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Após visitar Complexo Industrial do Peixe, Lula faz lobby para Sebastião fazer parceria com a Bolívia na piscicultura

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Textos e fotos: Ray Melo e Luciano Tavares

Durou mais três horas, entre visita e discursos, a solenidade de apresentação do Complexo do Peixe, na BR BR-364, sentido Rio Branco/Porto Velho, ao ex-presidente Lula da Silva e o presidente da Bolívia, Evo Morales. Ambos foram conduzidos pelo governador do Acre, Sebastião Viana, anfitrião do evento, ao frigorífico recém-inaugurado pelo governo e à fábrica de ração. O Complexo Peixes da Amazônia S/A possui uma moderna central de produção de alevinos (filhotes de peixe), a primeira fábrica de ração brasileira especializada em peixes carnívoros e um frigorífico com capacidade para processar 70 toneladas de peixe por dia. Com investimentos da ordem de R$ 80 milhões, o Complexo Industrial do Peixe é o resultado de uma parceira entre o governo acriano, BNDES, fundos de investimento, grandes produtores e aproximadamente 3.500 pequenos produtores familiares, reunidos em associações e colônias de aquicultores. Aproximadamente 25% das cotas são relativas à participação dos pequenos produtores.

O ex-presidente Lula (PT), que é achincalhado pela oposição, classificado como o pai do mensalão e do escândalo da Petrobras, mas endeusado no Acre pelos seus feitos em parcerias com as administrações petistas fez um discurso durante a inauguração do frigorífico do Complexo Peixes da Amazônia, que joga por terra que o mito que “florestania” é a redenção econômica para o Acre e os acreanos. O Lobby do uso do extrativismo foi a principal bandeira de campanha do PT no Estado nos 17 anos de poder do partido à frente do governo do Estado.

O líder petista também cometeu algumas gafes, principalmente quando foi saudar os cardeais acreanos. Lula fez um cumprimento rápido ao governador Sebastião Viana (PT) e tratou o senador Jorge Viana (PT), como uma que tem uma relação mais próxima a ele. “Já pedir tantas eleições e já ganhei tantas eleições com Jorge Viana, que nós somos mais que amigos”. O ex-presidente fez questão de destacar que veio ao Acre porque o presidente da Bolívia, Evo Morales, aceitou seu convite para visitar o complexo do peixe.

“Era um projeto que estava apenas no solo quando visitei o Acre”, disse Lula, que informou que logo em seguida teve um encontro na Bolívia, onde ele apresentou o projeto que estava sendo desenvolvido no Acre. O petista pode ter causado um mal estar no governador Sebastião Viana, ao falar o nome do evento que participou e fez o comentário sobre o projeto do complexo Peixes da Amazônia. “Foi numa reunião do G15, não G90… Acho que foi G77”, trazendo lembranças da Operação G7 que levou para cadeia, gestores do governo petista.

“Eu sai daqui com a certeza que este projeto tinha a cara da Bolívia. Apresentei ao companheiro Quintana, destacando que Evo Morales poderia fazer vários na Bolívia. A principal riqueza daquele país é o povo humilde, com vontade de trabalhar, que precisa de oportunidade para trabalhar. Eu disse: se o companheiro Evo, se disponibilizasse de vir ao Brasil para uma visita nesta fábrica, eu também viria. Pedi para minha secretaria, Clara, que também é boliviana, para ligar para Evo visitar Rio Branco”, ressalta Lula.

Assumindo o compromisso de ajudar a implantar o projeto de piscicultura nos mesmos moldes do Acre, no país vizinho. “O Brasil é grande pela economia, pelo povo, pelo produto interno, pelo ponto de vista tecnológico. O Brasil tem que ser um país solidário, disposto a ajudar seus vizinhos a crescer. O Brasil não pode ser rico sozinho na América Latina. O governo federal fará tudo que for necessário para fazer várias fábricas como a Peixes da Amazônia, na Bolívia”, disse o ex-presidente que fez o lobby para investimentos do Brasil na Bolívia.

Derrubando o mito da “florestania”

PEIXE_03Lula se empolgou tanto no discurso que parece ter esquecido a bandeira política de seus companheiros petista no Acre, que defendem a economia com base no extrativismo. “Tinha gente que falava que era o extrativismo era a saída para o Acre, mas o extrativismo não pode dar a resposta para tudo. A juventude não quer mais morar no meio do mato. Este papo que a gente falava no século passado, que temos que fixar o homem no campo. Quem gosta se ser fixada no campo é estaca. O homem tem que seguir. Esta meninada quer trabalhar”.

