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Nutricionista alerta para riscos do consumo de ultraprocessados na infância

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O que era antes considerado exagero ou caso isolado hoje se tornou uma realidade preocupante: a alimentação infantil está diretamente ligada a uma série de problemas de saúde e desenvolvimento. De acordo com o nutricionista Willian Cogo, a presença cada vez maior de ultraprocessados na rotina das crianças pode causar desde puberdade precoce até alterações no crescimento e na saúde reprodutiva. O assunto foi abordado em entrevista ao ac24horas, na última quinta-feira (22), e alerta pais e responsáveis de crianças sobre decisões que podem ter impacto a longo prazo.

“Hoje, os embutidos e queijos industrializados não são mais os mesmos de antigamente. As empresas adicionam cada vez mais aditivos para reduzir perdas e aumentar lucro, mas isso afeta diretamente o desenvolvimento das crianças”, explica Cogo. Ele alerta que produtos aparentemente comuns, como queijos e salsichas, podem alterar hormônios em crianças, levando a problemas como puberdade precoce nas meninas e alterações no desenvolvimento genital dos meninos.

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Segundo o especialista, há casos de meninas começando a menstruar aos 3, 4 ou 5 anos, e meninos apresentando micropênis, situações que antes eram raríssimas. “Esses problemas exigem tratamentos hormonais rigorosos. E o que era exceção, hoje está se tornando cada vez mais comum”, afirma.

Cogo critica o mercado pela falta de transparência e pelo incentivo a produtos ultraprocessados. “É muito difícil achar leite condensado ou creme de leite feitos de verdade com leite. Muitos produtos são apenas soro de leite ou contêm aditivos que prolongam a vida útil. Isso engana o consumidor e prejudica as crianças”, diz.

O nutricionista sugere que uma alternativa seria uma conscientização maior da população, com informações claras nos rótulos e orientação sobre consumo seguro. “Não se trata de proibir alimentos, mas de educar. Um docinho em uma festa de aniversário não é problema, desde que não seja a base da alimentação diária”, ressalta.

Para Cogo, a introdução alimentar é o momento-chave para formar hábitos saudáveis. “É mais fácil criar uma criança com alimentação equilibrada desde o início do que tentar corrigir hábitos mais tarde. O segredo é oferecer alimentos naturais e variados, sem criar traumas ou restrições exageradas, mas com consciência do que cada alimento representa para a saúde”, explica.

Ele reforça que o consumo de ultraprocessados deve ser moderado e consciente. “Alimentos mais saborosos geralmente têm mais gordura, sal e açúcar. Se uma criança cresce consumindo apenas isso, ela terá dificuldade em apreciar alimentos mais naturais, como frutas e vegetais. Mas, quando a criança é acostumada desde cedo a uma dieta equilibrada, ela consegue desfrutar de doces e guloseimas de forma moderada e saudável”, detalha.

Cogo também aponta a lacuna no acompanhamento nutricional das crianças pelo sistema de saúde. “Após o nascimento, o acompanhamento muitas vezes é apenas com o teste do pezinho. Não há continuidade, não há orientação nutricional sistemática. Um acompanhamento desde a maternidade até a infância poderia prevenir muitos problemas de saúde no futuro, economizando recursos com medicação e tratamentos”, alerta.

O especialista defende ações simples e de baixo custo, como palestras, lives informativas e orientação por profissionais de nutrição em maternidades e escolas. “Uma alimentação adequada desde o neonatal pode prevenir problemas futuros e ainda gerar economia para a sociedade”, conclui.

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