O Acre foi o estado da Região Norte com o maior número de trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão em 2025. Ao longo do ano, 19 pessoas foram retiradas dessa situação no estado, segundo dados divulgados nesta terça-feira (28) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), no Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.
Na comparação regional, o Acre aparece à frente do Pará, que registrou 17 resgates, seguido por Tocantins (7), Rondônia (5), Roraima (5) e Amazonas (4). O Amapá não teve registros de trabalhadores resgatados em 2025.
Em âmbito nacional, os estados com maior número de trabalhadores resgatados em situação análoga à escravidão em 2025 foram Mato Grosso, com 607 pessoas, seguido pela Bahia (482), Minas Gerais (393), São Paulo (276) e Paraíba (253). Segundo o balanço da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), no total, 2.772 trabalhadores e trabalhadoras foram resgatados em 1.594 ações fiscais realizadas ao longo do ano.
Do total de trabalhadores resgatados no período, 86% são homens e 83% se autodeclaram negros (pretos ou pardos). A maior concentração das pessoas resgatadas está na faixa etária entre 30 e 39 anos, e 65% residem na região Nordeste. Em relação à escolaridade, 68% possuem baixa escolaridade, 24% concluíram o ensino médio e 8% são analfabetos.
Segundo o MTE, além dos resgates, mais de 48 mil trabalhadores tiveram direitos trabalhistas assegurados durante as fiscalizações. Mesmo nos casos em que não foi caracterizada a condição de trabalho análogo à escravidão, irregularidades foram corrigidas a partir da atuação dos auditores-fiscais do Trabalho.
De acordo com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), os setores com maior número de pessoas resgatadas em 2025 em todo o país foram obras de alvenaria (601), administração pública em geral (304), construção de edifícios (186), cultivo de café (184) e extração e britamento de pedras e outros materiais para construção, com beneficiamento associado (126).
Os dados também indicam uma mudança no perfil dos resgates. Em 2025, 68% das vítimas foram identificadas em áreas urbanas, superando os registros no meio rural, cenário diferente do observado em anos anteriores.
As fiscalizações revelam que o trabalho escravo contemporâneo está presente em diferentes atividades, como colheita de café, desmatamento, mineração ilegal, indústria têxtil e trabalho doméstico. Nesse último caso, foram realizadas 122 ações fiscais específicas em todo o país, resultando no resgate de 34 trabalhadores.
Em 2025, o Disque Direitos Humanos registrou 4.516 denúncias relacionadas ao tema, um aumento de 14% em relação a 2024, quando foram contabilizados 3.959 atendimentos.
As denúncias de trabalho escravo podem ser feitas de forma anônima pelo Sistema Ipê, pelo telefone 158 ou pelo Disque 100.


















