Foto: Imagem ilustrativa I Marcel Fialho/PCB-AC
O Partido Comunista Brasileiro (PCB) no Acre anunciou, em publicação nas redes sociais na última terça-feira (11), que decidiu disputar as eleições de 2026. No texto, a sigla afirma que a decisão foi tomada “em consenso com sua militância” e defende que, apesar dos limites, um governo estadual pode funcionar como “um instrumento coletivo” a serviço do povo e da transformação social. Os nomes que serão postos, no entanto, não foram divulgados.
“Acreditamos que mesmo com seus limites, um governo de Estado pode atuar como um instrumento coletivo que deve estar a serviço do povo para a transformação social”, diz a publicação, que reforça a bandeira histórica do partido: “sempre na defesa dos direitos e da vida digna para os trabalhadores e trabalhadoras”.
Na avaliação do PCB, o Acre estaria sob comando de um “projeto conservador de direita”, que, segundo o partido, “privilegia os milionários em detrimento da maioria dos acreanos”. O texto sustenta que o atual modelo político favorece poucas famílias, enquanto grande parte da população segue em situação de pobreza.
A legenda também critica o financiamento das campanhas eleitorais e afirma que o sistema não seria, na prática, democrático. “Sabemos que não é de hoje que as eleições não são sobre democracia, mas sim sobre dinheiro injetado no processo eleitoral”, diz o texto. O partido cita como exemplo o custo de campanhas e argumenta que “um candidato a deputado federal injeta mais de 1 milhão de reais numa campanha eleitoral e quem paga a conta é o povo”.
Na publicação, o PCB afirma ser urgente “democratizar a democracia” e critica a desigualdade entre partidos no acesso a recursos. “Impossível chamar de democrático um sistema em que, no mesmo pleito, um partido recebe milhões via fundos e emendas secretas parlamentares, enquanto outros precisam disputar completamente sem recursos”, afirma.
Ao longo do texto, o partido faz uma série de críticas ao governo Gladson Cameli (PP) e ao grupo político que sustenta sua gestão. O PCB aponta o que chama de abandono de políticas públicas e avanço de terceirizações. “O que temos hoje é um projeto que estimula o abandono das políticas públicas, substituídas pela terceirização generalizada, transformando direitos básicos em lucro privado”, diz a nota.
A legenda também associa o cenário atual a um modelo de “balcão de negócios” e afirma que a população seria empurrada para a dependência de favores políticos. “Um governo transformado apenas em um balcão de negócios para políticos, familiares e grandes empresários de outros estados, sobrando para nossa população, apenas os ‘favores particulares’ daqueles que detêm o poder”, afirma o partido, comparando a situação aos “tempos dos seringais”.
A publicação dedica um trecho às dificuldades enfrentadas pela população em áreas como saúde, educação e segurança pública. Sobre a rede estadual de saúde, o partido afirma que conseguir atendimento, exames ou cirurgias “em tempo hábil” seria possível apenas “com ajuda de alguém”, enquanto “o povo sofre nas filas sem atendimento”.
Na educação, o PCB aponta falta de transparência no acesso às escolas mais disputadas, redução de opções de estudo noturno e abandono de políticas como a Educação de Jovens e Adultos (EJA) e o ensino técnico. “A Educação de Jovens e Adultos (EJA) e o ensino técnico são completamente esquecidos”, diz a publicação, que também denuncia a desvalorização da carreira docente. “Sem falar na completa desvalorização da carreira de professor, que em sua ampla maioria são contratos precários e provisórios”, afirma.
Já na segurança pública, o partido ironiza a dificuldade de recuperar bens roubados e relata problemas de estrutura, principalmente no interior. “Recuperar objeto roubado é quase ganhar na loteria, isso quando você não recebe a resposta que a viatura está sem gasolina”, diz o texto.
O PCB ainda argumenta que esse cenário de precarização e desigualdade empurraria parte da população para um estado de desesperança, o que, segundo a sigla, abre espaço para o avanço do discurso da extrema-direita. “E é convencida pelo discurso da extrema-direita. Ela se vende como a protetora da família, da moral e dos bons costumes, o que não passa de uma grande mentira”, afirma.
Ao final, o partido reforça críticas ao estilo de comunicação do governo estadual e acusa a gestão de desrespeitar a população mais pobre. “Enquanto o governo faz chacota com ‘dancinhas’ ao invés de garantir direitos, desrespeita a maioria da população empobrecida, as comunidades tradicionais e os povos indígenas”, conclui o texto.