O programa Boa Conversa, exibido pelo ac24horas nesta sexta-feira, 06, trouxe uma série de análises sobre os bastidores da política acreana. Durante a transmissão, os comentaristas Crica, Astério Moreira e Marcos Venicios discutiram movimentações partidárias, possíveis alianças para as eleições e conflitos internos entre lideranças políticas do estado.
Um dos temas abordados por Crica foi a situação do deputado estadual Afonso Fernandes dentro do partido Solidariedade. Segundo o comentarista, Fernandes não estaria disposto a aceitar o que considera uma traição política após a entrada do deputado federal Eduardo Velloso na sigla, cenário que poderia levar o parlamentar a deixar o partido.
“O Velloso vai para a direção do União Brasil e escuta que ele será o segundo da chapa da Mailza ao Senado, foi traído, aí o Velloso vem para o Solidariedade e conversa com o Afonso dizendo que vem para ajudar e aí o Afonso vai dormir e acorda no outro dia com a notícia de que o Velloso é o novo presidente do Solidariedade”, afirmou Crica.
“A pergunta é: o que o Velloso deseja? Candidato ao Senado ou quer os recursos do fundo partidário? Qual é o problema do Velloso deixar o Afonso como presidente? O problema é que ninguém confia em ninguém. Uma reunião dessa tem que tá todo mundo nu. O Afonso vai levar todo mundo. Foi um golpe que o Velloso deu no Afonso”, pontuou Astério Moreira.
Outro assunto discutido foi a posição do prefeito Tião Bocalom, que afirmou aguardar contato do ex-governador Aécio Neves para filiação ao PSDB, mas destacou que continuará apoiando o senador Marcio Bittar e o governador Gladson Cameli.
“Eu não acredito que eles, o entorno do Bocalom, vão trabalhar para o Marcio Bittar, isso é só de boca. O pior das traições para o próprio Bocalom é do PL porque o PL representa a direita e tudo que o Bocalom acredita que é derrubar ministro do STF, anistiar o Bolsonaro e ele foi tirado justamente do PL. Ele foi ao PSDB e o Aécio diz que terça dará uma resposta e quem diz isso dificilmente será uma resposta positiva, eu creio que o Bocalom será candidato pelo Avante. Ele acha que a Mailza é uma candidata fraca que não passa de 10% e está na cabeça dele, ele é candidato por qualquer partido”, afirmou Crica.
“O Bocalom acredita que vai ganhar a eleição para o Governo, acha que vai para o segundo turno e ele vai precisar do Bittar, do Flávio, porque pra ele politicamente mesmo com a saída do PL, manter o apoio ao Flávio é importante. O que eu vejo é que o Bocalom vê como positivo o apoio ao Flávio e ao Bittar”, afirmou Astério.
“O Gladson é um estrategista político porque ele sabe da importância da candidatura de Bocalom para o processo eleitoral, para eleger a Mailza, porque a disputa vai se dá entre Mailza e Bocalom, a disputa de primeiro turno, é difícil o Alan não está no segundo turno. Então, o Gladson trabalha, conversa com o Bocalom e o Gladson está ajudando o Bocalom a encontrar um partido. Emissários do PP foram à sede do PL para pedir ao Bocalom ser candidato e a Executiva do PL disse que a prioridade é manter o Marcio no Senado”, acrescentou Astério Moreira.
Os comentaristas também repercutiram a declaração de Gladson sobre a possibilidade de antecipar sua renúncia ao governo para o dia 2 de abril, o que marcaria o início de uma nova fase política. Em tom descontraído, o Gladson afirmou que pretende celebrar o momento comendo quibe de arroz no mercado.

“O Gladson tem interesse em fazer o ato e passar a faixa para a Mailza, só que passar a faixa simbólica. Eu garanto a vocês internautas que vocês vão acompanhar tudo aqui pelo ac24horas”, pontuou Marcos Venicios.
O Crica também avaliou a atuação do MDB nas articulações em torno da vaga ao Senado, afirmando que o partido teria cometido um erro estratégico no processo, o que classificou como ter “dançado de tamanco na maionese”.
“Figuras do MDB me disseram que não abrem mão de ter a Jéssica de vice e que o governo ajude o partido a formar chapa de federal. Sem isso, o MDB cessaria as conversas com o Governo. Se a Jéssica for vice lá fecha tudo pra Mailza, todos os atores políticos de Cruzeiro do Sul vão fechar com ela e fica difícil pro Alan”, pontuou Crica.
“O vice tanto da chapa do Alan já tem o convite e eu não estou falando da Ana Paula não, isso foi uma jogada. O vice do Alan já tem o convite, empresário e eu soube que o núcleo duro do governo Gladson e Mailza também já fez um convite”, observou Marcos Venicios.
Ainda durante o programa, Crica comentou sobre a possibilidade de o ex-governador Jorge Viana disputar uma vaga ao Senado. De acordo com ele, Viana negou que haja uma decisão definitiva sobre a candidatura e afirmou que “segue valendo” o que já havia dito anteriormente, indicando que o cenário ainda permanece indefinido.
“O JV disse que vai conversar com o Lula e o Edinho, ele recebeu uma carta de políticos e de empresários que pediram a ele reconsiderar a decisão de não disputar o Senado. A gosto dele, ele não seria candidato, agora se o Lula pedir ele será candidato”, afirmou Crica.
“O povo não é ingrato ao JV, ele tá nas cabeças das pesquisas, ele mesmo diz que é muito grato ao povo do Acre. O Jorge diz que tudo que ele tem, foi o povo do Acre que deu e é uma corrente na política que o povo tá muito conservador”, pontuou Astério Moreira.
Já Astério Moreira analisou a relação política entre a vice-governadora Mailza Assis e o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom. Para ele, os dois demonstram uma espécie de “simbiose política” neste momento inicial das movimentações eleitorais.
Outro ponto destacado por Astério foi o relacionamento entre Bocalom e o senador Sérgio Petecão. Segundo o comentarista, a relação entre os dois líderes passa por impasses e perspectivas, marcada por um cenário que mistura mágoas políticas e a possibilidade de reconciliação.
“O Petecão me disse tu tá doido, Crica [sobre a possibilidade do Bocalom entrar no PSD]. A chapa de candidatos estaduais do PSD falou para o Petecão que se o Bocalom entrar, eles saem”, afirmou Crica.
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