Ele acredita que os jovens podem trabalhar no campo e morar na cidade. “O jovem quer ir ao cinema, ir ao teatro, quer namorar, mas ele não quer ser confinado, vendo luz de vagalume a vida inteira. É bonito ver um dia, dois, três, mas a vida inteira? O cara quer vir para cidade para estudar. Parabéns pelo CallCenter. Porque esta juventude acha muito bonito, mas esta juventude quer trabalhar na cidade, querem estudar, querem ter uma profissão e eles querem cada vez mais evoluir. O Call Center é apenas o começo de sua vida profissional”.

Apesar de a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) ainda não ter uma única empresa instalada, Lula acredita que o Acre, já tem indústria iniciar os trabalhos. Demonstrando desconhecimento do estado crítico da BR-317, o ex-presidente disse que as empresas do Sul do país podem “ chegar ao Pacífico, através de uma estrada moderna saindo aqui do Acre. Isso mostrar que o Acre não quer ficar confinado a ser ume estado rural, mas um estado industrial. É um dos poucos estados que os jovens sabem cantar o hino nacional”.

Lobby para Evo Morales

O ex-presidente Lula tratou com naturalidade o fato de Evo Morales ter nacionalizado a refinaria da Petrobras, na Bolívia. Ele afirma que parte da “elite brasileira”, queria que ele brigasse com o boliviano. “O lula você tem que brigar com Evo. Eu falava que ele vai pagar pela Petrobras. Agora, o gás é dele, o Brasil tem que respeitar porque o gás é um produto da Bolívia. Hoje é com orgulho que eu posso dizer que a Bolívia nunca viveu um tempo de paz, como vive com este índio cocaleiro. Nunca o povo humilde teve tanto progresso como tem agora”.

De forma irônica, Lula falou do longo tempo que Evo Morales permanece no poder. “lógico que falta muita coisa, mas os outros governaram 500 anos, ele só tá há quase 10 anos no governo, e o mandato dele vai terminar só em 2020. Que Deus te ajude a continuar fazendo as coisas que você está fazendo na Bolívia. É a primeira vez que um índio chega ao poder na Bolívia”, disse o petista ao tentar desqualificar um ex-presidente boliviano que “falava inglês. Eu acho que ele tinha vergonha de falar a língua dos boliviano. Evo, querido, você é motivo de orgulho para esquerda brasileira e para aqueles que acreditam que outro mundo é possível construir”.

Crise no governo Dilma

Mergulhado numa crise política e econômica, o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) também foi defendido por Lula. “O brasil não vive seu melhor momento. A presidente Dilma chegou ao final de 2014, com o menor nível de desemprego da história deste pais. A Dilma teve que fazer muitos investimentos para manter os empregos. Chegou uma hora que era preciso parar porque o dinheiro encurtou”, disse o ex-presidente ao tentar justificar as medidas de ajuste fiscal que vem causando polêmica nas votações do Congresso.

Lula acredita que os descontentes com os rumos da economia brasileira não suportam a ascensão social dos pobres. “Ninguém cuidou do povo pobre como nós cuidamos. Tem gente que se incomoda com filha de doméstica fazendo medicina, filho de pedreiro fazendo engenharia. A ascensão do pobre é ascensão de todo mundo”, destaca ao incluir o Acre, como um dos estados que mais teve acesso aos programas de distribuição de renda do governo federal. “Os acreanos só viam avião passar e nunca pensaram em entrar num. Hoje podem viajar”.

