A violência contra mulheres, crianças e adolescentes permanece como uma realidade que atravessa casas, ruas, escolas e instituições. Ela se manifesta de diversas formas — no grito, na humilhação cotidiana, no medo silencioso, nos abusos que acontecem longe dos olhos do público e até nas piadas repetidas sem reflexão, que reforçam a desvalorização feminina. Diante desse cenário, o texto propõe um chamado direto aos homens: é preciso rever comportamentos, romper com padrões culturais e assumir responsabilidades na construção de uma sociedade mais segura e respeitosa.
Durante gerações, muitos homens foram ensinados a confundir autoridade com violência, controle com cuidado e silêncio com maturidade. Esse aprendizado deixou marcas profundas, mas não é imutável. O artigo ressalta que aquilo que foi aprendido pode — e deve — ser transformado.
A violência contra mulheres não é um problema restrito às vítimas. Ela exige posicionamento também daqueles que nunca agrediram, mas convivem com práticas e discursos que permitem que essas situações continuem acontecendo. Não basta afirmar que não participa; é necessário não aceitar, não normalizar e não se omitir.
O texto defende que ser homem não pode significar tolerar o desrespeito, rir de situações que expõem mulheres ou permanecer em silêncio diante de atitudes abusivas. É preciso recusar a misoginia disfarçada de brincadeira, o machismo tratado como tradição e a ideia de que masculinidade está ligada à imposição do medo ou do controle.
Mais do que uma crítica, a mensagem é um convite à responsabilidade coletiva. Intervir diante de uma agressão, apoiar quem sofreu violência, confrontar comportamentos violentos entre homens, educar crianças para relações baseadas no respeito e escutar as mulheres com seriedade são atitudes apontadas como essenciais para romper o ciclo.
O artigo também destaca a importância do diálogo entre homens — nas famílias, entre amigos, nos ambientes de trabalho, nas escolas e nas instituições —, espaços onde muitas vezes a violência começa a ser normalizada. A omissão e o silêncio, segundo o texto, têm consequências diretas, pois permitem que a violência continue.
Ao trazer a realidade do Acre, o autor faz um apelo à responsabilidade geracional para mudar um cenário considerado alarmante para mulheres, crianças e adolescentes. Enfrentar a violência é apresentado como uma questão de dignidade coletiva e de compromisso com o futuro do estado.
Assinado pelo promotor de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania Thalles Ferreira Costa, o texto conclui com uma convocação clara: romper o ciclo da violência também é tarefa dos homens, que precisam decidir qual papel desejam ocupar na construção de uma sociedade mais justa e segura.


















