A nossa anarquia partidária precisa ter fim, do contrário, a nossa democracia só irá se fragilizar.
Dois dos nossos ex-presidentes foram eleitos filiados a dois partidos políticos quando faltava apenas seis meses para as suas eleições, no caso, Fernando Collor e Jair Bolsonaro, filados ao PRN e PSL, ambos partidos já sepultados e nos mesmos cemitérios para onde seus cadáveres são levados e o mais grave, seus coveiros continuam à postos para o sepultamento do PSDB, justamente o partido que parecia ter vindo para ficar.
Enquanto uns morrem outros nascem, a exemplo do partido Missão, recém criado e com menos de um ano vida já dispõe de um candidato que disputará a presidência da nossa República. Seu nome: Renan Santos, que de santo não tem absolutamente nada.
A despeito de sua larga experiência política e administrativa, com seis mandatos de deputado federal, presidente da Câmara dos Deputados e quatro vezes ministro de Estado, nos governos Lula e Dilma Roussef, sempre filiado ao PC do B, recentemente Aldo Rabelo filiou-se ao partido Democracia Cristã e de repente se diz candidato a Presidente da República. Arrependimento tardio ou o quê?
Isto só aconteceu, seja em relação às eleições de Fernando Collor e Jair Bolsonaro em razão da nossa anárquica legislação partidária/eleitoral e do pouco ou nenhum apreço aos nossos partidos políticos.
Parece incrível, mas é verdade. Romeu Zema foi eleito e reeleito governador do Estado das Minas Gerais filiado ao Partido Novo, contudo, dos 53 deputados federais do seu Estado, nenhum deles conseguiu se eleger nas eleições de 2022.
O que mais precisaria ser dito para expressar o quanto a nossa democracia, feito a cantiga da perua, caminha de pior a pior. Nas democracias minimamente respeitáveis, os partidos políticos também os são. Cá entre nós, o troca-troca de partidos já se tornou algo comum, e isto porque, até uma excrescência apelidada de janela partidária, já chegou a ser legalizada e isto para satisfação dos nômades partidários.
Voltando ao ainda governador, Romeu Zema, segundo o próprio, pré-candidato a presidente da República nas eleições deste ano, porém mantendo-se filiado no seu atual partido. Com assim, se dos nossos 513 deputados federas e 81 senadores, na melhor das hipóteses o seu partido, o Novo, não conseguirá eleger uma dezena de congressistas.
Se eleito, o que parece improvável, para exercer a presidência da nossa República, para o Centrão, seria uma maravilha, afinal de contas, só lhes restaria negociar, ou mais precisamente, aderir às negociatas, e a preço que iria cobrar seria elevadíssimo, mais ainda que os nossos ex-presidentes, que muito a contragosto, tiveram que pagar o preço: ou dá ou desce.