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Conselho a Sebastião

O cardeal petista elogiou os “avanços” das administrações petistas e aconselhou o governador Sebastião Viana. “O Acre já fez muita coisa, mas o governador precisar ter consciência que ainda precisa fazer mais. Não pense que o povo é agradecido pelo que você já fez. Quando a gente toma a primeira dose, a gente quer a segunda, sabe. Aumento de salário só faz bem no primeiro mês, no mês seguinte não vale mais nada. Então, as coisas que você faz o povo gosta num dia, no outro ele quer mais. Se prepare porque nós do PT viemos para mudar a história deste país. O PT como é composto de seres humanos também comete erros e quem cometeu o erro tem que pagar. O que a gente não pode é fazer com que o povo brasileiro que transformou este partido no mais importante da América Latina, não tem no mundo nada similar, que este partido seja julgado”

O Brasil descoberto e construído pelo PT

Lula se alongou tanto no discurso que cometeu algumas gafes. Supervalorizando sua passagem pela Presidência da República, ele disse que tinha orgulho de ter inaugurado a primeira ponte entre Brasil e Bolívia, em 500 anos, ao relembrar da ponte de mão única construída na administração do então governador Jorge Viana. O petista se esqueceu que na época, já existia a ponte conhecida como “tranca”, ligando Epitaciolândia à cidade de Cobija, no Departamento de Pando. O ex-presidente afirmou ainda que nos anos 80, Rio Branco só tinha uma praça, “a coisa mais linda, que foi inaugurada pelo companheiro Jorge Viana”.

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Uma promessa para Sebastião cumprir

O governador do Acre, Sebastião Viana não tem o dom de realizar milagres, como o São Sebastião, padroeiro de Xapuri, mas terá que assumir a reponsabilidade do milagre da multiplicação dos peixes na Bolívia. Lula pediu para o gestor fazer “tudo que puder fazer para ajudar Evo Morales a implantar um projeto deste (o Complexo Peixes da Amazônia). Faça porque Deus dá em dobro quando ajudamos os necessitados. Se precisar conversar com empresários do Sul e Sudeste, me utilize, porque a gente vai convencê-los a vir ao Acre. Coitado é quem pensa que o acreano é coitado. O Acreano nasceu para ser guerreiro, para ser guerreira e o Acre nasceu para ser um estado desenvolvido, gerador de riqueza, gerando renda e fazendo o povo viver dignamente”, finaliza Lula.

Ele já levou a Petrobras, agora quer a Peixes da Amazônia

O presidente da Bolívia, Evo Morales, que nacionalizou uma refinaria construída pela Petrobras no país vizinho, demonstrou interesse em estabelecer uma parceria de cooperação com o Acre para instalar um projeto de piscicultura para desenvolver as cidades bolivianas. Morales não perdeu a oportunidade e fez uma piada para elogiar o projeto de piscicultura do governo do Acre. “Irmão governador, se este complexo industrial de peixe ficar perdido por aí pode procurar na Bolívia porque eu levei pra lá”.

 

 

Blog do Crica

Após sinalizar apoio a Bocalom, Gladson diz que sua candidata em Rio Branco é Socorro Neri

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O GOVERNADOR Gladson Cameli (foto) em contato hoje com o BLOG DO CRICA, justificou a sua ausência dos debates políticos a ter dado um tempo das confusões por cargos, mas que após a posse dos deputados amanhã, na ALEAC, voltará a se reunir com os deputados e a dará maior celeridade nas nomeações do segundo escalão. Se disse tranquilo para cumprir este segundo mandato. Tem a maioria na Assembleia Legislativa e o apoio unânime dos oito deputados federais.

Perguntado sobre quem apoiará para a prefeitura de Rio Branco, na eleição do próximo ano, foi taxativo: “Meu compromisso é com a Socorro Neri, embora, ela ainda não tenha me dito de forma clara que quer ser candidata a prefeita. Este é um assunto que também deve ser discutido dentro do PP. Quero escutar todo mundo”.

No decorrer do curto diálogo pelo celular, Gladson garantiu que vai falar com cada deputado federal e senador de forma individual. Perguntado se falará com o senador Sérgio Petecão (PSD), disse que será o primeiro procurado, e durante o encontro deve buscar uma reaproximação política entre ambos. “A eleição já acabou”, destacou Gladson.

Sobre a eleição para a composição do próximo diretório municipal do PP, Gladson enfatizou que não vai se meter e deixar a votação livre. Quem já se lançou publicamente a presidente do diretório municipal é a deputada federal Socorro Neri (PP). “Eu gosto de ser dirigente partidário e de organizar partido”, justifica sua decisão.

O novo presidente do diretório municipal do PP é quem vai comandar a eleição do próximo ano. Está oficialmente aberta a porteira da eleição para a disputa da
prefeitura de Rio Branco, no próximo ano.

