Não por falta, mas sim, pelo excesso de suas regras, a nossa legislação eleitoral resultou nisto que está aí.
Parte considerável dos potenciais candidatos que participarão da disputa eleitoral do próximo mês de outubro ainda não definiu a qual dos partidos políticos irá se filiar. Muitos dos atuais detentores de mandados eletivos se preparam para chutar no traseiro do partido que o elegera.
Que país é este? Recorri a esta expressão, atribuída ao saudoso Renato Russo, para expressar a minha indignação em relação ao tratamento que vem sendo dado aos nossos partidos políticos, como se os mesmos fossem, tão somente, uma exigência para quem pretendesse participar do nosso anarquizado sistema político-partidário.
A democracia não é um regime perfeito, mas é, seguramente, o menos imperfeito. A exemplificar, basta que comparemos duas das menos imperfeitas democracias do mundo, a dos EUA e a da Inglaterra. Nestes dois países, há mais de um século, no máximo, três partidos políticos, efetivamente, em suas eleições, fazem-se presentes.
Cá, entre nós, no nosso Congresso Nacional, instância máxima do nosso poder legislativo, nada menos que 20 partidos distintos estão representados, e em algum deles, vamos encontrar alguns dos seus integrantes que já passaram por uma dezena deles. Jair Bolsonaro e Ciro Gomes, no quesito “trânsfuga partidário”, se prestam como exemplo.
É dessa anarquia partidária que o próprio Gilberto Kassab tem tirado proveito. No Estado de São Paulo o seu PSD tem demonstrado a mais absoluta fidelidade ao Governador Tarcísio de Freitas, do Republicano. Em tempo: o próprio Kassab, não é apenas secretário, sim e também, conselheiro político do referido governador, enquanto no plano federal o seu PDS ocupa três ministérios no governo do presidente Lula.
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qual o candidato à presidente que próprio Kassab irá apoiar. No Estado Bahia, o senador Otto Alencar, do PSD, já declarou o seu apoio às candidaturas Lula e a Jerônimo Rodrigues, do PT, independente do posicionamento eleitoral do próprio Kassab.
Quando criou o PSD, Gilberto Kassab afirmou que o referido partido não seria de direita, nem de esquerda e nem de centro, mas como não excluiu os partidos de cima e os debaixo e nas próximas eleições terá que optar pela reeleição do presidente Lula ou pelo retorno do bolsonarismo, via candidatura de Flávio Bolsonaro, como nenhum dos candidatos do PSD chegará ao 2º turno, quais dos dois terá o seu apoio.
Enquanto os nossos partidos continuarem com seus donatários, a nossa democracia continuará com sua barriga arrastando pelo chão.