Acre

Semana do Rim reúne especialistas e alerta para doença renal silenciosa

Por
Saimo Martins

A 3ª edição da Semana do Rim no Acre teve continuidade nesta segunda-feira (9) com a realização do 3º Simpósio do Rim (ROM), no auditório da Uninorte, em Rio Branco. O evento possui perfil acadêmico e é voltado a profissionais e estudantes da área da saúde, com foco na atualização científica sobre prevenção, diagnóstico e tratamento da Doença Renal Crônica (DRC).

Com o tema “Proteger e cuidar de pessoas e proteger o planeta: exame de urina e creatinina para todos”, a programação reuniu centenas de participantes e incluiu palestras e debates com especialistas da área.

Foto: Jardy Lopes

A abertura contou com palestra da médica nefrologista Jarinne Camilo Landim Nasserala, fundadora e diretora técnica do Hospital do Rim no Acre e professora do curso de Medicina da Universidade Federal do Acre (Ufac). A especialista apresentou dados epidemiológicos da doença renal crônica no Brasil e no Acre, destacando a importância do diagnóstico precoce.

Foto: Jardy Lopes

Ainda no primeiro dia, o psicólogo Renato Melo, que atua no Hospital do Rim, abordou o papel da psicologia no manejo da ansiedade e da depressão em pacientes renais crônicos. A programação também incluiu a palestra “Desafios e cuidado do paciente em hemodiálise”, ministrada por Silvério Gomes de Freitas Júnior, presidente da Associação de Pacientes Renais e Transplantados do Acre (Apartac).

Jarinne Nasserala destaca importância do diagnóstico precoce e aponta que 10% dos brasileiros têm doença renal crônica

Durante o 3º Simpósio do Rim (ROM), a médica nefrologista Jarinne Nasserala comemorou a adesão do público e reforçou a importância da disseminação de informações sobre prevenção, diagnóstico e tratamento da doença renal crônica (DRC). “Estamos muito felizes com o número de inscrições. Nossa expectativa é levar conhecimento sobre as doenças renais, como prevenir, diagnosticar e tratar, tanto para os profissionais de saúde quanto para a população interessada em aprender mais sobre a doença renal crônica”, afirmou.

Segundo a especialista, a programação do simpósio reúne profissionais de diversas áreas. No primeiro dia, dois palestrantes participaram das atividades. Já no segundo dia, estão previstos cerca de seis palestrantes. Entre os profissionais confirmados estão psicólogo, nutricionista, enfermeiro, médicos nefrologistas e urologistas, além da coordenação do transplante renal. Os temas abordam doenças renais e urológicas, depressão em pacientes renais, nutrição na doença renal crônica e transplante renal.

Foto: Jardy Lopes

Dados epidemiológicos preocupam

Em sua palestra, Jarinne apresentou dados epidemiológicos sobre a doença renal crônica no Brasil, no mundo e no Acre. “Hoje vou falar sobre a doença renal crônica e seus aspectos epidemiológicos, trazendo estatísticas do Brasil, do mundo e do Acre”, explicou.

De acordo com a médica, estima-se que 10% da população brasileira tenha algum grau de doença renal crônica. “Ou seja, um em cada dez brasileiros pode ter algum tipo de doença renal crônica e não sabe”, alertou.

No Acre, o cenário segue a mesma tendência. Atualmente, há cerca de 670 pacientes em diálise em todo o estado. “E ainda existem muitas pessoas que não sabem que têm a doença e precisam fazer o diagnóstico”, ressaltou.

Foto: Jardy Lopes

O psicólogo Renato Mello, que atua há vários anos no Hospital do Rim, participou da programação do 3º Simpósio da Semana do Rim e abordou um tema essencial no cuidado aos pacientes: o manejo da ansiedade e da depressão em pessoas com doença renal crônica.

