Foto: Sérgio Vale/ac24horas
O senador Alan Rick (Republicanos), de 49 anos, pré-candidato ao governo do Acre, participou na tarde desta quinta-feira, 12, do programa Bar do Vaz, apresentado pelo jornalista Roberto Vaz. Durante a entrevista, ele falou sobre a pré-candidatura, alianças políticas no interior, prioridades para uma eventual gestão, com foco na saúde e no saneamento básico, além de comentar o cenário eleitoral e o seu posicionamento pessoal acerca da direita no cenário nacional.
Ao falar sobre a vida pessoal, o senador Alan Rick destacou o apoio incondicional da esposa, Michelle Miranda, e, em seguida, comentou as recentes pesquisas eleitorais que o colocam em posição favorável na disputa pelo Governo do Acre. Segundo o parlamentar, a possibilidade de disputar o cargo não fazia parte de seus planos iniciais quando foi eleito senador, em 2022, pois sua intenção era concluir o mandato. No entanto, ele relata que o cenário começou a mudar a partir de 2023, com o surgimento das primeiras sondagens, e ganhou força durante as eleições municipais de 2024, quando percorreu os 22 municípios do estado.
“Olha só, quando eu fui eleito senador, em 22, meu objetivo, do fundo do meu coração, era concluir meu mandato. Porém, em 2023, começaram a surgir algumas pesquisas, mas eu não dava tanta importância. Em 2024, na campanha municipal, nós rodamos os 22 municípios e houve um chamamento das pessoas em todos os eventos que participamos, e aquilo ficou mais forte do que eu imaginava”, afirmou.
Rick também relembrou um episódio ao lado do deputado federal Roberto Duarte, presidente do Republicanos no Acre, durante uma agenda no interior do estado. “O próprio Roberto Duarte, meu amigo, chegou para mim em um desses eventos, se não me engano no Bujari, e o povo me recebeu com tanto carinho. As pessoas diziam: ‘O senhor vai ser nosso governador’. Ele bateu no meu ombro e disse: ‘Amigo, não tem jeito, você tem que começar a assumir esse compromisso e colocar o time em campo’”, relatou.
O parlamentar essaltou que, após esse movimento popular, as pesquisas passaram a se repetir, reforçando o cenário. “Vieram as pesquisas, uma atrás da outra, e a gente trabalha com o objetivo de melhorar a vida do nosso povo”, completou.
Ao falar sobre as prioridades que pretende defender em uma eventual gestão, Rick citou pautas que, segundo ele, já fazem parte de sua atuação política. “Você sabe da minha luta pela reconstrução dessa BR, você sabe da minha luta por um projeto de saneamento para o Acre”, declarou.
O senador Alan Rick afirmou, em entrevista, que sua filiação ao Republicanos representa “uma volta às origens” e reforça o caminho político que pretende trilhar com foco em áreas consideradas prioritárias por ele, especialmente a saúde pública. Pré-candidato ao governo do Acre, o parlamentar destacou que foi eleito deputado federal pela primeira vez, em 2014, pela legenda — à época PRB — e que mantém vínculos históricos com o partido. Para Alan, a mudança partidária também se deu em razão da configuração atual da federação entre União Brasil e Progressistas, da qual decidiu se desligar. “O convite do Republicanos veio no momento em que voltamos ao nosso partido de origem. Foi uma decisão muito consciente”, afirmou.
Durante a entrevista, o senador ressaltou que tem intensificado as visitas aos municípios acreanos e aos bairros de Rio Branco, conversando diretamente com moradores para ouvir as principais demandas da população.
De acordo com ele, apesar de a segurança pública aparecer com frequência nas conversas, a saúde é apontada, de forma recorrente, como a maior preocupação dos acreanos. Alan relatou casos que, segundo ele, ilustram a gravidade da situação, como o de pacientes que aguardam cirurgias há meses na Fundação Hospitalar e de mães que enfrentaram a perda de filhos recém-nascidos por falta de atendimento especializado imediato para cardiopatias congênitas. Diante desse cenário, o senador afirmou que articulou, ainda durante o mandato de deputado federal, uma parceria entre o governo do Estado, o Ministério Público e um hospital de referência nacional em São José do Rio Preto (SP), especializado em procedimentos de alta complexidade. A iniciativa foi viabilizada por meio de emendas parlamentares que, segundo ele, somaram R$ 16 milhões.
Foto: Sérgio Vale/ac24horas
Conforme Alan Rick, mais de 200 pacientes acreanos, a maioria crianças e bebês com problemas cardíacos graves, já foram atendidos por meio do convênio. Ele citou ainda a realização de cirurgias de coluna, transplantes e procedimentos neurológicos de alta complexidade custeados pelo SUS a partir dessa parceria.
