O ministro Gilmar Mendes, do STF — Foto: Sergio Lima/AFP
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes classificou como uma “demonstração de barbárie institucional” a divulgação de conversas do banqueiro Daniel Vorcaro e de sua então namorada, a empresária e influenciadora Martha Graeff. As mensagens foram tornadas públicas após a prisão do banqueiro, na semana passada, na terceira fase da Operação Compliance Zero.
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“A exposição pública de conversas de cunho estritamente privado, desvinculadas de qualquer ilicitude, constitui uma gravíssima violação ao direito à intimidade”, disse o magistrado em postagem nas redes sociais.
A defesa de Graeff estuda ir à justiça contra a exposição de conversas íntimas do então casal que não dizem respeito à investigação sobre o banco Master. Segundo o ministro, “ao permitir a publicação de diálogos íntimos de um casal, o Estado e seus agentes não apenas falham em seu dever de guarda, mas desrespeitam a legislação, que impõe categoricamente a inutilização de trechos que não interessam à persecução penal”.
“Ao transformar o que deveria ser uma investigação técnica em um espetáculo e em um verdadeiro ato de linchamento moral, o sistema incorre em nítida afronta à dignidade humana e aos direitos fundamentais”, finaliza Gilmar.
Em nota divulgada à imprensa, a equipe jurídica de Graeff apontou que ela está “consternada em face da grave violência que vem sofrendo” pela exposição “manifestamente ilegal e impressionantemente inútil” das mensagens íntimas.
Pelas redes sociais, Tomas Graeff prestou solidariedade à “querida e amada filha”:
“As lágrimas derramadas pela injustiça, ódio e violência sistêmica que vem sofrendo irão regar as flores mais bonitas da terra”, escreveu Tomas, para quem ser pai de Martha é “mais do que orgulho, é um estado de espírito, impossível de ser expressado em palavras”.