O secretário de Governo do Acre, Luiz Calixto, afirmou nesta terça-feira, 24, em entrevista ao programa Boa Conversa – Edição Aleac, que os protestos relacionados ao Hospital de Feijó têm motivação política e que os atrasos na obra não são de responsabilidade direta do Estado, mas sim de entraves burocráticos ligados à Caixa Econômica Federal. No último final de semana, os atrasos em relação à obra levaram moradores a interditarem a BR-364 por dois dias seguidos.
Questionado sobre a situação após manifestações na BR-364 e sobre a existência de eventual acordo entre o governo e os manifestantes, Calixto foi direto. “Primeiro, eu quero te dizer que por trás de todo o protesto, há sim um viés político. Há sim uma exploração política, principalmente no ano eleitoral. Então, isso é inegável”, pontuou.
Segundo ele, há indícios de articulação política no movimento. “As evidências são muitas de quem financiou tendas, de quem pagou marmitex, de quem mobilizou servidores municipais para atiçar o movimento”, declarou.
Do ponto de vista técnico, o secretário afirmou que a Secretaria de Obras tem atuado com “extremo rigor” na condução do projeto. Ele explicou que as obras do Hospital de Feijó são financiadas com recursos de um convênio firmado em 2013, cuja execução só foi viabilizada nos últimos três anos.
“Não é um recurso gerido pelo Estado do Acre, é um recurso gerido pela Caixa Econômica. Então, nós dependemos exclusivamente do processo burocrático da Caixa”, afirmou.
O secretário informou que o titular da pasta de Obras, Ítalo Lopes, está tratando diretamente com a Caixa para garantir a conclusão da primeira etapa da unidade. “A Secretaria de Saúde provavelmente vai fazer a mudança do hospital provisório para o hospital definitivo já no mês de abril”, disse.
Ele acrescentou que a segunda etapa será executada com recursos próprios do Estado para evitar novos atrasos. “Porque o atraso não está na responsabilidade do governo. O atraso está na responsabilidade da Caixa Econômica. Nós não temos gerência sobre isso”, afirmou.
Calixto destacou ainda que fatores logísticos também impactaram o cronograma. “Nós dependemos muitas vezes da entrega de materiais específicos que não têm no mercado local. Nós estamos numa região distante. Por exemplo, os dutos que o secretário de Obras, há mais de três meses, pediu, a empresa fornecedora, de fora do Estado, conseguiu entregar na semana passada. Então são coisas que fogem ao nosso controle”, explicou.
Ao comentar a repercussão do caso, o secretário reconheceu a responsabilidade institucional, mas criticou o que chamou de uso eleitoral do tema: “Você acha que o governo tem interesse nessa situação? Claro que não. Nós assumimos a responsabilidade, assumimos a culpa e muita gente também aproveita o momento para fazer o seu proselitismo político, para tirar o seu dividendo eleitoral”, observou.
Calixto também apontou uma situação específica no município, que possui uma das maiores populações indígenas do estado, mas não conta com atendimento adequado à saúde indígena. “Mais de 70% dos atendimentos que são feitos no hospital de Feijó deveriam ser resolvidos ou no DSEI, no atendimento da população indígena, que é uma responsabilidade federal, ou na Atenção Básica, que é uma atribuição da Prefeitura”, declarou.
Apesar das críticas, o secretário afirmou que o governo busca uma solução conjunta. “Nós não queremos distribuir culpas. Nós queremos resolver o problema. Agora queremos resolvê-lo com seriedade, com transparência e sem uso político dessa situação”, concluiu.


















