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Governo do AC repudia fala de treinador sobre denúncias de estupro: “desserviço”

Foto: Marcos Vicentti/Secom
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O governo do Acre divulgou nesta terça-feira (17) uma nota pública de repúdio às declarações atribuídas ao treinador do Vasco da Gama do Acre, feitas em reportagens exibidas em programas de televisão locais. Segundo o posicionamento oficial, o técnico comentou denúncias de estupro envolvendo atletas sob sua responsabilidade e, durante a fala, colocou em dúvida a atuação da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).

Na nota, a secretária de Estado da Mulher, Márdhia El-Shawwa, afirmou que o treinador teria insinuado parcialidade na condução das investigações e desqualificado o trabalho técnico e legal realizado pela polícia. “Colocar em dúvida a seriedade de profissionais da segurança pública é um desserviço à Justiça, enfraquece a confiança nas instituições e contribui para a perpetuação da impunidade em crimes de violência contra a mulher.

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Na nota, também foram apontadas preocupações com o conteúdo das declarações, classificadas como misóginas e discriminatórias, ao atribuir às mulheres responsabilidade por condutas praticadas por atletas adultos. “Mulheres não são culpadas por violações de regras institucionais nem por crimes cometidos por terceiros. Cada pessoa responde por seus próprios atos”.

Outro trecho do comunicado reforça que não existe relativização em casos de violência sexual e destaca que o consentimento pode ser retirado em qualquer momento. “Consentimento não é permanente, nem automático. Ainda que tenha havido encontro ou intenção inicial de relação sexual, a ausência de consentimento em qualquer momento torna o ato criminoso. Sexo sem consentimento é estupro”, diz o texto.

Márdhia ainda informou que acompanha as vítimas relacionadas ao caso e reiterou que nenhuma forma de violência contra a mulher é tolerável, seja física, sexual, psicológica ou institucional. “Discursos que naturalizam, relativizam ou justificam esse tipo de violência reforçam estruturas de desigualdade, silenciam vítimas e incentivam crimes contra as mulheres”.

VEJA NOTA NA ÍNTEGRA:

O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado da Mulher (Semulher), vem a público manifestar repúdio às declarações proferidas pelo treinador de futebol do clube Vasco da Gama-AC, em reportagens exibidas em programas de TV locais.

Durante sua fala, ao se posicionar sobre denúncias de estupro envolvendo atletas sob sua responsabilidade, o treinador desqualifica o trabalho técnico, ético e legal da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), ao insinuar suposta parcialidade na condução das investigações.

Colocar em dúvida a seriedade de profissionais da segurança pública é um desserviço à Justiça, enfraquece a confiança nas instituições e contribui para a perpetuação da impunidade em crimes de violência contra a mulher.

Causa especial preocupação, ainda, o conteúdo misógino e discriminatório presente nas declarações, ao atribuir às mulheres a responsabilidade por condutas praticadas por atletas adultos. Mulheres não são culpadas por violações de regras institucionais nem por crimes cometidos por terceiros. Cada pessoa responde por seus próprios atos, e qualquer tentativa de transferir essa responsabilidade às mulheres configura culpabilização da vítima.

É igualmente inaceitável a tentativa de minimizar a gravidade do crime de estupro. Consentimento não é permanente, nem automático. Ainda que tenha havido encontro ou intenção inicial de relação sexual, a ausência de consentimento em qualquer momento torna o ato criminoso. Sexo sem consentimento é estupro. Além disso, os relatos de tapas e puxões de cabelo mencionados nas falas caracterizam violência física, somando-se à violência sexual, o que eleva ainda mais a gravidade dos fatos.

A Secretaria de Estado da Mulher reforça que vem fazendo o acompanhamento das vítimas do caso em questão e reafirma que nenhuma forma de violência contra a mulher é tolerável, seja física, sexual, psicológica ou institucional.

Discursos que naturalizam, relativizam ou justificam esse tipo de violência reforçam estruturas de desigualdade, silenciam vítimas, incentivam crimes contras às mulheres e terminam por afastá-las da busca por justiça.

Por fim, o governo do Estado do Acre reitera seu compromisso com a proteção das mulheres, o respeito às vítimas, a valorização do trabalho das instituições públicas e a promoção de uma cultura de responsabilização, igualdade e respeito.

Márdhia El Shawwa

Secretária de Estado da Mulher

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