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No Bairro 15, barbearia mistura música, memória e histórias de vida

Por
Kennedy Santos

No bairro 15, em Rio Branco, uma barbearia vai muito além da tesoura e da máquina de corte. O espaço comandado por Juliano, que prefere ser chamado simplesmente de barbeiro, se transformou em um verdadeiro ponto de encontro cultural, reunindo música, memória afetiva e histórias que atravessam gerações. A rotina e o carisma do local foram retratados em um vídeo produzido pelo videomaker do ac24horas, Kennedy Santos.


Logo na abertura, o vídeo apresenta Juliano como uma figura popular da comunidade, conhecido não apenas pelo trabalho com o cabelo, mas pela forma única de se conectar com o público. Localizada no bairro 15, a barbearia é descrita como uma mistura de “discoteca, museu e salão”, onde clientes nem sempre vão apenas para cortar o cabelo, mas para ouvir música, conversar e reviver lembranças.


“O salão não é apenas um lugar para cortar cabelo”, destaca Kennedy, ao mostrar que muitos frequentadores aparecem apenas para ouvir músicas antigas, escolhidas de acordo com o gosto de cada um. Clássicos de Nelson Gonçalves, discos das décadas de 1960 e 1970 e uma vitrola que chama a atenção logo na entrada, ajudam a compor o clima de nostalgia que marca o ambiente.


Clientes e amigos confirmam que o espaço funciona como um ponto de convivência. “Mesmo quando não tem que cortar o cabelo, o pessoal vem aqui, troca uma ideia”, relata um dos frequentadores. Outro destaca que a vitrola “remete ao tempo de infância” e provoca emoção ao revisitar objetos e sons do passado.


Além da música, a barbearia guarda relíquias que contam a história do bairro 15 e do antigo Barracão: rádios, filtros de barro, ferros de passar a carvão, embalagens antigas e fotografias que ajudam a preservar a memória local. Cada objeto tem uma história, muitas delas ligadas à vivência comunitária e à forma como as pessoas se comunicavam antes da era digital.


No vídeo, Juliano também relembra sua trajetória pessoal. Ex-jogador de futebol, lateral-direito nos tempos de juventude, ele carrega no ofício a herança da mãe, que conciliava o trabalho como cabeleireira com plantões no hospital. “Eu vi a luta dela”, conta, emocionado, ao falar da inspiração que o levou a permanecer quase quatro décadas “dando o trato no visu” das pessoas.


Ao final, o vídeo reforça que mais do que um negócio, a barbearia de Juliano é um espaço de afeto, identidade e resistência cultural. Um lugar onde o passado permanece vivo, não como peça de museu, mas como parte do cotidiano de quem entra, senta na cadeira e, muitas vezes, apenas escuta uma boa música


VEJA VÍDEO:



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