Para o senador, a experiência reforça a necessidade de um projeto de governo que priorize a saúde pública com soluções estruturantes e acesso mais rápido a tratamentos especializados. “A saúde sempre aparece como a principal dor do acreano. É preciso enfrentar isso com planejamento, gestão e parcerias que realmente salvem vidas”, comentou.
Questionado sobre a origem dos recursos para a campanha ao governo, Alan Rick afirmou que o financiamento seguirá o modelo previsto pela legislação eleitoral, com uso do fundo partidário e do fundo eleitoral, distribuídos entre as candidaturas proporcionais e majoritárias. Segundo ele, a composição da chapa será determinante para viabilizar financeiramente a disputa. “Nós teremos uma chapa de deputados federais, esses deputados também receberão recursos, os deputados estaduais e, claro, o majoritário e os senadores. Nós temos a nossa querida pré-candidata ao Senado, ex-deputada Mara Rocha, e o nosso nome, do Republicanos. Temos o compromisso do nosso presidente Marcos Pereira de possibilitar o teto para nós. Além disso, há os recursos destinados aos nossos candidatos proporcionais. É essa soma que dá um valor um pouco maior, porque se fosse só o recurso do candidato majoritário, a gente não daria conta de fazer uma campanha”, explicou.
Alan relembrou ainda a campanha ao Senado, em 2022, ao afirmar que foi conduzida com orçamento reduzido. “Eu nunca tive muito dinheiro em campanha, mas fizemos a campanha para o Senado mais barata da história do Acre. Ainda terminamos a campanha sem que o partido tivesse enviado todo o recurso. Tivemos que fazer uma assunção de dívida para depois quitar os débitos após a eleição”, relatou.
Por fim, o senador destacou que sua prioridade será o contato direto com o eleitor, enquanto a direção partidária ficará responsável pela articulação financeira. “Eu vou atrás do voto. Deixo o presidente do partido, Roberto Duarte, negociar com o presidente nacional os recursos do fundo”.
Alan Rick afirmou que já conta com o apoio de seis prefeitos do interior do Acre e disse acreditar que também deverá receber o respaldo do prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz. “Hoje nós temos seis prefeitos nos apoiando. Isso é um número excelente. O Gerlen, tenho certeza, vem nos apoiar. Desculpa a piada. Eu fico feliz demais por isso, porque ele é um cara democrático, é um cara do bem, e também está sofrendo com represálias injustas e intimidatórias. Mas nós vamos passar por cima disso. O Acre é dos acreanos. O Acre não aceita esse tipo de perseguição, e o Gerlen é um cara que vem nos ajudar, eu tenho certeza disso”, declarou.
O senador citou ainda os nomes de gestores municipais que já teriam declarado apoio ao seu projeto político. “Nós já temos a prefeita Rosana, do Quinari; meu querido amigo Sérgio Lopes; temos o nosso Olavo, todos declarados. Eles estiveram na nossa grande festa de filiação. Temos também o Tamir Capixaba, meu amigo Manel, que é o número 1 do meu partido”, afirmou.
Alan também mencionou a possibilidade de diálogo com outras siglas, como o PSDB. “A gente tem que conversar, dialogar com o PSDB, e quem sabe também não venha nos ajudar nesse grande projeto, nessa grande missão que é governar um estado como o Acre, com tantas dificuldades”, completou.
O parlamentar também comentou seu posicionamento no cenário nacional e defendeu que a direita e a centro-direita adotem uma postura de diálogo, sem radicalismos. “Eu acho que a direita, a centro-direita, o Brasil não quer mais radicalismo. Quer diálogo. Que quem está na direita, no centro, dialogue com os demais segmentos, porque o radicalismo vai muito mal, tanto da esquerda quanto da direita. O Brasil precisa de diálogo. Tudo demais faz mal, vira veneno. Eu acho que o próximo presidente do Brasil tem que ser uma pessoa que dialogue com o país, que entenda as dificuldades regionais, que entenda a Amazônia, que conheça a Amazônia”, afirmou.
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Rick também declarou sua preferência pelo nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para a Presidência da República. “Não vou mentir para você, o nome que eu sempre defendi foi o de Tarcísio. Sempre defendi para presidente. Ele é do meu partido, o Republicanos, e sempre defende a bandeira da direita, do conservadorismo. Eu acho que o Bolsonaro sofreu uma grande injustiça. Esse julgamento dele, na minha opinião, infelizmente demonstra um sentimento de vingança acima do sentimento de justiça. Como eu disse aqui, o Bolsonaro cometeu alguns erros, e eu acho que ele já fez as reflexões dele, mas fez muitas coisas boas pelo Brasil. O Brasil avançou. O marco legal do saneamento foi aprovado no seu governo, e eu participei desse grande debate. O Brasil avançou em outros pontos importantes, como na Previdência e na desburocratização para a abertura de empresas”, declarou.
