A Polícia Civil do Tocantins desvendou um esquema de abuso sexual virtual e extorsão que teve como vítima uma jovem de 18 anos. A investigação foi conduzida pela 6ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC) de Paraíso e resultou na identificação de um suspeito, também de 18 anos, localizado no município de Vera, no Mato Grosso.

De acordo com a polícia, o investigado utilizou a estratégia conhecida como grooming, método de manipulação psicológica em que o criminoso conquista gradualmente a confiança da vítima pela internet. Para isso, criou um perfil falso em um aplicativo de relacionamentos, fingiu interesse amoroso e passou a manter conversas frequentes com a jovem, até estabelecer um vínculo emocional.

Após ganhar a confiança da vítima, o suspeito a convenceu a enviar fotografias íntimas e também obteve informações pessoais sobre familiares. Com esse material, iniciou uma série de ameaças e constrangimentos no ambiente virtual.

Segundo a investigação, ele passou a pressionar a jovem durante chamadas de vídeo, obrigando-a a realizar atos humilhantes enquanto acompanhava em tempo real. A polícia aponta que a conduta tinha o objetivo de exercer controle psicológico sobre a vítima.

Além da exploração sexual virtual, o investigado também praticou extorsão. Utilizando as imagens íntimas como forma de chantagem, ele passou a exigir transferências bancárias via Pix, sob ameaça de divulgar o material para familiares da jovem e nas redes sociais.

Com o avanço das apurações, equipes da 6ª DEIC conseguiram identificar e localizar o suspeito em Vera (MT). Na quinta-feira (5), foi cumprido mandado de busca e apreensão na residência dele, com apoio da Polícia Civil de Mato Grosso. Durante a operação, os agentes apreenderam o telefone celular que teria sido utilizado para cometer os crimes.

O delegado responsável pelo caso, Antônio Onofre de Oliveira Filho, destacou a gravidade da conduta e afirmou que o suspeito teria planejado a abordagem para submeter a vítima a constrangimentos e obter vantagem financeira por meio de chantagem.

Com base nas provas reunidas no inquérito e nos elementos coletados durante a busca e apreensão, a Polícia Civil solicitou a prisão preventiva do investigado. O pedido está sob análise do Poder Judiciário.