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Acre

Ministro dos Transportes garante R$ 218 milhões para BR-364, no Acre

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O senador Sérgio Petecão (PSD) se reuniu com o novo ministro dos Transportes, Renan Filho, nesta segunda-feira (30), para tratar das obras que o Ministério e o DNIT promoverão no Acre nos próximos anos.

A manutenção da BR-364 e a construção do anel viário de Brasileia, bem como a ponte sobre o Rio Acre, estão na ordem do dia do ministro e existem recursos assegurados para isso.

“A verba para a manutenção da BR está assegurada; teremos R$ 218 milhões de investimentos nos trechos mais precários e na melhoria de toda a rodovia”, disse o ministro.

Renan filho afirmou que sua gestão vai priorizar também a obra do contorno de Brasileia. “Essa é uma iniciativa em parceria com o DNIT que vai aumentar a integração e o transporte no Alto Acre”, disse.

Petecão elogiou a nova equipe de Renan ao afirmar que o Ministério dos Transportes, sob a liderança ministro Renan Filho, está afinada com os dados do Acre e as obras que vão representar um grande avanço no estado.

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Destaque 4

É urgente a estruturação de uma política de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação

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*Ronald Polanco Ribeiro
** Rafael L. G. Raimundo

A agenda global em discussão neste momento abre imensas oportunidades em termos de mercados para bioeconomias da Amazônia que sejam realmente comprometidas com a manutenção da floresta em pé. Nesse cenário, a continuidade de políticas públicas que incentivem cadeias produtiva causadoras de destruição de ecossistemas representa um caminho na contramão da história. Seguir nessa direção significa virar as costas para oportunidades novas que se abrem. Nos deparamos agora com uma janela de oportunidades única, quando ainda é possível uma reestruturação estratégica das políticas públicas para, ao longo de alguns anos, colhermos os benefícios socioeconômicos e ambientais do reestabelecimento do Acre como protagonista do debate global sobre desenvolvimento, inclusão e sustentabilidade. Olhando para esse novo contexto, apresentamos aqui nossa perspectiva sobre a urgência de formulação de uma Política de Estado de Inovação para o Desenvolvimento a partir das análises de um trabalho científico apresentado à sociedade acreana no final de 2022: o Diagnóstico Socioeconômico – Acre 60 anos: Passado, Presente e Futuro. Esse trabalho foi financiado por um pool de instituições locais que incluiu a Assembleia Legislativa, o Governo do Estado e o Tribunal de Contas do Acre. O Diagnóstico foi elaborado pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional – CEDEPLAR, da UFMG, um dos mais avançados centros de estudos sobre economia regional do país.

Em seu cerne, o Diagnóstico aponta um padrão preocupante sobre o potencial inovativo do Acre, descrito pela conjunção de desempenhos fracos quanto a três fatores-chave:  1) um número ainda pequeno de patentes depositadas junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI); 2) uma produtividade científica baixa e heterogênea entre campos do conhecimento, ainda que em crescimento; 3) um potencial ainda limitado para a formação de cientistas em áreas estratégicas. De forma alarmante, o Diagnóstico aponta que o Acre é, proporcionalmente, o estado com a menor produção científica e tecnológica no Brasil, considerando patentes e artigos científicos publicados por residentes. É urgente, portanto, a implementação de um conjunto de políticas públicas estrategicamente coordenadas para a reversão desse cenário, em médio prazo. Essa coordenação espaço-temporal de políticas mitigatórias, estruturantes e amplificadoras frente a uma visão de futuro sintonizada com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável é o que concebemos como uma Política de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação para o desenvolvimento. Ela só será possível se pudermos estabelecer as condições para a construção de pontes perenes entre as instituições que produzem ciência e tecnologia e sua aplicação direta em múltiplos setores da sociedade e da economia. Além de estratégias para a produção e serviços que alavanquem a economia, a delimitação dessa Política de Estado deve incluir mecanismos que garantam a criação e implementação de inovações sociais que se desdobram nos campos da educação, ambiente, cultura e governança.

