Foto: Iago Nascimento/ac24horas
O médico e apresentador Dr. Fabrício Lemos recebeu duas especialistas em nefrologia no programa Médico 24 Horas, exibido nesta segunda-feira (9) na capa do ac24horas e nas redes sociais do jornal. As convidadas foram as médicas Jarinne Nasserala e Naiara Machado, que discutiram os desafios das doenças renais no Acre, os avanços da especialidade e a programação da Semana do Rim, voltada à prevenção e conscientização sobre problemas que atingem milhares de pessoas.
Durante a entrevista, a nefrologista Jarinne Nasserala destacou a dimensão do atendimento prestado ao longo de sua trajetória médica no estado. Segundo ela, o trabalho na área já impactou diretamente milhares de pacientes acreanos. “Por baixo, umas 15 mil pessoas já foram atendidas ao longo desses anos. Só do ano passado para cá foram cerca de 9 mil pacientes, além de aproximadamente 10 mil atendimentos em consultório e mais de 5 mil no hospital”, afirmou.
A médica também comentou o crescimento da estrutura hospitalar voltada ao tratamento de doenças renais e outras especialidades. O Hospital do Rim, que inicialmente se dedicava sobretudo ao atendimento nefrológico, passou a ampliar sua atuação. “Hoje o hospital não é mais apenas do rim. Temos mais de 50 médicos atuando em várias especialidades, com cirurgias gerais, ortopedia, oftalmologia e até neurocirurgia. A estrutura funciona 24 horas e recebe pacientes de diversas áreas”, explicou.
Mesmo com os avanços da medicina, as especialistas alertaram para um problema crescente: o aumento das doenças renais. Segundo elas, muitas dessas enfermidades são silenciosas e acabam sendo diagnosticadas apenas em estágios avançados, quando o paciente já necessita de tratamentos complexos, como a hemodiálise.
“As doenças renais muitas vezes são silenciosas. Quando o paciente procura o médico, às vezes já não tem mais como evitar a hemodiálise. Por isso a importância da conscientização e do diagnóstico precoce”, destacou Jarinne.
A nefrologista ressaltou ainda que a hipertensão arterial é a principal causa de insuficiência renal crônica no Acre, seguida pela diabetes, padrão semelhante ao observado em todo o Brasil. “A principal causa é a hipertensão mal controlada. Depois vem a diabetes. Essas duas doenças respondem pela maior parte dos casos que evoluem para insuficiência renal”, afirmou.
A médica Naiara Machado, que recentemente concluiu residência em nefrologia e passou a integrar a equipe do Hospital do Rim, explicou que o tratamento do paciente renal envolve uma abordagem ampla e multidisciplinar, que vai muito além da atuação do médico. “O cuidado com o paciente renal não é feito só pelo nefrologista. Existe uma equipe multidisciplinar com assistente social, nutricionista, psicólogo e enfermagem. Todos trabalham juntos para acompanhar o paciente em todas as dimensões da doença”, disse.
Segundo ela, o impacto social da doença renal pode ser profundo, especialmente quando o paciente precisa iniciar sessões frequentes de hemodiálise. “Muitos pacientes eram provedores da família e, quando descobrem a doença, acabam perdendo o emprego ou enfrentando dificuldades financeiras. Isso pode levar à ansiedade, depressão e outras fragilidades emocionais, por isso o acompanhamento psicológico também é fundamental”, explicou.
Outro ponto destacado na entrevista foi o aumento expressivo dos casos de cálculo renal no estado, associado principalmente ao estilo de vida e aos hábitos alimentares.
“As pessoas estão bebendo menos água e consumindo mais refrigerantes, fast-food e alimentos ricos em sódio e açúcar. Isso contribui muito para o surgimento de cálculos renais”, alertou Jarinne.
As especialistas também chamaram atenção para projeções preocupantes sobre o futuro das doenças renais no mundo. Estudos indicam que, até 2050, a doença renal crônica poderá se tornar a quinta principal causa de morte global. “Os estudos mostram que até 2050 a doença renal crônica pode ser a quinta causa de morte no mundo. Isso demonstra a importância de falar sobre prevenção agora”, ressaltou a médica.
A entrevista também destacou a programação da Semana do Rim no Acre, que ocorre entre os dias 8 e 14 de março, com ações voltadas à prevenção, atividade física, eventos científicos e iniciativas sociais. Entre as atividades previstas estão corrida de conscientização, simpósio sobre doenças renais, torneio esportivo entre profissionais da saúde e ações educativas junto à população.
Além disso, foi anunciada a criação da regional acreana da Sociedade Brasileira de Nefrologia, iniciativa que busca fortalecer a especialidade no estado e ampliar a produção científica e a discussão sobre o tratamento das doenças renais. “Agora temos a regional da Sociedade Brasileira de Nefrologia no Acre, formada por um grupo de nefrologistas do estado. Isso fortalece nossa atuação e amplia o debate sobre prevenção, diagnóstico e tratamento dessas doenças”, afirmou Jarinne.
As médicas reforçaram a importância da prevenção, destacando que medidas simples, como controlar a pressão arterial, tratar o diabetes, manter uma alimentação equilibrada e beber água regularmente, podem reduzir significativamente o risco de desenvolver doenças renais.