A cena em que a participante Sarah Andrade compartilha uma bebida servida em sua bota no BBB26 repercutiu nas redes sociais e abriu espaço para debates entre os internautas.
A prática, apesar de causar estranhamento para parte do público, é comum em celebrações do interior do país e em rodeios, onde o gesto costuma ser associado à confraternização, tradição e espírito coletivo.
Mesmo com esse valor cultural, o hábito chama atenção para um aspecto relevante: os riscos à saúde bucal relacionados ao compartilhamento de bebidas em recipientes improvisados e sem higienização adequada.
O que diz especialista
Segundo a cirurgiã-dentista Bruna Conde, o problema não está na tradição em si, mas na ausência de cuidados sanitários. “É um costume presente em festas populares e rodeios, ligado à celebração. No entanto, quando várias pessoas bebem do mesmo recipiente, há um risco real de transmissão de bactérias, vírus e fungos pela saliva”, explica.
Entre os principais problemas que podem ser transmitidos estão herpes labial, candidíase oral, gengivite, além do agravamento de cáries e outras infecções bucais. A especialista também ressalta que o uso de calçados ou botas, objetos que acumulam micro-organismos do ambiente externo, amplia ainda mais os riscos. “Mesmo que a bota esteja aparentemente limpa, ela não foi feita para consumo de alimentos ou bebidas”, afirma.
Álcool não elimina micro-organismos
Outro equívoco comum, de acordo com Bruna, é acreditar que o álcool presente na bebida seja suficiente para eliminar micro-organismos. “A concentração alcoólica das bebidas não é capaz de neutralizar bactérias e vírus da cavidade oral. Ou seja, o risco continua existindo”, esclarece.
Em contextos de convivência intensa, como realities shows ou festas populares, atitudes como o compartilhamento de copos e recipientes acabam sendo naturalizadas.
“Momentos de descontração fazem com que cuidados básicos sejam deixados de lado, mas a boca é uma das principais portas de entrada para infecções”, alerta a dentista.
A orientação da especialista não é desvalorizar tradições culturais, mas reforçar a importância da prevenção. “É possível manter os costumes e, ao mesmo tempo, adotar práticas mais seguras, como evitar o compartilhamento e priorizar recipientes adequados”, conclui.