Em consonância com o Diagnóstico, defendemos que o Acre articule uma Política de Estado que dê sustentação a um audacioso sistema de inovação voltado para o desenvolvimento local, diferenciado em relação a outros mercados do país e sintonizado com as tendências econômicas globais. Entende-se que a adoção de tal estratégia poderia levar o estado, ao longo de alguns anos, a uma condição de destaque em campos tecnológicos relevantes para a economia brasileira e ainda pouco explorados. Em síntese, neste artigo, propomos a articulação de uma Política de Estado de Inovação para o Desenvolvimento embasada no seguinte tripé:

  1. A reestruturação e o fortalecimento do Sistema Estadual de Inovação por meio da integração de políticas públicas e parcerias público-privadas que viabilizem:
    • Incentivos a uma rede planejada de empreendimentos nos setores primário, secundário e terciário com base na inovação e tecnologias pautadas na promoção do desenvolvimento sustentável, em associação com instituições de pesquisa acreanas e parceiros nacionais e internacionais;
    • A estruturação de estratégias de formação de lideranças locais na área de Ciência, Tecnologia e Inovação voltadas para os aspectos ecológicos, econômicos e sociais do desenvolvimento, visando a conversão dos ativos da biodiversidade em indutores do crescimento econômico e do desenvolvimento humano sustentável.
  1. Estruturação de políticas catalizadoras da inserção da cultura de desenvolvimento científico e tecnológico no âmbito do cooperativismo e de empreendimentos privados, visando:
    • O fomento estatal a programas que viabilizem a absorção de jovens cientistas acreanos formados nos níveis técnico, de graduação e pós-graduação, alavancando fortemente a Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) na iniciativa privada e assim evitando a “fuga de cérebros” formados localmente;
    • Incentivos claros e atraentes para implementação de startups propostas por jovens cientistas e empreendedores formados localmente e para a atração de empresas de tecnologia externas em áreas estratégicas para a indução de cadeias produtivas delimitadas sob o paradigma da sustentabilidade.
  1. Fortalecimento da pesquisa de ponta e internacionalização na UFAC, no IFAC e na EMBRAPA, em associação com as comunidades locais e a iniciativa privada:
    • Apoio à estruturação e fortalecimento de programas de pós-graduação em todas as áreas do conhecimento, com ênfase especial em campos-chave para a temática da sustentabilidade nas Ciências da Informação e Computação, Engenharias, Ciências Biológicas e Ciências Humanas e Sociais;
    • Internacionalização da pesquisa com parcerias estratégicas com instituições internacionais que promovem pesquisa para inovação alinhada à sustentabilidade do desenvolvimento da Amazônia, expandindo a rede de parceiros nacionais e internacionais já existentes nos grupos de pesquisa do Acre;
    • Reestruturação dos programas de financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Acre – FAPAC, através do incentivo a projetos temáticos indutores de redes de pesquisa envolvendo UFAC, IFAC e Embrapa, parceiros nacionais e internacionais e iniciativa privada.

Os processos estruturantes indicados acima estão embasados na noção de que o progresso econômico local dependerá de estímulos orçamentários orientados para a estrutura local de ciência, tecnologia e inovação e amplificados por uma rede de parcerias nacionais e internacionais. Um ponto de partida evidenciado pelo Diagnóstico é a concretização de investimentos sólidos para alavancar o número e a diversidade de grupos de pesquisa focados no desenvolvimento nas mais variadas disciplinas das Ciências Biológicas, Humanas e Exatas. Esse foco na diversidade da produtividade científica é um ingrediente fundamental para que as aplicações decorrentes possam dar conta do caráter multissetorial da construção da sustentabilidade e, genuinamente, apresentarem aos mercados externos inovações que respondam às demandas por uma produção ecologicamente sustentável, economicamente competitiva e socialmente justa. Um segundo fator que o Diagnóstico do CEDEPLAR evidencia é a necessidade urgente do incentivo ao desenvolvimento de patentes e outras formas de propriedade intelectual que estejam em sintonia com a realidade do Acre, tanto no que se refere às suas potencialidades bioeconômicas como aos direitos dos povos indígenas e outras comunidades tradicionais. 

