Região Norte

Letalidade policial dispara na Região Norte, com alta de 488% em RO

Por
Terezinha Moreira

A letalidade policial avançou de forma significativa em estados da Região Norte em 2025, acompanhando uma tendência nacional de alta nas mortes provocadas por intervenções das polícias. Levantamento do g1 com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, atualizados em 3 de fevereiro, mostra que o número de pessoas mortas por policiais cresceu em 17 estados brasileiros ao longo do ano passado.


Entre os estados do Norte, Rondônia apresentou o cenário mais alarmante do país. O número de mortes saltou de 8 em 2024 para 47 em 2025, um aumento de 488%. No Amazonas, os registros passaram de 43 para 44 casos, crescimento de 2%. Já o Pará também aparece entre os estados com indicadores elevados, especialmente quando consideradas as taxas proporcionais à população.


Os dados, enviados pelas secretarias estaduais de Segurança Pública ao ministério, revelam que, no total, o Brasil registrou alta de 4,5% nas mortes cometidas por policiais em 2025. O avanço da letalidade policial ocorre em sentido oposto à tendência das mortes violentas em geral. Em levantamento divulgado em 21 de janeiro, o g1 apontou que o país registrou queda no número de mortes violentas pelo quinto ano consecutivo, considerando homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte.


As mortes decorrentes de ações policiais são contabilizadas separadamente e, em uma década, tiveram aumento de 170% em todo o país. Em números absolutos, Bahia (1.569 casos), São Paulo (835) e Rio de Janeiro (798) concentram os maiores totais. No entanto, quando analisadas as taxas por 100 mil habitantes, estados da Região Norte ganham destaque: o Amapá lidera com 17,11 mortes, seguido pela Bahia (10,55) e pelo Pará (7,28).


Em Rondônia, além do crescimento expressivo ao longo do ano, o fim de 2025 foi marcado pela criação de um grupo especial do Ministério Público estadual para estudar a política de segurança pública. Janeiro foi o mês mais violento do período, com 12 mortes registradas em Porto Velho, em meio a uma escalada de ataques e confrontos entre a polícia e integrantes do Comando Vermelho.


A onda de violência teve início após a morte de um líder da facção durante uma ação policial e se intensificou dias depois com o assassinato de um cabo da Polícia Militar, evidenciando o agravamento do conflito e o impacto direto nos índices de letalidade policial no estado.


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Terezinha Moreira