso.

Manoel Nogueira diz que está cansado de procurar os órgãos públicos que tratam a questão da criança e afirma que teria sido destratado no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e Defensoria Pública do Acre ao procurar ajuda.

A guarda das crianças é disputada desde o mês de fevereiro, quando o avô materno teria levado os dois para passar férias com o pai, e teria feito um apelo para que ele cuidasse dos menores que estariam em situação lastimável.

Mostrando as fotos em que os filhos aparecem com feridas nos dedos, braços e pernas, além de marcas de espancamento, Manoel Nogueira se diz desprezado por ser um simples trabalhador braçal. “Se eu chegasse num carrão, eles me davam atenção”, diz o revoltado pai.

Segundo Nogueira, seus filhos eram obrigados a caminhar horas para buscar água para o padrasto tomar banho, além de cumprirem jornadas diárias em um roçado. “Até as páginas dos cadernos deles eram usadas para fazer os cigarros do padrasto”, acusa.

“Querem que eu me ajoelhe? Tudo bem, pelos meus filhos topo qualquer tipo de humilhação para cuidar dos meus filhos com dignidade. Imploro à Justiça que acolha meus apelos e as provas testemunhais e materiais que apresentei”, protesta Manoel Nogueira.

No dia 23 de março, aconteceu a primeira audiência na Comarca do Bujari. Mesmo mostrando que até as roupas das crianças foram entregues em um saco de ração e apresentando fotos e vídeos das marcas de maus-tratos, o juiz expediu um mandado de buscas e apreensão dos menores.

“Deram-me um prazo de cinco dias para apresentar um recurso. Meus filhos estão traumatizados, em pensar que podem ser devolvidos a mãe e ao padrasto. O conselho Tutelar visitou minha casa e viu que as condições são adequadas. O que mais é preciso?” indaga.

O que disse a mãe das crianças em depoimento

Em depoimento na Comarca de Bujari, Mariza da Silva Sena, destaca que os filhos estariam com o pai, que não tem a guarda de direito, sobre os menores. A mãe das crianças diz ainda, que Manoel Nogueira não estaria pagando a pensão alimentícia, fato que o pai refuta e enfatiza que deixou de pagar, após saber dos maus-tratos que os meninos eram submetidos.

Mariza da Silva destaca ainda, que não estaria tendo acesso aos filhos. No mesmo depoimento, ela informa que teria uma filha de 12; outra com 13, e um terceiro com 16. Nenhum dos filhos citados vive com Mariza. Ela acusa Manoel Nogueira de não visitar os filhos e fazer ameaças por telefone.

Parecer do Conselho Tutelar do Bujari

O Conselho Tutela de Bujari tem acompanhado o caso e fez duas visitas aos menores que estão sendo disputados por pai e mãe. No relatório apresentado quando as crianças moravam no município, os conselheiros Raimundo Menezes da Silva e Patrícia da Silva Lima atestaram o abandono dos menores, que se alimentavam de arroz e não teriam água potável para beber.

Na segunda visita, já com as crianças na companhia do pai, o Conselho Tutelar, reconheceu que na casa de Manoel Nogueira, os meninos estariam vivendo de maneira satisfatória ao que preconiza o Estatuto da Criança e do Adolescente. Os menores teriam relatado ainda, que não gostariam de voltar a morara com a mãe.

“Só entrego meus filhos, depois de todos os recursos esgotados. Não acredito que a Justiça não seja feita neste caso. Meus filhos podem testemunhar os avós maternos também estão dispostos a mostrar a verdade. Será que só a Justiça vai fechar os olhos e permitir que meus meninos continuem sendo maltratados pelo padrasto?”, questiona Manoel Nogueira.

 

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