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Bloco 6 é D+ tem enredo social sobre a força da periferia

Por
Saimo Martins

Atual campeão do carnaval, o bloco 6 é D+, do bairro Seis de Agosto, desfilou na Avenida Getúlio Vargas nesta terça-feira, 17, com um novo samba-enredo preparado para o Carnaval Rio Branco Folia – Tradição e Alegria 2026, realizado na capital e organizado pela Prefeitura de Rio Branco.

Com o tema “#Favela ou Periferia: a origem não define meu futuro”, a agremiação apostou em um enredo de forte cunho social, inspirado na vivência das comunidades periféricas e na luta diária contra estigmas históricos. A proposta foi apresentar a favela como território de resistência, criatividade e oportunidades, onde o esporte, a cultura, o lazer e a educação surgem como caminhos de transformação social.

De acordo com o representante do bloco, Frank Costa, o desfile mantém a tradição de forte participação popular. Ele destacou que a agremiação entrou na avenida com o compromisso de defender o título conquistado no último concurso e ressaltou que o resultado é fruto do trabalho coletivo da comunidade.

“Existe toda uma comunidade por trás, pessoas que trabalham, se dedicam e lutam para que o desfile aconteça. Os blocos carnavalescos são comunitários e fazem parte da cultura popular. Cada agremiação que entra na avenida reforça ainda mais essa tradição”, afirmou.

Frank também rebateu críticas de que o grupo não realizaria ações ao longo do ano ou que dependeria de favorecimentos. Segundo ele, todo o processo é construído com esforço e organização próprios.

Sobre o enredo deste ano, o representante explicou que o bloco apresenta uma temática ligada diretamente à realidade das periferias. “Estamos trazendo o tema ‘#Favela ou periferia: a minha origem não define o meu futuro’. A proposta é mostrar os caminhos positivos para que o morador da comunidade alcance seus objetivos e que o lugar onde nasceu não determina o seu destino”, ressaltou.

Ele acrescentou que o desfile busca evidenciar a força, a resistência e a produção cultural desses territórios. “Vamos mostrar o que é ser periferia, o que é ser resistência diante de um sistema que muitas vezes tenta calar a voz dessas comunidades e da cultura que nasce nelas”, completou.

O integrante do bloco Cláudio Jansen falou sobre a expectativa para a apresentação e reforçou a mensagem social do enredo. “A expectativa é muito grande. A gente vem com uma história a ser contada sobre a periferia e a favela. Muitos moradores passam por esse tipo de realidade, mas, independentemente de qualquer coisa, com força de vontade, foco e objetivo, é possível conquistar o que quiser”, destacou.

Segundo ele, cerca de 350 pessoas participaram do desfile. A bateria contou com 45 componentes, além dos integrantes das demais alas. Em relação ao investimento, a estimativa ficou entre R$ 35 mil e R$ 45 mil.

A obra, assinada por Dida Oliveira, traduz em versos e ritmo a força da periferia e reforça a mensagem de que a origem não limita os sonhos nem o futuro.

O desfile integra o Concurso de Blocos Carnavalescos, que neste ano vai distribuir até R$ 36 mil em premiação. Serão contempladas três colocações: o primeiro lugar receberá R$ 20 mil; o segundo, R$ 10 mil; e o terceiro, R$ 6 mil.

Letra do samba-enredo

Olha lá o meu guri, como cresceu
Uma joia rara oriunda da favela
Jogando bola ele foi driblando a vida
Pelos caminhos entre becos e vielas

Era só mais um menino a brincar
E no barraco sua mãe sempre a falar
Filho, corre que esse mundo é teu
Aproveita… vai conquistar!

E no caderno uma da vida a construção
Levou seu sonho pro banco da escola
Foi a voz que o preconceito não calou
O orgulho que na vida não enrola

Dancei funk, hip hop, quebrei tudo com DJ
Nas batalhas fiz as rimas, pelos muros grafitei
Mas o estudo… nunca largou
O guri quebrou barreiras, hoje ele é doutor

Dancei funk, hip hop, quebrei tudo com DJ
No pulsar da bateria, na batida do tambor
Favela é cultura, é raiz, é divina!
6 é D é favela… hoje nesse carnaval!

Letra e música: Dida Oliveira

Assista ao vídeo:

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Por
Saimo Martins