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Especialista detalha como depressão, dor e insônia se interligam em quadros crônicos

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Foto: Iago Nascimento/ac24horas

O programa Médico 24 Horas, exibido nesta segunda-feira (23) pelo ac24horas, recebeu o anestesiologista e especialista em dor Alex Callado para aprofundar a discussão sobre dor crônica. A entrevista foi conduzida pelo médico e apresentador Fabrício Lemos e teve como foco principal os avanços no diagnóstico e tratamento da condição.

No início do programa, Callado reforçou a importância de compreender a dor como um mecanismo de alerta do organismo. “A dor é um sistema de alarme”, afirmou, explicando que ela funciona como um aviso de que algo precisa ser investigado. No entanto, alertou que quando este alarme se prolonga por meses, deixa de ser apenas um sintoma.

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Segundo ele, a complexidade de cada quadro persistente, por vezes exige uma abordagem ampla. “Não existe solução fácil para problema complexo”, disse, ao explicar por que a dor crônica não pode ser tratada apenas com medicamentos. De acordo com o médico, o tratamento precisa considerar fatores como sono, alimentação, humor e o contexto de vida do paciente. “Os tratamentos hoje estão cada vez mais complexos, completos, abordando o indivíduo de uma forma integralizada”, pontuou.

Foto: Iago Nascimento/ac24horas

Callado também chamou atenção para situações em que exames de imagem não identificam alterações estruturais, mesmo diante de dor intensa. “O paciente chega com a ressonância magnética normal e fazendo a seguinte pergunta: ‘Doutor, minha ressonância está normal, por que eu tenho essa dor?’”, relatou. Nesses casos, segundo ele, o problema pode estar na forma como o sistema nervoso processa o estímulo doloroso. “Mesmo a gente tratando às vezes, aquela região já não tem mais nenhuma alteração, ficou uma via neural estabelecida e o cérebro aprendeu a sentir dor”, explicou.

A relação entre dor e sono também foi destacada na entrevista. Questionado se a dor causa insônia ou se a insônia agrava a dor, Callado foi direto: “As duas coisas”. Ele explicou que pacientes com distúrbio do sono têm maior risco de desenvolver dor crônica e que a falta de descanso adequado reduz a resposta ao tratamento. “Se ele não tiver todo esse entorno que eu sempre friso de sono, alimentação, controle do estresse, o paciente não tem uma melhora considerável”, afirmou.

Sobre a ligação entre dor e depressão, o médico ressaltou que os dois quadros caminham juntos. “Elas andam de mãos dadas”, disse. Ele explicou que a dor crônica é influenciada por alterações em neurotransmissores como serotonina, noradrenalina e dopamina, os mesmos envolvidos nos quadros depressivos. “As medicações utilizadas para depressão são muitas vezes as mesmas medicações que nós usamos para a dor crônica”, destacou.

Callado alertou ainda para dados preocupantes envolvendo pacientes com dor persistente. “Saiu um estudo recentemente que a dor crônica aumenta o risco de morte”, afirmou, relacionando o dado a fatores como sedentarismo, isolamento social e agravamento de transtornos mentais.

Foto: Iago Nascimento/ac24horas

Durante a entrevista, o especialista classificou a dor em três tipos principais. “Existem, basicamente, três tipos de dor: a dor nociceptiva, a dor neuropática e a dor nociplástica”, explicou. A dor nociceptiva é aquela associada a lesões estruturais identificáveis. Já a neuropática é resultado de lesão no próprio nervo. “É uma dor tipo queimação ou tipo choque no trajeto do nervo”, descreveu. A dor nociplástica, por sua vez, está relacionada a alterações no processamento da dor pelo sistema nervoso central e é característica da fibromialgia.

Sobre a fibromialgia, Callado ressaltou a importância de avaliação detalhada e multidisciplinar. “É muito importante uma consulta demorada, onde você aborda todos os hábitos de vida, todo o histórico, desde a infância”, afirmou. Ele destacou que muitos pacientes passam por diferentes especialidades sem melhora significativa, o que gera descrédito. “Quando ele chega muitas vezes com a gente, ele chega ali desestimulado, desacreditado”, relatou.

Entre as abordagens terapêuticas citadas está o bloqueio simpático venoso. “É uma infusão de algumas medicações que atuam em áreas específicas do cérebro relacionadas à dor”, explicou. Segundo ele, o procedimento promove a dessensibilização progressiva do sistema nervoso. Além disso, mencionou o uso de neuromodulação, ajuste medicamentoso individualizado e canabidiol como alternativa terapêutica.

Veja a entrevista completa e saiba mais:

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