Região Norte

Ataques e ameaças expõem escalada da violência contra provedores de internet em Porto Velho

Por
Terezinha Moreira

Criminosos têm agido com extrema ousadia e afronta direta às forças de segurança em Porto Velho, capital de Rondônia. Nesta quinta-feira (22), uma empresa do ramo de provedor de internet recebeu uma mensagem ameaçadora atribuída a um grupo criminoso que tenta impor controle sobre o serviço no estado.


O caso ocorre poucos dias após o prédio da empresa ser alvo de um ataque incendiário. Criminosos lançaram um coquetel molotov contra o imóvel, mas, por sorte, o fogo não se alastrou. As informações foram divulgadas pelo portal Rondoniaovivo.


A Polícia Militar registrou a ocorrência como tentativa de extorsão. Na mensagem enviada à empresa, o grupo propõe uma suposta “parceria” para garantir exclusividade no fornecimento de internet, associando a recusa à continuidade de ataques violentos. No texto, os criminosos afirmam que “controlam o estado” e prometem “paz e segurança” apenas àqueles que aceitarem o acordo, enquanto ameaçam atacar quem se opuser.


Nas últimas duas semanas, ao menos seis ataques contra provedores de internet foram registrados em Porto Velho. As forças de segurança intensificaram as ações para identificar e prender os envolvidos. Dois suspeitos já foram detidos na zona Leste da capital, flagrados com coquetéis molotov enquanto tentavam realizar novos ataques.


Segundo as autoridades, não se trata de qualquer tipo de acordo legal, mas de uma prática criminosa de extorsão e dominação territorial, comum em áreas controladas por facções. O esquema inclui a expulsão de provedores regulares e a imposição de serviços clandestinos de internet, prática conhecida informalmente como “CV Net”.


Além das ameaças, empresas que se recusam a pagar o chamado “pedágio” têm equipamentos destruídos, veículos incendiados e funcionários ameaçados de morte. Esse modelo criminoso, já identificado em estados como Rio de Janeiro, Ceará e Pará, tem se consolidado como uma nova fonte de lucro para facções, rivalizando com o tráfico de drogas.


Há ainda riscos diretos para os consumidores, que passam a utilizar um serviço ilegal e ficam sujeitos ao controle total da rede pelos criminosos, incluindo possível exposição de dados pessoais.


Denúncias sobre envolvidos em ataques incendiários e extorsão podem ser feitas de forma anônima pelos telefones 197, da Polícia Civil, ou 190, da Polícia Militar.


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Terezinha Moreira