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E no cuquenão?

Esse caso ocorreu quando nosso dileto amigo, o professor de História e militante do Partido Verde, Jocilem Dote foi na festa de bota-fora do jornalista Cleber Rabelo, que ofereceu galinha ao molho de pequi, uma iguaria típica de sua terra natal, Goiás, para onde estava regressando, depois de muitos anos vivendo no Acre.

Velho Dote, o verde, verdadeiramente gente da melhor qualidade, que foi prosseguir por onde deveria, por onde a gente nem sabe se vai, me falou certa vez, num momento de alegria e diversão: “Quando tudo estiver perdido só te resta erguer a cabeça, encher e os peitos de ar e dizer: Agora lascou-se tudo!”.

Apesar de ter sido avisado pelo anfitrião de que pequi é uma fruta que tem uma particularidade parecida com alguns peixes, os espinhos – muitos e perigosos espinhos -, o embriagado e descuidado Dote tacou um caroço daqueles dentro da boca. Tentou mastigar – o que não se deve fazer em hipótese alguma!

– Tira isso da minha boca! Minha língua tá pinicada!

– Tô tentando, mano. Fica quieto. Para de falar!

– Paro é porra!

– Calma, beibe, calma!

– Vai se lascar, alho! Ai!

– Te falei pra não morder…

– E num era galinha?

– Sim. Galinha caipira com pequi, porra!

– Mas eu mordi só aquela bolinha!

– Aquela bolinha…

– Aaai!

– Aquela bolinha tem espinho. Pequi tem espinho! Cleber, ajuda aqui! O cara tá engasgando!

– Me dá um gole dissaí que tu tá bebendo…

– É caldo de galinha com pequi e pimenta.

– Então enfia no cu, caralho!

– No cu, velho Dote?

– E no cu que não?!

Bem. Por força da circunstância, finalmente ele parou de falar (xingar, na verdade). Assentei-o numa cadeira em baixo de uma luminária, arregimentei algumas convidadas, de unhas grandes para pinçarem o que fosse possível dos milhares de espinhos que estavam por toda a boca, entre os dentes e na babenta língua do pobre professor.

Não teve mais festa pra ele, teve que ir ao pronto-socorro. Mas, felizmente tudo se resolveu e o velho Dote ainda ganhou um novo apelido: Língua de Quandu.

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