Dois anos e quatro meses após a chacina registrada no bairro Taquari, em Rio Branco, a Justiça do Acre decidiu submeter quatro dos cinco réus do principal processo do caso a júri popular. A sentença de pronúncia, à qual a reportagem teve acesso, detalha a suposta participação de cada acusado no crime. A informação foi divulgada pela reportagem da TV 5 nesta terça-feira, 10.
A chacina ocorreu na noite de 3 de novembro de 2023 e resultou em seis mortes. De acordo com denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), o crime teria sido motivado por disputa entre facções criminosas, com a intenção de integrantes do Comando Vermelho (CV) de assumir o controle da região, tradicionalmente dominada pelo grupo conhecido como Bonde dos 13.
Segundo a decisão judicial, Davidesson da Silva Oliveira, conhecido como “Escopetinha” e apontado como integrante do Comando Vermelho, teria atraído as vítimas ao local do ataque sob a promessa de oferecer uma casa a cada uma delas. Ele será julgado pelas mortes de Adegilson Ferreira da Silva e Valdei das Graças Batista dos Santos, supostamente ligados ao Bonde dos 13, além de responder por integrar organização criminosa.
Tony da Costa Matos, apontado como membro do Bonde dos 13, foi preso com uma das armas utilizadas no crime — uma escopeta de repetição calibre 12 — e, conforme a denúncia, teria destruído o HD que armazenava imagens de câmeras de monitoramento da residência onde ocorreram os assassinatos.
José Weverton Nascimento da Rosa, conhecido como “Raridade”, também teria participado diretamente do confronto. Ele foi encontrado ferido a cerca de 50 metros do local das mortes e alegou ter sido baleado enquanto se dirigia à casa da namorada.
Denilson Araújo da Silva, o “Jabá”, igualmente apontado como integrante do Bonde dos 13, foi preso com uma escopeta calibre 12 e apresentava ferimentos pelo corpo. Inicialmente, teria afirmado que as marcas seriam decorrentes de tumores, mas a perícia concluiu que as lesões eram compatíveis com disparos de arma de fogo.
Tony da Costa, José Weverton e Denilson Araújo vão responder pelas mortes de Adegilson Ferreira da Silva e Valdei das Graças Batista dos Santos, além de Luan dos Santos de Oliveira, Tailan Dias da Silva, Sebastião Ítalo Nascimento de Carvalho e Tiago Rodrigues da Silva — estes últimos apontados como integrantes do Comando Vermelho. Eles também respondem por participação em organização criminosa.
O quinto denunciado, Ronivaldo da Silva Gomes, conhecido como “Roni”, teve o processo desmembrado. Segundo a denúncia, ele também estaria no local no momento do confronto. Roni integra a lista dos 214 foragidos mais procurados do país.
Como ainda cabe recurso contra a sentença de pronúncia, a data do julgamento pelo Tribunal do Júri ainda não foi definida.