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Novo reitor do Ifac é acusado de assédio moral contra servidores

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Troca de farpas aponta uma série de irregularidades na maior instituição federal do Acre

Jairo Carioca,
da redação de ac24horas
jscarioca@globo.com

“ O governo cala a imprensa e o Marcelo Minghelli cala os servidores”. Por trás da troca de farpas entre o chamado G7 e a reitoria do Instituto Federal do Acre [Ifac], o ac24horas teve acesso a denuncias graves que colocam em xeque a maior instituição federal do Estado. Elas vão desde a fraude no primeiro concurso público até o favorecimento de parentes de reitores aprovados nos cursos de história e geografia, o desvio de R$ 270 mil na compra de veículos e obras com 290 dias de atraso. Um gaúcho, filiado ao Partido dos Trabalhadores foi enviado pela presidente Dilma Rousseff, com a missão de colocar a casa em ordem. Comparado ao novo Plácido de Castro, Minghelli é chamado de perseguidor, interventor, criador da tendência Mais PT dentro do Instituto. Ele garante que não recua e que vai investigar tudo e todos.

Segundo a reportagem apurou, a Policia Federal investiga a fraude em concurso público. O Ministério Público proibiu em definitivo, na última quinta (27), o ingresso às vagas do Ifac através de sorteios. Com a abertura de processos investigativos administrativos disciplinares, punições estão sendo recomendadas através das reitorias de Brasília e do Estado de Mato Grosso e vão desde exonerações à suspensão de funcionários. Dois procuradores da República trabalham no caso.

Para entender o caso:

IFAC integra a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, composta de 38 institutos no país, mais de 400 unidades organizadas, oferecendo ensino gratuito do médio ao pós-doutorado. No Acre, o instituto chegou em 17 de dezembro de 2009, pela portaria nº1192. O primeiro reitor pro tempore foi Francisco Caiscais do Ifac do Amazonas, depois o educador Elias Oliveira. Contra os primeiros dois reitores pesam as denúncias de má versação do erário público e o favorecimento ao preenchimento de cargos através das reitorias de Cruzeiro do Sul e Sena Madureira.

Cursos de história, turismo e geografia estão sendo investigados

O inquérito 092/2011 da Policia Federal do Acre, apura o preenchimento ilegal do cargo de professor no concurso público feito pelo instituto em 2009. Uma pró-reitora é acusada de passar um filho no cargo de professor de história e o marido no curso de turismo. Em Sena Madureira, a mesma pró-reitora teria aprovado a filha no curso de geografia.

Até homoafetividade foi critério para contratação de professores

Outra denúncia grave que o ac24horas apurou diz respeito ao presidente da Comissão de Concursos Público do Ifac. Há indícios de que ele tinha uma relação homoafetiva com um professor que prestou concurso e que mesmo tendo zerado em uma das provas foi aprovado em primeiro lugar. O comprovante de residência no auxílio moradia do pró-reitor era o mesmo que o professor juntou para tomar posse. Ambos moravam juntos. Ainda de acordo com as informações apuradas, o fato era notório e vários funcionários tinham conhecimento do assunto. Os nomes dos acusados são mantidos em sigilo para não atrapalhar as investigações em curso.

A missão de Minghelli no Ifac

Uma das missões do professor Marcelo Minghelli no Ifac, além de acelerar o processo de implantação do instituto foi a de abrir os processos administrativos contra os supostos envolvidos nas fraudes detectadas. Em entrevista a reportagem ele revelou que em oito meses, o ex-gestor recebeu 18 recomendações da Procuradoria Geral da República, uma delas, aconselhando a devolução de R$ 270 mil aos cofres públicos pela compra de veículos.

Providências iniciais:

Visando colocar fim ao que chamou de “trem da alegria”, intervenções foram feitas nas direções de Cruzeiro do Sul e Sena Madureira. Em Cruzeiro do Sul o professor Neri Golinski foi substituído pela professora Débora Virgina Cardoso de Freitas. O Campus de Sena foi administrado pelo professor Sérgio Flórido [ex-reitor do IESACRE]. Maralina Torres da Silva tomou posse recentemente. É uma das pessoas de confiança de Minghelli.

Acusada de proibir os alunos de falarem com o “gestor máximo” a diretora de administração do Campus Rio Branco foi exonerada.  Sem querer revelar mais detalhes Minghelli diz que “outros motivos foram encaminhados a Procuradoria Geral da República e o Ministério Público Federal”. No Ifac, o setor administrativo silencia sobre o assunto.

