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Morte de Khamenei e falta de respostas deixam dúvidas sobre futuro do Irã

Por
Metropoles

A operação militar que resultou na morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, provocou uma escalada nas tensões no Oriente Médio e lançou dúvidas sobre o futuro do país, que, agora, precisa trabalhar na sucessão em meio a um período de forte instabilidade. A morte do principal líder político e religioso do regime foi anunciada nesse sábado (28/2) pela mídia estatal.

A agência de notícias Fars informou que Khamenei “foi martirizado” pela manhã enquanto trabalhava em seu escritório localizado na capital Teerã. Horas antes do anúncio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já havia confirmado a informação. Nas redes sociais, o chefe da Casa Branca chamou a liderança de “uma das pessoas mais perversas da história” e convocou a população iraniana para “recuperar” o país.

Na prática, o ataque promovido pelos exércitos norte-americano e israelense busca forçar uma mudança de regime. Na avaliação do professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), João Alfredo Lopes Nyegray, a possibilidade de isso ocorrer é mínima.

Atualmente, o principal cotado para a sucessão é Mojtaba Khamenei, de 56 anos, segundo filho mais velho de Ali Khamenei. Político e clérigo, Mojtaba é visto como uma figura influente dentro da Guarda Revolucionária Islâmica. Segundo o professor, a chegada dele representaria uma continuidade ideológica do regime.

“Se isso acontece, toda a Guarda Revolucionária vai apoiar o filho do Khamenei e a gente vai ter uma continuidade ideológica. Uma coisa é cair o governante, outra coisa é cair o governo. E eu nunca vi bomba e bombardeio mudar regime”, pontua o especialista.
O professor avalia ainda que é pouco provável que uma eventual mobilização da população iraniana influencie no processo de sucessão. Segundo ele, o regime iraniano foi construído para dificultar tentativas de deposição.

Antes do ataque, fontes da inteligência dos EUA avaliaram que o vácuo de liderança em uma eventual operação de deposição de Khamenei seria preenchido pela Guarda Revolucionária Islâmica, de acordo com a CNN.

Outro elemento que traz incerteza para o cenário é a falta de clareza sobre as lideranças do regime que foram neutralizadas ou ainda permanecem vivas. De acordo com a agência Al Jazeera, a filha, o genro e o neto de Khamenei também morreram no ataque, mas os nomes das supostas vítimas não foram revelados.

Conselho de transição formado

Enquanto isso, assumem temporariamente o comando do país o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei, e um dos juristas do Conselho dos Guardiões.

O Artigo 111 da Constituição iraniana afirma que, quando um líder supremo morre, cria-se um conselho de transição até que um novo seja eleito por um painel de líderes religiosos.

O conselho funcionará até que um painel de 88 membros, denominado Assembleia de Peritos, escolha um novo líder supremo.

Novas ofensivas de ambos os lados são esperadas para os próximos dias.

Escalada

  • Os ataques desse sábado ao Irã deixaram ao menos 200 pessoas mortas e mais de 700 feridas, de acordo com a mídia estatal.
  • Entre os mortos, além do líder supremo, estão o ministro da Defesa do Irã, Amir Nasirzadeh, e o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammed Pakpour.
  • A Guarda Revolucionária Islâmica classificou a ação dos EUA e de Israel como “terrorista e criminosa” e prometeu “uma punição severa e decisiva”.
  • Em retaliação, o Irã afirmou ter atingido 14 bases militares dos EUA na região, incluindo nos Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait e Arábia Saudita. Jordânia e Iraque também foram mencionados entre os países afetados.
  • O país também lançou mísseis contra Israel. Na capital Tel Aviv, uma pessoa morreu e mais de 20 ficaram feridas.

Segundo ataque dos EUA ao Irã em menos de um ano

O último ataque registrado dos EUA e de Israel contra o Irã havia ocorrido em junho do ano passado. A nova ofensiva ocorre após o fim das negociações entre EUA e Irã na sexta-feira (27/2), quando não houve avanço para o desmantelamento do programa nuclear iraniano.

Na ocasião, Trump afirmou que “não estava feliz” com o progresso das conversas, que teriam nova rodada na semana seguinte — agora, não há indicativos de retomada do diálogo.

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