Enquanto os nossos políticos cuidam de suas oratórias os nossos eleitores descuidam-se de suas “escutatórias”.
Nos períodos pré-eleitorais os nossos candidatos já trazem pronto, na ponta da língua, as soluções para resolver todo e qualquer problema, e no quesito honestidade, todos se dizem absolutamente dignos e honrados, e são nos palanques de seus adversários se encontram os ladrões.
Lamentavelmente, e os últimos anos, até mesmo as instituições STF-Supremo Tribunal Federa Federal, o TCU-Tribunal de Contas da União e suas congêneres nos Estado e municípios, tornaram-se alvos das mais gravíssimas acuações. Daí a pergunta: “quem vai vigiar os nossos vigias?”.
A rapinagem que levou o Banco Master à falência exige que o trapaceiro Daniel Vorcaro seja exemplarmente punido, do contrário, até mesmo a desconfiança com o nosso próprio sistema bancário será inevitável, afinal de contas, nada menos que R$-50 bilhões, pelo que se sabe até agora, já escoaram pelos canos da nossa corrupção.
Para que tenhamos a devida grandeza do referido escândalo, o do INSS, se devidamente comparado virou fichinha, como se diz na gíria. E o mais grave: gente do alto escalão do lulismo e do bolsonarismo, até o gogó, estão atolados na roubalheira.
Como estamos tratando de um caso em que as provas abundam nada justifica que continuemos assistindo a um verdadeiro jogo de empurra e sempre baseado na máxima: quando a culpa é minha transfiro aos outros.
Daniel Vorcaro, o bandido da vez, não poderá ser poupado, mas como o mesmo, em suas festanças, e de forma planejada, contava com as presenças dos figurões do lulismo e o bolsonarismo, o seu julgamento deveria passar a distância do nosso radicalismo político e jamais se prestar para alimentá-lo e intensificá-lo.
Daniel Varcaro se prestará como exemplo, pronto e acabado, não apenas para as nossas autoridades políticas, sobretudo para àquelas que arbitram e julgam, no caso, os integrantes do nosso poder judiciário, se mantenham distanciados das personalidades que, de uma hora para outra, ganham notoriedade.
Num país em que um delinquente que rouba um telefone celular pode acabar na cadeia, quem rouba bilhões de reais não pode continuar vivendo, apenas incomodado com uma tornozeleira eletrônica e esperando que sua portentosa banca de advogados o liberte completamente.
Quando me reportei ao furto de telefones celulares não tive o menor interesse de defender seus ladrõezinhos, sim e tão somente, para chamar atenção do que o Padre Antônio Vieira e o escritor brasileiro, Fernando Sabino, em sua obra, O Bom Ladrão, melhor esclareceu.
São dos maus ladrões que, em primeira mão, precisamos nos livrar.