Quem come do meu pirão prova do meu cinturão.
Acuse-se o ex-presidente Jair Bolsonaro de tudo, menos de sê-lo descuidado com a sua própria família, afinal de contas, todos os seus filhos encontram-se comodamente pendurados em confortáveis mandatos eletivos. Daí a pergunta que se impõe: em toda a nossa história, qual ou quais dos nossos presidentes que chegou a tanto? Todos os seus quatro filhos são detentores de mandatos e vivendo nababescamente.
Nas eleições deste ano, sua 3ª esposa, Michele Bolsonaro só está esperando para ocupar uma das duas vagas do senado como representante do nosso distrito federal. Quando vivia casado com a sua primeira esposa, Rogéria Nantes Bolsonaro, mãe do Flávio, Carlos e Eduardo elegeu-a vereadora pela cidade do Rio de Janeiro e após separarem-se, embora tenha disputado sua reeleição, acabou derrotada.
Portanto, quando falamos de bolsonarismo não estamos falando de nenhuma novidade, e sim, de algo um tanto viciante. Em se tratando dos partidos políticos aos quais estiveram filiados não lhes causa a menor preocupação. O próprio Jair Bolsonaro já chegou a se filiar a mais de 10 partidos políticos distintos.
Ao se eleger presidente filiado ao PSL, dele Jair Bolsonaro se afastou no curso do seu próprio mandato e sem lhes dá a menor satisfação. Fernando Collor de Mello assim se comportou com o PRN, o partido que havia lhes dado legenda para que pudesse a presidência nas eleições de 1989. Portanto, e ao que tudo nos faz crer, quem não tiver o sobrenome Bolsonaro, no seu círculo político não terá vez, voz e nem candidatura.
A candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro nas próximas eleições só veio revelar o exagerado familiocracismo que o próprio Jair Bolsonaro impôs aos seus seguidores, algo do tipo: melhor perder com um dos meus familiares do que ganhar com qualquer outro candidato.
Outra não foi à causa que veio impedir o governador Tarcísio de Freitas de concorrer à presidência da República nas próximas eleições, a despeito do próprio Tarcísio, no quesito gratidão, não ter praticado o mínimo de desconfiança.
Em relação à ousadia do presidente do PSD, Gilberto Kassab ao pretender lançar uma candidatura do seu próprio partido, cuja escolha resultaria num dos três atuais governadores: Ronaldo Caiado, Ratinho Junior e Eduardo Leite, jamais o ex-presidente Jair Bolsonaro irá transferir o seu capital eleitoral para nenhum deles.
A propósito, basta que analisemos o que está acontecendo no Estado de Santa Catarina. Lá, Jair Bolsonaro quer empurrar o seu filho Carlos Bolsonaro para ocupar uma das duas do senado, isto em sacrifício de outros bolsonaristas. Aos outros faltam o sobrenome Bolsonaro.