O outro lado

Com um currículo impecável, Marcelo Minghelli é acusado pelos funcionários do Ifac como um perseguidor. Sua nomeação, segundo o grupo conhecido como G7 [formado por sete professores],foi chancelada pelo deputado federal Sibá Machado [PT]. Ainda segundo documento enviado à reportagem, Minghelli que é natural do Estado do Mato Grosso tem como terceira missão no instituto, a de criar dentro a “Tendência Mais PT” no Acre.

– O PT do RS quer tomar conta do Acre, como se já não bastasse o que temos por aqui. A missão do IFAC no planejamento estratégico é a que está na camiseta dos alunos, a de fazer uma nova revolução no Acre por meio da educação técnica, científica e tecnológica. Ele quer ser o novo Plácido de Castro – dizem os servidores.

O pró-reitor negou que seu cargo tenha sido apadrinhado pelo deputado federal Sibá Machado, “o conheci em Rio Branco”, acrescentou. Mas confirmou que é filiado ao Partido dos Trabalhadores.

– Podem fazer o que quiserem comigo, mas eu e minha gestão não vamos parar de investigar até que estes fatos sejam esclarecidos.

Quem é Marcelo Minghelli

Marcelo Minghelli é educador na área de Direito, integrou em 2008 o grupo que fomentou a lei de criação dos Institutos Federais que formam a Rede de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, foi Coordenador Geral de Formação Inicial e Continuada da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (Setec/MEC), assessor especial do mesmo ministério e representante na Conferência Nacional de Educação.

É pesquisador da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), membro do Conselho Universitário Superior de Passo Fundo e professor da Universidade Federal de Rondônia (Unir).  Foi coordenador do Departamento de Direito, do Curso de Pós Graduação e do Núcleo do Terceiro Setor da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), além de secretário geral do Instituto Raymundo Faoro e do Partido dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul, presidente do Conselho Regional de Desenvolvimento da Produção – Cored/RS e da Comissão Administrativa da Rodovia RS 135.

Natural de Passo Fundo (RS), Marcelo Minghelli é doutor em Direito pela UFPR, autor do livro “Orçamento Participativo: uma leitura jurídico-política” e de vários artigos do gênero.

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Acre

Laboratório ganha equipamentos com emenda de Mailza Gomes

Recurso de R$ 350 mil foi usado na compra de impressoras 3D, computadores, fabricação de totens de distribuição
de álcool em gel e escudos faciais, produzidos pelo Laboratório de Biologia Animal da universidade em Cruzeiro do Sul

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O Projeto Tecnologias do Futuro, desenvolvido pelo Laboratório de Biologia Animal da Universidade Federal do Acre – Campus Floresta – em Cruzeiro do Sul foi contemplado com uma emenda de R$ 350 mil da senadora Mailza Gomes.

Nesta sexta-feira, 30, a parlamentar visitou o laboratório e conheceu os equipamentos adquiridos. Foram computadores, seccionadora a laser (máquina para cortes precisos), scanners e impressoras 3D, usadas para fabricar material didático e jogos educativos para crianças, que serão distribuídos gratuitamente às escolas públicas.

Por meio das tecnologias adquiridas com a emenda da senadora, o material já está sendo fabricado. “Essas ações objetivam transformar a sala de aula em laboratórios dinâmicos. Sabendo das dificuldades das escolas públicas em termos de estruturação, desenvolvemos materiais que possibilitam ao professor trabalhar dentro da escola. Esses materiais otimizam o processo de ensino aprendizado por meio da interação, raciocínio lógico e exercícios que auxiliam no aprendizado. Agradecemos imensamente a senadora Mailza que prontamente nos atendeu quando surgiu a ideia de desenvolver esses produtos”, explica o professor Tiago Lucena, coordenador do projeto.

“Eu acredito muito que investir na ciência e na educação é o caminho para o desenvolvimento do nosso estado e estou muito feliz por ter contribuído com esta realização para o Acre. É uma alegria muito grande contribuir com essa instituição que transforma vidas por meio da educação. Como senadora, é dever meu colocar os recursos públicos à disposição da sociedade. Vamos seguir ajudando a Ufac e melhorando o ensino por meio da inovação e tecnologia”, destacou a parlamentar.

Também foram fabricados com o recurso 650 totens para disponibilização de álcool em gel, 10 mil extensores de máscaras e 10 mil escudos faciais na primeira etapa, entregues no momento mais crítico da pandemia.