Segundo ele, a proposta da palestra é ampliar a conscientização sobre as doenças renais e reforçar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, destacando também os impactos emocionais enfrentados pelos pacientes. “A doença renal crônica é uma doença silenciosa. Muitas vezes, a pessoa vive 20, 30 ou 40 anos com sua rotina estabelecida e, de repente, recebe o diagnóstico. Isso altera completamente a qualidade de vida”, explicou.

Renato ressaltou que o acompanhamento psicológico é fundamental nesse processo, já que o diagnóstico pode provocar mudanças profundas na rotina, na autonomia e na perspectiva de futuro do paciente.

De acordo com o especialista, a prevenção e o diagnóstico precoce também influenciam diretamente no enfrentamento emocional da doença. “Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores são as possibilidades de adaptação e de melhor qualidade de vida”, destacou.

Foto: Jardy Lopes

Presente na solenidade do 3º Simpósio da Semana do Rim, o secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal, ressaltou a relevância do evento para o fortalecimento da rede pública de saúde e a qualificação dos profissionais da área. De acordo com ele, o Sistema Único de Saúde (SUS) vai além do atendimento direto ao paciente. “O SUS não apenas trata o paciente. Ele também faz gestão e, além disso, promove a educação dos nossos profissionais, acadêmicos e residentes”, afirmou.

O secretário parabenizou a organização do Hospital do Rim pela realização da terceira edição do evento. “Não é apenas mais uma iniciativa, é uma continuidade. A primeira e a segunda edições foram um sucesso, e agora seguimos ampliando o conhecimento dos nossos profissionais”, destacou.

Pedro Pascoal enfatizou ainda que o simpósio possibilita a discussão sobre as terapias renais substitutivas mais atuais e fortalece a educação multiprofissional continuada — considerada um dos pilares do SUS. “É dessa forma que garantimos que os profissionais, tanto da rede pública quanto da privada, aprimorem seus conhecimentos e ofereçam uma saúde de maior qualidade aos nossos pacientes”.

Foto: Jardy Lopes

Doença silenciosa e prevenção

A médica nefrologista Luciene Pereira de Oliveira, responsável técnica pela Unidade de Nefrologia da Fundação Hospitalar do Estado do Acre, reforçou o alerta sobre a gravidade da doença renal crônica. Segundo ela, a DRC é uma doença silenciosa e progressiva, frequentemente diagnosticada de forma tardia. “Estamos aqui com a responsabilidade, em alusão ao Dia Mundial do Rim, de reforçar a importância da conscientização. Trata-se de uma doença que muitas vezes só é descoberta em estágio avançado”, destacou.

Foto: Jardy Lopes

A especialista orienta que pessoas com fatores de risco, como hipertensão, diabetes ou histórico familiar de doença renal, realizem exames simples e acessíveis, como a dosagem de creatinina e exame de urina.

Entre as principais medidas de prevenção estão o controle rigoroso da pressão arterial e da glicemia, boa hidratação, redução do consumo de sal, prática regular de atividade física e controle do peso corporal. “São atitudes diárias que ajudam a retardar a progressão da doença. Quando o diagnóstico é feito apenas diante de sintomas, muitas vezes já há pouco a ser feito além de encaminhar para diálise ou transplante. Cuidar dos rins é cuidar da vida”, enfatizou.

Foto: Jardy Lopes

Estiveram presentes na agenda a coordenadora de Transplantes da Fundação Hospitalar, Valéria Monteiro; a coordenadora do curso de Medicina da Uninorte, dra. Rita Uchôa; o representante do Sicoob, Álvaro Júnior; o presidente da Associação de Pacientes Renais e Transplantados do Acre (Apartac), Silvério Júnior; a nefrologista dra. Lucilene; Camila Souza, representante do deputado Pedro Longo; a médica dra. Jarinne Nasserala; o deputado federal e médico, Eduardo Velloso; Miguelina, representante da GEAP; a dra. Priscila Murad; e o secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal.

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Saimo Martins