No Diagnóstico, o CEDEPLAR destaca que as mudanças na economia global, especialmente a partir da década de 1970, direcionaram as atenções de pesquisadores e formuladores de políticas públicas para a importância da ciência e da tecnologia no processo de desenvolvimento econômico. No caso de regiões subnacionais, como é o caso do Acre, a literatura chama a atenção para as vantagens da escala geográfica reduzida como facilitadora da estruturação de uma rede de inovações, uma vez que favorece as relações de confiança e permite uma maior fluidez dos transbordamentos de conhecimento para todos os agentes econômicos, principalmente as empresas. Nesse sentido, temos uma oportunidade extraordinária de criarmos no Acre uma revolucionária rede de pesquisa conjugando (1) sólidas respostas às mudanças climáticas, por meio de uma estratégia de desenvolvimento de bioeconomias regionais que combinam conservação e restauração florestal, indução de empreendimentos competitivos internacionalmente e justiça social, (2) a potencialização da produção de conhecimento e patentes por grupos de pesquisa já estabelecidos nas ciências agrárias e nas ciências biológicas, com muitas publicações em parasitologia, agronomia, silvicultura, conservação da biodiversidade e agricultura, alavancada por novas parcerias estratégicas no Brasil e exterior e (3) a indução de novos grupos de pesquisa e empreendimentos associados na fronteira científica e tecnológica, tais como a microeletrônica, a biotecnologia, a ciência da informação e a indústria farmacêutica, incluindo também setores tradicionais, como a produção de alimentos e bebidas e a indústria têxtil. 

Entendemos que cabe prioritariamente ao setor público estruturar estrategicamente políticas para integrar múltiplos processos potencialmente convergentes, como é o caso da CT&I, catalisando as capacitações internas em pesquisa e as interações entre os agentes do sistema estadual de inovação. Logo, essa Política de Estado teria como principal propósito induzir as condições para a otimização das parcerias institucionais que o amplo processo de desenvolvimento científico e tecnológico aqui proposto supõe. 

Ao compartilharmos nossa visão sobre o Diagnóstico CEDEPLAR, à luz de uma caracterização, indicamos a necessidade de estruturação de uma estratégia ampla para o fortalecimento do sistema de inovação do estado, dado que se trata de uma região com características econômicas particulares e que precisa viabilizar uma estratégia de desenvolvimento diferente daquelas levadas a cabo em outras regiões do Brasil. Ele mostra o quanto é fundamental para a região conciliar progresso econômico com conservação e restauração ambiental, fazendo com que os ativos da biodiversidade local se convertam em indutores de competitividade econômica e desenvolvimento humano. O primeiro passo é contribuir para que a comunidade científica acreana compreenda as potencialidades e desafios que o presente momento histórico traz para a transformação de nosso território, pois o engajamento e participação dos cientistas acreanos como protagonistas na construção dos amplos processos aqui discutidos é condição necessária para podermos aproveitar as oportunidades que se abrem neste momento. 

*Ronald Polanco Ribeiro é Economista, Mestre em Desenvolvimento Regional e Conselheiro do Tribunal de Contas do Acre

** Rafael L. G. Raimundo é biólogo, doutor em Ecologia pela USP e atualmente professor do Departamento de Engenharia e Meio Ambiente da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), tendo sido coordenador do Centro de Formação e Tecnologias do Juruá (CEFLORA/Instituto Dom Moacyr – 2006 a 2009)

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Cotidiano

Michelle Bolsonaro deve começar a receber salário do PL e despachar em partido em fevereiro

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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deve começar a receber salário mensal e despachar na sede nacional do PL a partir de fevereiro.

A sigla planeja pagar a Michelle um salário de R$ 39,2 mil, mesmo rendimento de deputado federal, e disponibilizar uma sala de despacho a ela no diretório nacional da legenda.

O local ainda passa por reformas, mas a expectativa é de que seja finalizado até o final de fevereiro.

Michelle foi convidada para assumir o segmento feminino do PL e deve passar por treinamentos para a sua carreira partidária.

O partido planeja media training, para que ela se comunique melhor em público, e suporte de técnicos da legenda sobre política e economia.

A sigla também planeja pagar salário mensal ao ex-presidente Jair Bolsonaro, mas apenas quando ele desembarcar no Brasil.

Bolsonaro mudou o status do seu visto para turístico e, segundo um grupo de aliados, pretende ficar nos Estados Unidos até o final do mês.

Em entrevista para a CNN, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, disse que Michelle é uma alternativa do partido para a disputa presidencial de 2026.

Para isso, reconhecem dirigentes da legenda, ela precisa diminuir o discurso religioso e incorporar uma retórica ampla, com acenos a diferentes setores da sociedade.

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