O Amazonas registrou 1.023 casos de violência contra mulheres em 2025, um aumento de 69,4% em comparação com 2024, quando foram contabilizados 604 registros. Os dados constam no relatório “Elas Vivem”, divulgado nesta sexta-feira (6) pela Rede de Observatórios da Segurança, que monitora a violência de gênero em nove estados brasileiros.
O levantamento reúne casos divulgados na imprensa e nas redes sociais para mapear diferentes formas de violência contra mulheres. Nesta edição, foram analisados dados do Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.
Mesmo tendo uma população cerca de dez vezes menor que a de São Paulo, o Amazonas está entre os dois únicos estados monitorados que ultrapassaram mil registros de violência contra mulheres no período.
Entre os tipos de violência identificados no estado, a violência sexual e os casos de estupro aparecem entre os mais frequentes, com 353 registros. Segundo o relatório, 78,4% das vítimas tinham entre 0 e 17 anos, o maior percentual entre os estados analisados, indicando que crianças e adolescentes concentram a maior parte das vítimas desse tipo de crime no Amazonas. Entre elas, há registro de cinco meninas indígenas.
No total, foram contabilizadas 1.397 ocorrências de violência relacionadas às vítimas no estado, já que uma mesma mulher pode sofrer mais de um tipo de agressão. Entre os casos monitorados estão tentativas de feminicídio, agressões físicas e violência sexual.
O levantamento também mostra que 367 episódios de violência foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros das vítimas.
Outro ponto destacado no relatório é a falta de informações sobre o perfil das vítimas. Em 92,3% dos feminicídios registrados no Amazonas, por exemplo, não há identificação de raça ou cor.
De acordo com dados oficiais do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Amazonas registrou 20 feminicídios em 2025. No entanto, ao considerar outras classificações de mortes violentas de mulheres, o próprio ministério contabiliza 45 casos no mesmo período.
Para os pesquisadores, analisar apenas os feminicídios pode ocultar outras formas de violência de gênero, como agressões físicas, estupros e ameaças, que também compõem o cenário de violência contra mulheres.
O relatório destaca que a produção e a divulgação desses dados são fundamentais para orientar políticas públicas de prevenção e proteção às vítimas, especialmente em estados onde a violência não letal apresenta crescimento significativo.