Cédulas de dólar - Gabriel Cabral/Folhapress
O dólar fechou em queda de 0,99%, cotado a R$ 5,175, e renovou a mínima em quase dois anos, após a Suprema Corte dos EUA derrubar as tarifas globais impostas por Donald Trump.
A moeda norte-americana se desvalorizou ao longo de todo o pregão, em meio à divulgação de dados mistos da economia americana —com o PIB crescendo menos do que o esperado, e a inflação mais. No início da tarde, a divisa intensificou a queda com a decisão do tribunal, movimento que favoreceu ativos de mercados emergentes, como o real e o Ibovespa.
A última vez em que o dólar esteve nesse patamar foi em 28 de maio de 2024, há quase 21 meses, quando encerrou o dia a R$ 5,160. Na mínima desta sexta, a moeda chegou a R$ 5,173.
Também impulsionada pela decisão, a Bolsa de Valores brasileira encerrou o dia pela primeira vez acima dos 190 mil pontos, com alta de 1,06%, a 190.534 pontos. No pico do pregão, o Ibovespa chegou a 190.726 pontos, um novo marco intradiário.
Na semana, o dólar acumulou queda de 1,03%, e a Bolsa, alta de 2,18%. No ano, a moeda recua 5,69%, enquanto o Ibovespa avança 18,25%.
No começo da tarde desta sexta-feira, a Suprema Corte dos Estados Unidos determinou que as tarifas impostas pelo presidente americano Donald Trump contra diversos países são ilegais. A decisão foi tomada por seis votos a três.
O julgamento tem como pano de fundo um debate jurídico iniciado em novembro do ano passado, que envolve a legalidade das tarifas.
Trump se apoiou na IEEPA —Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional— para aplicar as sobretaxas a todos os países sem aprovação do Congresso. Os juízes da Suprema Corte discordaram que a lei de 1977, criada para situações de emergência, de fato concede ao presidente esse poder.
A derrota representa um duro golpe econômico e político a uma das iniciativas mais emblemáticas do segundo mandato de Trump. Além de perder capital político, os EUA podem ser obrigados a devolver mais de US$ 175 bilhões (R$ 912 bilhões) em arrecadação tarifária, segundo cálculo de economistas do Penn-Wharton Budget Model a pedido da Reuters.
No exterior, a decisão impactou Bolsas americanas e europeias. Nos EUA, o Dow Jones subiu 0,47%, o S&P 500 ganhou 0,60% e o Nasdaq Composite avançou 0,90% ao longo do dia. Na Europa, o destaque foi o índice STOXX 600, que fechou em alta de 0,84%.
Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, os mercados reagiram de forma positiva, diante da menor incerteza jurídica e da redução de custos para as companhias listadas. “As tarifas não resultaram em choques inflacionários em um primeiro momento, mas podem pesar sobre o crescimento [de empresas] —e removê-las pode melhorar a produtividade.”
Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, afirma que, para países emergentes, a decisão reduz o risco de retaliações em cadeia. “Favorece fluxos para moedas locais em um cenário de dólar mais fraco e para ativos de risco, como o Ibovespa, ao melhorar o apetite global por commodities”.