Sendo minha, de pronto, transfiro-a para os meus adversários, e sendo deles, potencializo.
Para quem vier assistir aos troca-trocas de acusações que acontecerão entre os milhares de candidatos que participarão da disputa eleitoral deste ano e em parando para analisá- los, mas levando em conta o mínimo de razoabilidade, chegará à seguinte conclusão: nem todos são honestos e nem todos são corruptos.
Culpas e elogios são, politicamente, as qualificações que devem ser atribuídos a quem se faz merecedor. Infelizmente, num país altamente polarizado e radicalizado, a exemplo do nosso, jamais encontraremos um lulista falando bem de um bolsonarista e nem vice- versa. Neste tipo de disputa prevalece a vingança e o ódio, algo absolutamente incompatível e inaceitável na própria atividade política.
Assim sendo, os nossos eleitores, e em sua grande maioria, impossibilitados de diferenciar os candidatos verdadeiramente honestos e os desonestos, entre os competentes e os incompetentes, diria até, entre os maus dos bons, não raramente, acabam se arrependendo de terem votado neste ou naquele candidato.
Como arrependimentos tardios não reparam erros cometidos, pelo ao menos, deveriam se prestar para evitar que voltássemos a cometê-los. Entretanto, em relação aos seus votos, os nossos eleitores têm se revelado bastante descuidados e tornam-se reincidentes.
A exemplificar: a nossa Câmara dos Deputados Federais, entre todas as nossas instituições, uma das mais poderosas, presentemente, para o conjunto de nossa sociedade vem sendo aquela que mais nos tem faltado e nosso senado, com poderes para corrigi-la, pouco ou nada vêm fazendo.
Certa vez, enquanto presidente do MDB, à época o maior partido político do nosso país, e ainda por cima, presidente da nossa Câmara dos Deputados e da nossa mais recente ANC-Assembleia Nacional Constituinte, em resposta a um repórter que o questionava sobre a baixa qualidade dos nossos congressistas, Ulisses Guimarães, simplesmente respondeu: se esta composição é ruim, espere a próxima. Acertou em cheio.
Se lamentavelmente, de lá para cá, a nossa legislação político, partidária e eleitoral só tem piorado, o resultado não poderia ser outro, a não ser este que está aí. Uma democracia exige a presença de partidos fortes e consolidados e não de homens fortes e de partidos com donos.
Particularmente fico desanimado quando vejo, no presente, se falar muito mais no partido do Kassab que no seu PDS, no Bolsonaro que no seu PL, no Lula que no PT. Assim foi, no passado, lembram-se do PDT do Brizola, do PPB do Maluf, e ainda mais atrás, do PTB de Getúlio Vargas?
Partido político com dono só faz o que o dono manda. Simples assim.








