Quantos janeleiros irão se evadir dos seus atuais partidos quando a janela partidária for escancarada?
Somente num país, partidariamente frágil e anarquizado como vem ser o nosso faltando menos de seis meses para as nossas próximas eleições, os seus possíveis candidatos podem trocar de partido. E o pior: se já detiverem algum mandato o levará consigo.
Esta prática já virou uma rotina. Prova disto, quatro dos nossos atuais governadores, eleitos em 2022, ou seja, nas eleições próximas passadas já mudaram de partido. Identificando-os: a governadora de Pernambuco, Raquel Lira e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, já deram adeus ao PSDB e já estão filiados ao PSD, sendo mais preciso, ao partido do Kassab. Os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado, e o de Rondônia, Marcos Rocha, já largaram o União Brasil, ex-DEM, também se filiaram no partido da moda o do Kassab.
A propósito, o seu partido diz dispor de um trio de presidenciáveis, mas se o governador de São Paulo, Tarcísio de Feitas, do Republicanos, não houvesse tido sua a candidatura vetada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro seria o seu candidato.
O partidarismo do Kassab é pura e simplesmente de conveniência, e em assim sendo, suas portas e janelas estão sempre abertas para acolher os trânsfugas que se evadem de qualquer outro partido, venham eles de onde vierem. Ao ter tido a sua candidatura vetada pelo seu próprio partido, o União Brasil, o atual governador de Goiás, Ronaldo Caiado, foi recebido de braços abertos e muito festivamente pelo próprio Kassab.
Por já ter sido filiado a quatro partidos distintos, o PL entre 1989 e 1995, o PFL entre 1995 e 2007, o DEM entre 2007e 2011 e presentemente PSD, em última análise, o próprio Kassab não tem demonstrado o menor apreço ao que vem ser um partido político.
A lembrá-lo: nas eleições gerais de 1986 o PMDB elegeu 22 dos nossos 23 governadores e a grande maioria dos nossos senadores e deputados federais e tinha no seu comando alguém com a autoridade política e moral do saudoso Ulisses Guimarães, timoneiro da nossa redemocratização e patrioticamente apelidado de Senhor/Diretas.
Mesmo assim, nas eleições de 1989, ao se candidatar à presidência da República, Ulisses Guimarães ficou em 7º lugar e assistiu o 2º turno da referida eleição ser disputado entre Collor e Lula. Daí a pergunta que não pode calar: por que isto aconteceu? Simples assim: dada a nossa fragmentação partidária e sua consequente irrelevância.
Outra pergunta: até quando o partido do Kassab, melhor assim identificá-lo do que pela sua sigla, PSD, continuará atraindo os nossos trânsfugas partidários? Até quando nossos partidos forem levados a sério.