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Dinho Gonçalves e eu ficamos amigos e escrevemos nosso primeiro livro, Tempo de Solidão, que virou um espetáculo de teatro musical, em 1995. Ganhamos prêmios em festivais de Teatro e de Música. O tempo passou e nossa amizade continua viva e criativa. Bora escrever e montar outra peça, Dinho?


Então…


Num sei em que dia foi eternizado o retrato aqui postado. Diz Marília Bomfim que o instantâneo foi capturado antes de uma entrevista com as jornalistas Golby Pullig e Flávia Domingues, após a avant-première da peça Abajur Lilás, de Plínio Marcus, montada pelo GPT (Grupo do Palhaço Tenorino), nos idos anos de fazeora, do século passado, lá em Rio Branco. Acredito no que a melhor atriz do Acre e esposa do meu grande amigo Dinho diz.


Aperto a memória e afirmo que o Palhaço Tenorino só vestiria terno e gravata se fosse numa primeira apresentação de um novo trabalho, para a Imprensa e convidados especiais ou para interpretar seu personagem publicitário mais famoso à época, o Rabissaca, garoto propaganda da Açucareira Rio Preto, uma empresa que não vendia derivados de cana-de-açúcar e sim, materiais de construção. O Dinho é meu amigo primordial, desde que pisei nas Terras de Galvez. Escrevi estórias e fiz história com esse ícone da Cultura Acreana. Vou contar uma.


Viajei de ônibus, do Ceará ao Acre, uma jornada de quatro dias pelo coração do Brasil. Anotei em um pequeno diário de bordo toda a “epopeia”. Conheci, de dentro daquela nave terrestre a significância da gente brasileira. Aprendi a olho nu o que era estrada demorada de se acabar, vi estrelas, respirei poeira e naveguei nela. Comi iguarias deliciosas que todo aquele mundo come e me caguei todo por que comi demais. Cheguei e me estabeleci. Nunca imaginei que, de lá viajaria novamente, desta vez, de avião.


“Conhece o maestro Elias Júnior?”, disse ele, me apresentando uma das pessoas mais extraordinárias daquela terra maravilhosa e que se tornaria meu grande amigo. “Nós vamos a um festival de Teatro no Paraná! Bora?”. Eu disse sim, oramais! E fomos.


Foi minha primeira viagem de avião. Pense na presepada de viajar, bebendo uísque (Sim, naquele tempo se servia bebida alcoólica nos voos!) pra enganar o medo de voar e acompanhado de Dinho e Elias, dois amigos dos mais fuleiros (no bom sentido da fuleiragem) que adquiri na Amazônia Legal. Tinha três freirinhas, de hábito e tudo, nas poltronas em frente às nossas; e o Dinho, com sua voz de tenor:


– Olha Braga, a turbina cuspindo fogo em baixo da asa!


E as noviças persignavam e o Elias achava graça e peidava azedo. As religiosas abriam os ventiladores acima dos respectivos assentos.


– E nós estamos em cima da asa, Braga!


Bradava o palhaço Tenorino, enquanto as Noivas de Cristo rezavam o terço. Elias peidando e gargalhando e eu, bêbo que só a gota serena pedia mais uma dose de Passport à comissária de bordo. As garotas da igreja, habituadas com coisas das alturas, pediram vinho e foi aquela festa no céu!


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