Foto: Andréia Oliveira
A Academia Acreana de Letras (AAL) inicia um novo ciclo em sua trajetória cultural com a posse do professor, pesquisador e escritor José Dourado de Souza na presidência da instituição para o triênio 2026–2028. A transmissão de cargos da nova diretoria ocorreu na manhã desta sexta-feira, 6, em solenidade realizada no Plenário do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC), reunindo acadêmicos, autoridades e representantes de instituições públicas e culturais do estado.
A cerimônia marcou a sucessão do cineasta e acadêmico Adalberto Queiroz de Melo, que esteve à frente da Academia na gestão anterior. Durante o ato solene, foi realizada a tradicional troca da pelerine acadêmica, símbolo da passagem da presidência e da continuidade institucional da entidade.
Com 88 anos de história, a Academia Acreana de Letras é uma das mais importantes instituições culturais do estado, responsável por preservar a memória literária e estimular o pensamento intelectual e artístico no Acre.
Fundada em 17 de novembro de 1937, no Salão Nobre do então Palácio do Governo do Acre, a Academia Acreana de Letras nasceu da iniciativa de um grupo de intelectuais que buscava fortalecer a produção literária e registrar a história cultural do estado.
Inspirada no modelo da Academia Brasileira de Letras e de outras academias literárias, a instituição reuniu desde sua origem escritores, jornalistas, juristas e pensadores comprometidos com o desenvolvimento intelectual do Acre.
Entre os nomes que lideraram a criação da Academia estão Amanajós de Alcântara Vilhena de Araújo, José Barreiros e Paulo de Menezes Bentes, além de outros intelectuais que compuseram o grupo fundador.
Ao longo de mais de oito décadas de existência, a Academia consolidou-se como espaço de valorização da cultura, da literatura e da memória histórica acreana, reunindo personalidades de destaque cultural e intelectual.
A nova diretoria foi eleita sob a proposta “Todos pela cultura: letras que unem, memórias que permanecem”, que busca ampliar a atuação cultural da instituição e fortalecer sua presença na sociedade acreana.
Segundo o professor doutor Manoel Coracy Saboia Dias, integrante da nova gestão, a proposta da chapa tem como fundamento uma visão humanista e inclusiva.
“Acreditamos na capacidade de cada indivíduo agir em prol do bem-estar geral e na busca constante por melhores condições de vida, sobretudo para os menos favorecidos”, afirmou.
Ao assumir a presidência, José Dourado de Souza relembrou sua trajetória pessoal e acadêmica, marcada pela infância nos seringais do rio Envira, em Feijó, e pela convivência com os saberes tradicionais da floresta.
Ele destacou que sua caminhada acadêmica, que começou com trabalhos simples na antiga Universidade do Acre e culminou com o doutorado pela Universidade Federal de Minas Gerais, reforça sua convicção sobre o papel transformador da educação e da cultura.
Segundo o novo presidente, a Academia deve ampliar sua atuação social e contribuir para a formação cultural das novas gerações.
“A Academia não deve ser apenas um espaço de deleite intelectual, mas também de responsabilidade social. Nosso compromisso é levar saberes e reflexões às escolas, às entidades de trabalhadores e às instituições públicas”, afirmou.
Entre as metas da nova gestão estão a valorização da memória dos acadêmicos, a promoção de pesquisas sobre a história acreana, a realização de eventos literários e o fortalecimento da presença cultural da instituição junto à sociedade.
A nova diretoria pretende implementar um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento institucional e ao estímulo à leitura e à escrita.
Entre as iniciativas previstas estão encontros mensais para debates culturais, além da participação ativa em eventos literários, como a Bienal do Livro.
Um dos projetos centrais da gestão será a realização da 1ª Feira do Livro do Acre (FLIAC), iniciativa que pretende criar uma plataforma de valorização para escritores e editoras locais.
A proposta busca consolidar a Academia Acreana de Letras como um espaço de diversidade de pensamento, produção cultural e autonomia intelectual, fortalecendo sua presença na vida cultural do estado.
Ao assumir a primeira vice-presidência, a professora Edir Figueira Marques de Oliveira destacou a importância da participação feminina na trajetória da instituição.
Em sua fala, ressaltou também o valor da contribuição das pessoas com mais de sessenta anos para a construção do conhecimento coletivo.
Segundo ela, a experiência acumulada ao longo da vida representa uma riqueza que deve dialogar com as novas gerações, fortalecendo a transmissão de saberes e a continuidade da cultura.
Durante a solenidade, a presidente do Tribunal de Contas do Estado do Acre, conselheira Dulce Benício, destacou a importância da Academia Acreana de Letras para o fortalecimento cultural da sociedade.
Em sua fala, ressaltou que a palavra assume diferentes dimensões na vida pública.
“A palavra, que no Tribunal de Contas é instrumento de decisão e justiça, na Academia se torna consciência e transformação social”, afirmou.
A presidente também registrou o trabalho desenvolvido pela gestão que se encerra e lembrou a parceria entre o Tribunal de Contas e a Academia em diversas iniciativas culturais.
Ao projetar o novo biênio, Dulce Benício ressaltou o papel da instituição na preservação da memória histórica e na defesa dos valores culturais do Acre.
“Ainda enfrentamos grandes desafios na garantia de uma educação básica de qualidade, e a reflexão qualificada da Academia é essencial nesse processo”, observou.
Ela concluiu desejando que a nova gestão seja marcada por realizações, inspiração e contribuição efetiva para a sociedade acreana.
A realização da cerimônia simboliza o diálogo entre instituições públicas e entidades culturais, reforçando o compromisso com a valorização da cultura, da memória e da educação no Acre.
Fundação: 17 de novembro de 1937
Sede: Museu dos Povos Acreanos – Rio Branco (AC)
A Academia Acreana de Letras (AAL) é uma organização da sociedade civil de caráter cultural e educacional dedicada à promoção da língua portuguesa, da literatura e da memória intelectual do Acre.
Criada por escritores, jornalistas, juristas e intelectuais que atuavam no estado, a Academia foi inspirada no modelo das academias literárias brasileiras e europeias, especialmente a Academia Brasileira de Letras.
Reconhecida como entidade de utilidade pública desde 1967 e filiada à Federação das Academias de Letras do Brasil, a AAL reúne escritores e personalidades que contribuem para a valorização da cultura e da produção intelectual acreana.
Entre seus principais objetivos estão:
Com mais de oito décadas de existência, a Academia Acreana de Letras consolidou-se como um dos principais espaços de valorização da cultura, da história e da literatura do Acre.
Diretoria Executiva
• Presidente: José Dourado de Souza
• 1ª Vice-presidente: Edir Figueira Marques de Oliveira
• 2º Vice-presidente: Manoel Coracy Saboia Dias
• 1ª Secretária: Geórgia Pereira Lima
• 2ª Secretária: Maria de Fátima Mendes Cordeiro Silva
• 1º Tesoureiro: Rubicleis Gomes da Silva
• 2ª Tesoureira: Nilda Dantas Pires
Conselho Fiscal
Titulares:
Suplentes:
Diretores de Departamentos