STF acabou exposto pelo vazamento de trechos do que teria sido debatido durante reunião fechada Imagem: Gustavo Moreno/STF
A crise de imagem que dragou o Supremo Tribunal Federal (STF) nas últimas duas semanas inseriu um novo ingrediente no panorama da eleição deste ano e tende a inflar o discurso da oposição, seja no campo da disputa presidencial, seja em relação aos estados.
A avaliação é de publicitários e marqueteiros que estão em campo levantando dados para as mais diversas candidaturas Brasil afora e foram ouvidos pela coluna.
A investigação do banco Master arrastou inicialmente dois nomes da corte para o debate público sobre a conduta de ministros: Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
O primeiro era relator do caso, mas acabou deixando o posto depois de a Polícia Federal entregar ao presidente do STF material encontrado em aparelhos de Vorcaro que mencionavam negócios com Toffoli. O episódio foi revelado pelo UOL.
O segundo passou a ser alvo de questionamentos na imprensa após o jornal O Globo revelar que sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, tinha um contrato com o banco de Daniel Vorcaro.
O problema é que, depois, toda a corte acabou exposta pelo vazamento de trechos do que teria sido debatido durante a reunião secreta que selou a saída de Toffoli da relatoria do caso Master. O material foi publicado pelo site “Poder 360” e deixava evidente que a corte optou por uma saída política e corporativista ao analisar os achados da Polícia Federal.
“A segurança, neste momento, deixa de ser o grande tema da eleição, e a sensação de desequilíbrio institucional entra em cena como um componente importante do debate. Na cabeça das pessoas, independentemente do lado ideológico, a ideia de que o Judiciário está disfuncional ganha corpo —e isso, obviamente, pesa sempre mais contra quem está no poder, contra quem é visto como o establishment, ou seja, Lula”, diz o publicitário Paulo Vasconcelos.
Para Vasconcelos, a pregação antissistema, que marcou a eleição de 2018, vencida por Jair Bolsonaro, ganha novo impulso, e a ideia de que o combate à corrupção passa por uma espécie de reforma geral do Estado passa a ser um componente eleitoral.
A direita, que já vinha priorizando a eleição de senadores com o mote de, desta forma, viabilizar o impeachment de integrantes do Supremo, passa a ter um caso palpável para explorar nos palanques estaduais. Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência que melhor performa contra Lula e que já é um crítico contumaz da corte, também.
A percepção de que o Supremo passou a ser uma vidraça, e não mais uma vitrine, também chegou às mãos do governo Lula. Em entrevista ao UOL, por exemplo, o presidente, questionado sobre a discussão de uma reforma do STF, disse não ser, a princípio, contra o debate de qualquer tema. “Já ali fica evidente a tentativa de tomar equidistância”, analisa Vasconcelos.