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Alan Rick e o lobo mau

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Você conhece a fábula de Cherokee?

Conta essa história que certa noite, o ancião de uma tribo conversava com a criança mais nova do povoado.
Ele dizia: “dentro de você existem dois lobos. Um bom e um mau. E eles estão numa luta constante”.
A criança imediatamente perguntou: “E quem ganha?”
Com sabedoria, o chefe da tribo sorriu e respondeu: “aquele que você alimentar”.

Todos somos humanos, passíveis de erros e acertos. Alguns, pela posição e liderança que exercem, devem fazer a escolha de privilegiar os acertos. Esse é o caso das pessoas que estão na mídia, dos líderes religiosos e dos políticos, por exemplo. Não estão livres de errar afinal somos humanos. Mas devem estar comprometidos com o acerto.

E me preocupam as decisões do senador Alan Rick. Nos momentos de escolha íntima de suas atitudes, o lobo mau sempre vence. Foi assim quando, com socos na mesa e palavrões aos berros ele humilhou um trabalhador que estava apenas fazendo o seu trabalho. Alan Rick que havia chegado depois do horário de embarque (erro seu, portanto) exigia que o avião simplesmente voltasse prejudicando outras centenas de passageiros apenas porque ele era… senador!

O comportamento se repetiu ano passado quando, novamente aos berros, Alan Rick gritou e humilhou os servidores públicos do Instituto Socio Educativo, o ISE, simplesmente porque os trabalhadores avisaram ao senador que ele poderia visitar a instituição, mas não filmá-la por causa da exposição de imagem de crianças e adolescentes, uma lei federal que vale para todos. O lobo mau venceu: de forma destemperada, Alan Rick agrediu verbalmente quem estava apenas cumprindo com sua função. A confusão foi tamanha e as ameaças tão sérias que os servidores registraram um boletim de ocorrência contra o político. Mais uma vez, Alan Rick achava que podia tudo porque era…senador!

Agora no começo do ano, em escancarada campanha eleitoral fora de época, Alan Rick passou por cima da Lei ao invadir uma obra que estava sob responsabilidade do governo do estado sem a devida autorização. O mundo não gira em torno do nosso alecrim dourado: o impedimento de acesso não era apenas para Alan Rick, mas para qualquer pessoa comum, afinal, se trata de um canteiro de obras e como tal, só pode ser acessado por profissionais com orientação e equipamentos de segurança. E se alguém inadvertidamente se ferisse? Alan Rick colocou em risco a vida de quem o acompanhava porque ele queria gravar um tiktok de campanha. E se achou no direito de realizar a invasão porque é… senador!

Como sempre sem a humildade de admitir os erros, Alan Rick diz que tem direito de arrombar o espaço porque destinou quinhentos mil em emenda para a obra. O lobo mau de Alan Rick transparece quando propositalmente ele esconde que a obra é executada pelo governo do estado. Ou seja: não é uma obra de iniciativa dele, Alan Rick. Quem fez o projeto, selecionou a empresa, está fiscalizando a construção e responde pela construção é o governo do estado do Acre, não o senador. Falta dizer também o básico: o dinheiro não é de Alan Rick. É do governo federal. O senador só entra na hora do vídeo para as redes. E quando é impedido agride e ataca, tal qual uma besta fera.

Três a zero pro lobo mau de Alan Rick. Nas fábulas, os animais falam como pessoas. Na vida real, algumas pessoas agem como os animais.

Se hoje como senador Alan Rick já se sente no direito de desrespeitar leis, atacar e humilhar os trabalhadores, imagine o risco que seria concentrar o poder do governo nas mãos desse sujeito. Alan Rick não representa apenas o risco de um lobo mau. É a agressividade de uma alcateia inteira. Dizem que o poder muda as pessoas. Mas é o que fazem para atingi-lo é que revela quem as pessoas realmente são.

Luiz Calixto é Secretário de governo

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