Narciso em 30 Linhas

Zé Mané

Por
Narciso Mendes

A nossa polarização política já atingiu níveis bastante perigosos, e caso continue, pior será.

Se a nossa próxima disputa presidencial, em 2º turno, viesse acorrer entre Lula e Zé Mané, o tal Zé Mané obteria no mínimo 40% dos votos dos nossos eleitores, e se a disputa viesse ocorrer entre Jair Bolsonaro e um tal Zé Mané, o mesmo também obteria o mesmo percentual de votos.

E por que isto aconteceria? Porque a nossa radicalização política nos empurrou para o que poderia existir de pior, para os extremos, e em assim sendo, vota-se num candidato, não apenas na intenção de elegê-lo, e sim, para desprestigiar o seu adversário.

Como a nossa próxima disputa presidencial dar-se-á entre Lula e Flávio Bolsonaro, e isto já está escrito nas estrelas, isto em razão da inelegibilidade do próprio Jair Bolsonaro, independentemente dos resultados que as pesquisas estão anunciando e dos conchavos políticos/eleitorais que possam surgir, nenhuma outra candidatura obterá 10% dos votos, posto que, não haverá espaço para candidaturas, a exemplo da candidatura Renan dos Santos, do partido Missão, e nem da candidatura Aldo Rabelo do DC-Democracia Cristã.

Por exemplo: o trio de candidatos do partido de Gilberto Kassab, o PSD, a despeito de suas exitosas gestões enquanto governadores de três importantíssimo Estados da nossa federação, reporto-me ao Ratinho Junior do Paraná, Eduardo Leite do Rio Grande do Sul e Ronaldo Caiado de Goiás, ainda que cumpram o acordo de apoiar um deles, o escolhido, em 1º turno, sequer obterá o percentual de 10%. 

O mesmo acontecerá com o governador Romeu Zema das Minas Gerais caso insista na sua candidatura presidencial, posto que, o dito cujo também não carrega o sobrenome Bolsonaro. Haja vista o que aconteceu com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, entre todos o que detinha maior musculatura eleitoral para enfrentar a candidatura Lula.

Enquanto os presidenciáveis antilulistas empunhavam a bandeira do bolsonarismo, o próprio Jair Bolsonaro, não apenas no presente, mas desde que adentrou na atividade política, um familiocrata convicto, cogitava indicar a sua esposa Michele e/ou um dos seus dois filhos, Eduardo ou Flávio, para representá-lo como candidato a presidente nas próximas eleições. Se estivesse elegível seu candidato preferido seria o Eduardo.

Restado apenas, em 2º turno, as candidaturas Luís Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro os ex-candidatos antilulistas ver-se-ão diante da triste e lamentável situação: cruzar seus braços, apoiar a candidatura Flávio Bolsonaro que os havia derrotado ou o impensável, apoiar a candidato Lula.

Resumo da ópera: um país que tem a legislação eleitoral que temos frouxa e anárquica, até mesmo as escolhas de seus representantes políticos se dão assim: não se vota em bons candidatos, e sim, nos menos maus.  

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Narciso Mendes