O deputado estadual Adailton Cruz (PSB) afirmou nesta terça-feira, 24, durante entrevista ao programa Boa Conversa – Edição Aleac, que a suspensão do edital de chamamento relacionado à terceirização de serviços no Hospital de Brasileia foi resultado da mobilização de trabalhadores e entidades da saúde. Segundo ele, o governo só recuou após forte pressão pública.
Ao ser questionado se era necessária toda a mobilização na Assembleia Legislativa e nas ruas, já que o documento de suspensão estava assinado desde o dia 19 pelo secretário de Saúde, Pedro Pascoal, o parlamentar defendeu a reunião. “Vê-se claramente que o objetivo não era suspender o processo, se realmente fosse já teriam comunicado e todo esse desgaste não teria ocorrido. Mas quero aqui, apesar dos pesares, reconhecer a atitude do governo, da gestão, em usar o bom senso e suspender administrativamente, de forma definitiva, esse processo”, afirmou.
Adailton sustentou que o edital ia além da recomendação do Ministério Público. “O Ministério Público o que quer que o governo faça é oferecer as especialidades lá para o Alto Acre, que é justo e que nós defendemos, e não entregar um hospital de porteira fechada e mais R$ 80 milhões para uma empresa privada lucrar, explorar e resultar no que ocorre Brasil afora, que é escândalo, corrupção, blackout de serviço público”, declarou.
Ele parabenizou os trabalhadores, sindicatos e o Conselho Estadual de Saúde pela mobilização. “Hoje a gente sai daqui feliz, porque o objetivo foi alcançado. Agora é centrar esforço para achar a alternativa de ofertar essas especialidades”, disse.
Questionado sobre como resolver a demanda por médicos especialistas no interior, diante de críticas sobre valores pagos por plantões, que, segundo sindicatos, seriam de R$ 500, enquanto o mercado paga cerca de R$ 1.800, o deputado defendeu a valorização da carreira pública.
“O que eu defendo e a gente quer, de fato, é um plano de carreiras que dê um salário digno para todos, inclusive os especialistas e os demais servidores. Esse é o caminho certo e o que a gente defende. Agora, é claro, se o Estado não tem um orçamento hoje suficiente, então vamos repensar de forma escalonada a especialidade”, ressaltou.
“Eu sou radicalmente e ideologicamente contra a terceirização, mas se o serviço não existe e não vai impactar na realidade da população e muito menos impactar na carreira do servidor, vamos trabalhar e ver uma saída”, acrescentou.
Para o parlamentar, não se pode usar a necessidade de especialistas como justificativa para transferir toda a gestão à iniciativa privada. “Não pode aproveitar a oportunidade de se ter a exigência do especialista e usar isso como argumento para terceirizar, para entregar um hospital de porteira fechada, com todos os servidores, com todos os equipamentos, com toda a estrutura física e setenta e poucos milhões, tirando do Estado a sua responsabilidade de gestão e controle. Então, não tem o que se discutir: terceirização não. Vamos focar nas especialidades e ponto final”, concluiu.
















