Foto: Divulgação MAMM
A obra do artista visual acreano Ueliton Santana é destaque no Museu de Arte Moderna de Medellín (MAMM), na Colômbia, integrando a exposição “Bubuia. Águas como fonte de imaginações e desejos”, em cartaz até o dia 22 de fevereiro. A mostra reúne produções que dialogam com temas como memória, território e cultura nas Amazônias.
Em “Corpos vulneráveis em tempos de crise”, Ueliton Santana aborda a fragilidade da existência e a violência que atravessa diferentes territórios amazônicos. A instalação apresenta figuras que confrontam o espectador desde o primeiro instante, propondo uma reflexão direta sobre as marcas da violência e da exclusão.
Inspiradas em práticas e saberes culturais de povos amazônicos, as redes que compõem a obra sustentam e protegem os corpos representados.
Segundo texto divulgado pelo próprio museu, “o descanso se transforma em dignidade e os corpos se convertem em um gesto de resistência frente à violência”.
Um vídeo publicado pelo MAMM detalha as inspirações de Santana para a obra, que reúne a representação de seis corpos, de diferentes tamanhos, envoltos em redes e dispostos no chão. Todas as redes utilizadas na instalação foram pintadas à mão pelo artista. “Esta obra não se olha, se confronta”, afirma o vídeo.
Assista:
A publicação destaca ainda a importância das redes na cultura das comunidades amazônicas, inclusive em rituais fúnebres de alguns povos da Amazônia.
A instalação provoca desconforto e levanta questionamentos sobre memória, território e cultura nas múltiplas Amazônias, reforçando o caráter político e poético do trabalho apresentado no espaço expositivo do museu, em Medellín.
Foto: Arquivo pessoal Ueliton Santana
Ueliton Santana dos Santos nasceu no município de Sena Madureira e, ainda na infância, mudou-se para Rio Branco, onde teve os primeiros contatos com o desenho.
O artista é doutor em Arte Contemporânea pela Universidade de Coimbra, em Portugal, e atua como professor de artes no Instituto Federal do Acre (Ifac).
Sua produção artística é fortemente influenciada pela cultura material e simbólica da Amazônia, explorando principalmente a pintura e o desenho, com foco em identidade e memória, além do uso de técnicas como a aquarela e de materiais ligados à região amazônica.