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Há 36 anos no Acre, grafiteiro eleva obras públicas com arte e cores da Amazônia

Por
Rebeca Martins

Aos 36 anos, o mineiro Mahatma Mahá, nome artístico adotado na cena urbana, encontrou no Acre o lugar onde decidiu construir a própria carreira e família. Ele deixou Minas Gerais em 2008 com o objetivo de cursar Arquitetura e Urbanismo em Rio Branco. Casado e pai de dois filhos, consolidou no grafite sua principal ocupação.

Filho de artesão e neto de poetisa, cresceu em meio à produção artística. Ao ac24horas, afirma que sempre teve facilidade com o desenho e a pintura e também é artista plástico. A herança cultural da família ajudou a consolidar a escolha pelos muros como espaço de expressão, segundo Mahá.

Para ele, a arte ocupa lugar essencial na vida. “A arte é uma necessidade básica como comer, se alimentar”, afirma. Ele defende que o fazer artístico integra diferentes profissões. “Me vejo como um próprio operário da obra. Não dá para dizer que o pedreiro não é um artista, o eletricista não é um artista”.

Foto: Cedida

Mahatma Mahá já realizou intervenções em espaços como o Elevado Beth Bocalom, Defensorias Públicas, Acreprevidência, Ponte da Judia e outros pontos de Rio Branco. Atualmente, participa da etapa final de um dos principais projetos de mobilidade urbana da capital em construção, o Elevado da AABB, na Estrada Dias Martins.

O Elevado Mamédio Bittar resulta de emenda parlamentar com contrapartida da Prefeitura de Rio Branco. O investimento é de R$ 25 milhões e já ultrapassa 90% de execução. Os trabalhos concentram-se nas fases de acabamento, drenagem e instalação elétrica. A previsão de entrega é para março.

Foto: Cedida

No elevado, o grafite compõe a identidade visual da estrutura. As pinturas retratam a Amazônia e destacam a fauna, a flora e o potencial produtivo da floresta. O projeto conta com apoio da Secretaria de Obras. Para o artista, a iniciativa amplia o acesso à cultura. “Ela dá acesso à população, porque muita gente não vai e não tem a cultura de ir a galerias de arte. Então é uma forma de chegar nessas pessoas”, explica.

Mesmo diante da dimensão da intervenção, Mahatma Mahá afirma que as expectativas são positivas. Durante a execução, moradores acompanham o trabalho e ele registra as imagens nas redes sociais. No Instagram, onde publica como @mahagraffiti, ele compartilha o processo e recebe retorno do público. Para o artista, ocupar espaços urbanos com arte também significa contribuir para a identidade visual e cultural da cidade.

Assista ao vídeo:

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Rebeca Martins