Se um candidato insistir em comprar o seu voto receba o que lhes for ofertado e passe-lhes um oportuno calote.   

O voto não é uma mercadoria que se possa vender e tampouco que se devesse comprar, é sim, o que denominamos chamar de soberania popular, até porque, nas sociedades minimamente politizadas o mercado eleitoral praticamente não existe.

Embora estejamos a tratar de uma prática inquestionavelmente criminosa nas nossas eleições, os compradores de votos já estão prontos e preparados para enfrentar o nosso já viciado mercado eleitoral. Sendo assim, o que a nossa Justiça Eleitoral precisa fazer para detê-los e se necessário puni-los, ainda no curso das próprias campanhas eleitorais. .        Como uma parcela considerável dos nossos eleitores chega às vésperas das nossas eleições alimentando a esperança que irá receber algumas vantagens, como se diz na gíria, se junta a fome com a vontade de comer, e o nosso mercado eleitoral continua sendo realimentando.

Quando um candidato, pessoalmente, ou através dos seus cabos-eleitorais entra em ação e buscando comprar votos, em princípio, criminosos já os são, mas os eleitores só se tornam cúmplices do mesmo crime caso quando recebe o que lhes forem ofertados e os recompensem com os seus votos.

Não será buscando realçar a importância do voto que os nossos eleitores, sobretudo, os mais vulneráveis, que a nossa Justiça Eleitoral, efetivamente, irá combater o nosso já bastante viciado mercado eleitoral.

Para que isto aconteça, e com sucesso, os eleitores alvos dos compradores de votos precisam saber que eles só se tornam cúmplices deste crime se os retribuírem. Caso contrário, criminosos não os são.

A nossa Justiça Eleitoral melhor faria se chamasse a atenção e passasse a orientar os nossos eleitores a praticar o que poderia ser chamado de Calote Cívico, ou seja, a não votarem nos candidatos que pretendam fazer dos seus votos uma mercadoria.

Lamentavelmente, o povo, enquanto soberano, só assim efetivamente se tornará quando conscientemente os nossos eleitores passarem a votar em candidatos que lhes inspirem o mínimo de confiança e credibilidade, condicionantes que não existe nos candidatos que se elegerem comprando votos. Para estes, vale a regra: pagou levou.

O candidato que comprou a uma parcela dos votos de seus eleitores, a eles, não deve a menor atenção, e se eleito, a exemplo do que vem acontecendo no nosso país, passam a agir em causa própria e preparando-se para o próximo embate eleitoral.

Neste particular, as emendas parlamentares aos nossos orçamentos públicos vieram contribuir, e muito, com o nosso mercado eleitoral.