A Polícia Civil deflagrou nesta quinta-feira (5) a Operação Malecón contra um esquema de tráfico de pessoas que tinha como principais vítimas migrantes cubanos que entravam no Brasil pela fronteira com a Guiana. Um homem venezuelano, identificado como José Alberto Lira Lezama, de 32 anos, apontado como líder do grupo, foi preso em Boa Vista. Também foram apreendidos R$ 12 mil em espécie.
O grupo é investigado pelos crimes de tráfico de pessoas e estelionato, por meio do uso fraudulento de milhas aéreas. As apurações são conduzidas pela Delegacia de Repressão aos Crimes Organizados (Draco) desde o fim de janeiro, após denúncias das vítimas.
Segundo a Polícia Civil, ao menos 200 cubanos foram traficados desde novembro de 2025 por uma das células da organização. O número pode ser maior, já que o esquema atuava há pelo menos um ano.
De acordo com o delegado Wesley Costa de Oliveira, a organização chegou a montar um “hostel clandestino” em Boa Vista, com mais de 30 camas, para abrigar os migrantes. Antes disso, as vítimas eram mantidas em casas dos próprios envolvidos.
As investigações apontam que os cubanos eram aliciados ainda em Cuba, viajavam de avião até Georgetown, na Guiana, e entravam no Brasil por via terrestre, passando por Lethem, pela chamada “Rota das Guianas”, até chegar a Roraima. A rota é usada devido à dificuldade de obtenção de visto para entrada direta no Brasil.
O esquema funcionava em núcleos: um responsável pelo transporte da Guiana até Boa Vista, outro pelo alojamento na capital e um terceiro pelo envio das vítimas para outros estados, como Manaus, Curitiba, Brasília e São Paulo, por ônibus ou avião.
Além do tráfico humano, o grupo também é suspeito de estelionato, com emissão de passagens aéreas por meio de milhas furtadas. Em alguns casos, os migrantes foram impedidos de embarcar.
As investigações continuam para identificar outros integrantes e possíveis novas células da organização criminosa.