O deputado estadual Afonso Fernandes (Solidariedade) falou na manhã desta quarta-feira, 04, sobre diversos temas que vão desde o projeto de lei que pretende moralizar as homenagens públicas no Acre até o fortalecimento do partido para as eleições de 2026 e a unificação de forças políticas da região Norte à frente do Parlamento Amazônico. As declarações foram dadas em entrevista ao jornalista Marcos Venícios, no programa Boa Conversa – Edição Aleac, transmitido ao vivo do Salão Nobre da Assembleia Legislativa.
Logo no início da conversa, o parlamentar destacou o projeto de lei protocolado recentemente que veda a denominação de bens públicos estaduais com nomes de pessoas condenadas por crimes graves com decisão judicial transitada em julgado. Segundo ele, a proposta busca impedir homenagens a condenados por crimes contra a vida, crimes sexuais ou violência doméstica.
“Na realidade, o intuito dele é realmente vedar, no âmbito do Estado, que pessoas que têm condenação criminal transitada em julgada tenham seus nomes em ruas, escolas, prédios públicos, de forma de homenagem. Então, eu tento, com esse PL, evitar esse tipo de homenagem”, afirmou.
Afonso reforçou que o Estado possui inúmeras personalidades que contribuíram de forma positiva para o desenvolvimento do Acre e que merecem reconhecimento. “Nós temos tantas pessoas que já colaboraram com esse Estado, que já se foram, que precisam ser homenageadas, que é incabível que você tenha esse tipo de homenagem com pessoas que cometam esse tipo de crime”, declarou.
Durante a entrevista, o deputado também comentou outro projeto de sua autoria que propõe homenagear o pecuarista Betão, dando seu nome à AC-90, conhecida como Estrada Transacreana. Ele ressaltou que a proposta não altera a identidade popular da via, mas acrescenta uma homenagem formal.
“Quando eu fiz a proposta, justamente pensando em homenagear uma pessoa que todos os acreanos praticamente conhecem, que foi um empreendedor nato, que ajudou no desenvolvimento desse Estado, e que principalmente na Transacreana ele escolheu para morar e também fazer investimentos lá”, explicou.
Afonso destacou que Betão foi responsável por importantes empreendimentos, como o espaço de lazer Piracema, além de ter sido o primeiro a montar um frigorífico no Acre, gerando centenas de empregos. Ele reconheceu que recebeu críticas de moradores contrários à mudança, mas ponderou. “As pessoas que convivem na Transacreana não vão deixar de chamar de Transacreana. Eu acho que é uma homenagem mais do que justa”, observou.
Ao falar sobre sua posse como presidente do Parlamento Amazônico, o deputado defendeu a união dos parlamentares da Amazônia Legal como estratégia para fortalecer a região em Brasília. “Nós somos 252 deputados estaduais, 99 deputados federais e temos nos nove estados da Amazônia Legal 27 senadores, ou seja, um terço do Senado. Se a gente conseguir unificar isso, fica mais fácil a resolução dos problemas”, afirmou.
O parlamentar adiantou que já inicia a agenda institucional no novo cargo com reuniões marcadas em Manaus, no dia 9 de abril, e participação no Fórum de Governadores, em São Luís do Maranhão, nos dias 16 e 17 de abril. Segundo ele, a missão será levar pautas prioritárias comuns aos estados amazônicos. “Eu acho que é com essa interação que a gente consegue construir uma unidade, apresentar os problemas e ver quais são os prioritários e buscar a resolução deles”, declarou.
No campo partidário, Afonso confirmou que permanece no Solidariedade e que trabalha para ampliar a presença da sigla nas próximas eleições. “Este ano o Solidariedade, a exemplo de 2024, onde nós trabalhamos em 10 municípios, elegemos 11 vereadores, inclusive um na capital, nós vamos montar duas chapas, uma para estadual, onde nós vamos sair só do mandato do Afonso para dois ou três, e o propósito maior é eleger um deputado federal.Eu sei que a tarefa não é fácil, eu vivo na política, mas com estratégia, com boas pessoas, nós vamos conseguir”, declarou.
Sobre a janela partidária, o deputado sinalizou possíveis movimentações na legenda. “Este realmente é o mês das janelas, então muita coisa pode acontecer, e o Solidariedade está de portas abertas para aqueles que queiram vir somar forças. É preciso que a gente não seja apenas um trampolim para a eleição [para receber deputados com mandatos]”, pontuou.
Afonso também ressaltou o crescimento da legenda no estado. “Nós saímos de 2 mil filiados para mais de 5 mil filiados. Hoje, dos 22 municípios, nós já estamos em 19, vamos chegar aos 22”, destacou.
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