O parlamentar ressaltou ainda que outros nomes da direita também estão postos no debate nacional. “Eu acho que o Tarcísio é um nome que agrega. O Flávio, amigo senador, representa bem o conservadorismo no Brasil. Mas eu entendo que ainda podemos dialogar. Hoje o nome posto é o de Flávio, mas eu continuo tendo uma grande simpatia pelo nome do Tarcísio. Gosto dele, entendo que ele faria um grande mandato como presidente da República. Mas a direita ainda não fez a sua escolha. Temos o nome do Flávio, temos o nome de Ratinho Júnior, que é um grande governador do Paraná, o nome do próprio Ronaldo Caiado. São todos nomes de grande relevância na política nacional”, completou.
Alan evitou comentar a pré-candidatura de adversários como Mailza Assis e Tião Bocalom nas eleições deste ano e afirmou que prefere que a avaliação seja feita pela população. “Eu não gosto muito de falar dos adversários. Acho que quem tem que fazer essa análise é a população. O que eles produziram, o que apresentaram, qual o legado que estão deixando. Eu gosto de olhar para a ação concreta, para os frutos do mandato”, declarou.
O senador destacou realizações do próprio mandato e projetos que pretende defender. “Eu quero falar de mim. Nós aprovamos a lei do Revalida, promovemos uma alteração importante na lei do Mais Médicos, do ponto de vista legislativo, que marcaram o meu mandato. Foi uma grande bandeira nossa. Trouxemos para o Acre talvez o maior projeto esportivo independente da história, que é a escolinha de futebol do Léo Moura. Também apresentei e aprovei projetos importantes no Congresso. Tive a honra de ser autor do substitutivo e relator do projeto que criou a Política Nacional de Doação de Alimentos. Além disso, aprovamos mudanças importantes na legislação do licenciamento ambiental, desburocratizando processos, especialmente para obras de saneamento básico, como estações de tratamento de água e esgoto. Eu sempre gosto de olhar para o resultado do mandato, para o que foi entregue”, afirmou.
Ao falar sobre saneamento básico, Alan relatou divergências que teve com o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, sobre a prioridade do tema. Segundo ele, houve discussões com prefeitos e com o Ministério do Desenvolvimento Regional, por meio do FIDIRS e do BNDES, que financiariam integralmente o projeto de estruturação do saneamento no Acre.
“Conversei várias vezes com o Bocalom e com outros prefeitos sobre isso. O recurso para estruturar todo o saneamento do Acre poderia ser bancado integralmente. Mas houve divergências. O prefeito tinha outras prioridades. Eu entendo que saneamento básico é um dos maiores e mais importantes temas que o Acre precisa enfrentar. Cada real investido em saneamento representa economia de cinco reais na saúde, são dados concretos”, pontuou.
Foto: Sérgio Vale/ac24horas
O senador defendeu a necessidade de um projeto integrado que envolva todos os municípios do estado, incluindo a destinação correta de resíduos sólidos, construção de aterros sanitários, estações de tratamento de água e esgoto e obras de drenagem urbana.
Questionado se, caso seja eleito governador, assumiria a execução desse projeto, Alan foi direto: “Nós vamos trazer esse projeto. Se for a vontade do povo do Acre, nós vamos fazer. O Acre não pode continuar na penúltima posição do Brasil em saneamento. Não pode ter a pior rodovia do país, que é a BR-364, nem continuar com uma das piores internets do Brasil”, destacou.
Alan afirmou ao jornalista Roberto Vaz que conta com o apoio do prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz, em sua pré-candidatura ao Palácio Rio Branco. “Estamos caminhando para ter uma boa aliança com o Gerlen, até porque eu apoiei a candidatura dele para prefeito. Tivemos uma boa parceria em 2022, eu disputando o Senado e ele, na época, a Câmara Federal. Eu penso que, em Sena, a situação está bem encaminhada”, declarou.
O parlamentar também ressaltou sua origem humilde e disse não fazer parte de famílias tradicionais da política acreana. “Eu não sou político de carreira, não venho de família tradicional da política. Se você analisar bem, ao longo de 32 anos, apenas duas famílias governaram o Acre. Está na hora de virar essa chave, de o Acre olhar para um acreano ‘perrachado’, alguém de origem simples, que lutou, que tem defeitos e falhas, mas que tem uma vontade enorme de fazer o bem para o seu povo”, afirmou.
Alan ainda mencionou que aguarda um possível apoio do senador Márcio Bittar e não descartou a possibilidade de ele integrar sua chapa. “Ele tem feito uma luta incessante contra aquilo que considera injustiças por parte de alguns ministros. Pode, com toda certeza. O Márcio está avaliando o cenário, observando o que está acontecendo. Eu acredito que ele venha com a gente, mas isso vamos tratar mais à frente”, ressaltou.
Assista à entrevista completa:
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