Estiveram presentes na visita a secretária municipal de Administração da prefeitura de Cruzeiro do Sul, Silene Siqueira, Isabel Afonso da Silva, também coordenadora do laboratório de Biologia Animal, Matheus Nascimento Oliveira, técnico responsável e equipe do projeto.

Parceria com as instituições

Em 2020, o prefeito Zequinha Lima apresentou o projeto Tecnologias Educacionais da Ufac à senadora, que se prontificou enviar recursos. A Ufac e a Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre (Fundape) firmaram convênio com a prefeitura de Cruzeiro do Sul para produção de equipamentos de proteção individual (EPIs) no enfrentamento à pandemia da Covid-19 e implementação de ações estratégicas em educação, viabilizados com emenda da parlamentar.

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Acre

Acre recebe lote com mais 27,6 mil doses da Pfizer e Coronavac

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A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), recebeu do Ministério da Saúde (MS) neste sábado, 31, mais 27.610 doses de vacinas contra o coronavírus, sendo 15.210 da Pfizer e 12.400 doses da Coronavac.

Os imunizantes desembarcaram no Aeroporto Internacional de Rio Branco e serão usados para dar continuidade ao processo de imunização da população acreana.

A chefe do Programa Nacional de Imunização (PNI) no Acre, Renata Quiles, frisou que as doses fazem parte do 33° lote de imunizantes e devem ser divididas para os 22 municípios. “As vacinas que chegaram neste sábado serão utilizadas para aplicação de primeiras e segundas doses, fazendo com que a imunização avance no nosso estado. É de extrema importância que a população procure os pontos de vacinação, pois a arma mais eficaz contra o coronavírus hoje é a vacina”, declarou.

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Acre

Acre tem uma morte e 13 novos casos de Covid-19 neste sábado

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A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre),  registrou 13 casos de infecção por coronavírus neste sábado, 31, sendo 12 confirmados por exames RT-PCR e 1 por critério epidemiológico, fazendo com que o número de infectados salte para 87.141 nas últimas 24 horas.

Uma notificação de óbito foi registrada neste sábado, 31 de julho, fazendo com que o número oficial de mortes por Covid-19 suba para 1.799 em todo o estado.

Até o momento, o Acre registra 238.891 notificações de contaminação pela doença, sendo que 151.708 casos foram descartados e 42 exames de RT-PCR seguem aguardando análise do Laboratório Central de Saúde Pública do Acre (Lacen) ou do Centro de Infectologia Charles Mérieux. Pelo menos 83.218 pessoas já receberam alta médica da doença, enquanto 31 seguiam internadas até o fechamento deste boletim.

 

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Acre

Neném e Gladson trocam farpas após anúncio de novos concursos

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O anúncio feito pelo governador, sobre a necessidade de realizar concursos em 2021, gerou polêmica nas redes sociais neste sábado, 31. O deputado estadual Neném Almeida (Podemos) acusou o governador de fazer politicagem, haja vista a proximidade das eleições de 2022.

Almeida considera que a atual gestão estadual segue sem nenhum planejamento sério. Segundo ele, em 2020 para responder uma exigência do Ministério da Agricultura, foi realizado o concurso para o Idaf, porém, até o momento esses concursados não tem previsão de serem convocados. “O anúncio de concurso público às vésperas do ano de eleição é uma estratégia que, além de ser politiqueira, brinca com a esperança das pessoas com falsas expectativas. Uma tática baixa que já foi tentada por gestões anteriores”, desabafou.

O parlamentar frisou que o anúncio do governo mostra que, de fato, existe deficiência no quadro de servidores da segurança e demais setores. “Qual seria o motivo para não convocar aqueles que estão no cadastro de reserva da Polícia Civil e Polícia Militar? Apenas porque o concurso foi realizado por gestões anteriores? Por que apenas agora pensou-se em realizar concurso para engenheiros e arquitetos? E o mais justo não seria primeiro honrar com o compromisso de campanha e discutir sobre a atualização salarial dessa categoria?”, argumentou.

Entretanto, a declaração do deputado não ficou sem resposta, o governador Gladson Cameli (Progressistas) resolveu responder as críticas e deixou no ar que deverá convocar os aprovados dos cadastros de reserva, mas somente os que têm amparo legal em lei. “Quem disse que não irei chamar os que fizeram concurso? Quem tem amparo legal”, ressaltou.

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