Foto: Sérgio Vale/ac24horas
A transmissão especial do ac24horas no Carnaval Rio Branco Folia – Tradição e Alegria 2026, na noite desta sexta-feira, 13, acabou se transformando também em palco de projeção estadual. Durante entrevista ao vivo, o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PL), falou sobre a pré-candidatura ao Governo do Acre e detalhou propostas para infraestrutura, relação com os municípios e desenvolvimento econômico.
Questionado sobre a possibilidade de levar ao Estado o mesmo modelo de gestão do “Produzir para empregar” na capital, Bocalom disse que o Acre tem potencial econômico ainda pouco explorado. “Bom, é claro que o nosso estado, sem dúvida, é um estado rico. Tem um potencial muito grande, é o melhor clima do Brasil para se produzir agricultura e é através da terra, da exploração da terra, que a gente vai trazer riqueza para a cidade”, pontuou.
Ele citou exemplos de estados que cresceram a partir da produção agrícola e defendeu que o Acre siga o mesmo caminho. “O Brasil inteiro foi assim. São Paulo foi assim, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Rondônia, todo mundo foi assim. Então, a gente precisa explorar a nossa santa terra”, acrescentou.
Ao falar sobre o que faria em nível estadual, caso eleito, Bocalom disse que uma das prioridades seria mudar a relação entre o governo e os municípios. “Uma das coisas que eu acho que a gente deve inovar como governador é estabelecer uma relação muito mais próxima com os nossos prefeitos e com os vereadores, porque é o danado prefeito que fica ali na ponta, rapaz. É ele que sabe do que a comunidade está precisando, é ele que sabe o que a comunidade está querendo, juntamente com o vereador”, destacou.
Segundo ele, falta um canal institucional direto dentro da estrutura estadual. “Nós precisamos ouvir mais os prefeitos, mais os vereadores, entendeu? E, por isso, dentro do nosso projeto, nós temos a criação de uma Secretaria dos Municípios, para o prefeito chegar aqui, o vereador chegar aqui, ter onde ir. De lá, sim, encaminhar para a Secretaria de Saúde, Secretaria de Educação, onde estiver a demanda que o prefeito está trazendo da sua comunidade. Então, eu acho que isso é muito importante, esse apoio aos nossos prefeitos”, reforçou.
Um dos trechos mais enfáticos da entrevista foi quando o prefeito abordou a situação da BR-364, especialmente no trecho que liga Rio Branco a Cruzeiro do Sul. Bocalom criticou os sucessivos investimentos na recuperação da rodovia. Como alternativa, defendeu a construção de trechos em concreto, especialmente entre Sena Madureira e o Rio Liberdade, na região de Cruzeiro do Sul.
“Só que a estrada nunca prestou. São 16 anos e ela não funciona. Olha, de novo: este ano estão gastando quase R$ 500 milhões para recuperar, e a estrada está toda arrebentada. Então nós temos que resolver isso. Eu tenho uma alternativa para resolver e vamos correr atrás. Nós queremos fazer de Sena Madureira até o Rio Liberdade, que é outra dificuldade naquele trecho, de Sena até o Rio Liberdade, com pavimento de concreto. Olha, nos Estados Unidos as estradas são de concreto. Aqui na Bolívia, em Cobija, veja por onde você passa: é tudo em concreto. Então, poxa, por que a gente não faz de concreto?”, destacou.
O prefeito também mencionou a disponibilidade de brita no próprio estado e defendeu a exploração local do material. “Nós não temos lá uma quantidade grande de brita na Serra do Moa? Ah, mas não vão deixar. Mas, mesmo assim, para que nós temos senador, para que nós temos deputado?”, questionou.
Segundo ele, trazer pedra de outros estados encarece a obra e transfere renda para fora. “Não é justo ter que levar pedra daqui de Rondônia lá para Cruzeiro do Sul. Imagina o custo da produção lá. Se tem pedra aqui, o emprego fica aqui, o dinheiro fica aqui. Quanto custa um quilômetro? Nos meus cálculos, pelo que a engenharia já me apresentou, vai custar algo em torno de R$ 3 milhões a R$ 3,5 milhões por quilômetro. É muito melhor eu pegar R$ 200 milhões e fazer, sei lá, 60 quilômetros no ano, e já saber que está feito, acabou, vai ficar para sempre, do que ficar todo ano gastando R$ 200, R$ 300, R$ 400, R$ 500 milhões para recuperar e, no outro ano, estar tudo arrebentado de novo”, salientou.
Ao falar como pré-candidato ao Governo do Acre, Bocalom afirmou que pretende aplicar no Estado a mesma lógica que diz ter adotado em Rio Branco. “É isso que eu estou fazendo aqui em Rio Branco. E, com certeza, virando governador, também vou fazer no Estado. Não tem dúvida”, finalizou.
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