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Sine qua non

No Brasil se a expressão latina “Sine qua non” fosse determinante os nossos políticos seriam reprovados?


Após as inundações das nossas redes sociais, àqueles que as utilizam com o propósito de assassinar reputações, jamais imaginavam que passariam a dispor de instrumentos tão favoráveis para a exposição de suas fake News e deepfakes, quanto estão vivendo, e mais ainda, podendo se valer do direito a livre manifestação de opinião e de pensamento.


No nosso país, para ser acusado de desonesto, e na sua expressão mais agressiva, de ladrão, basta que alguém se candidate para exercer um mandato eletivo: presidente da República, governador ou prefeito, bem como, exercer determinadas funções públicas, nas quais os nossos recursos públicos necessariamente irão fluir.


Certa vez, quando a nossa atual constituição estava sendo elaborada, ouvi um notável senador, do Estado da Bahia, sobretudo pela sua inquestionável honestidade, que iria abandonar a vida pública porque já se encontrava bastante velho para ser acusado de corrupto, enquanto hoje, praticamente todos os nossos políticos já foram alvos das mais gravíssimas acusações, e não raramente, de forma bastante merecida.


Não sou corrupto, corrupto é você. Essas trocas de acusações são ouvidas pelos nossos eleitores e que acabam votando no candidato que comprou o seu voto. Esta, infelizmente, é a nossa triste realidade, ou seja, comprar voto é apenas um pecadilho e não um crime a ser levado à sério.


Nada contra as acusações que são feitas aos políticos reconhecidamente corruptos, mas como em toda regra têm exceções, quando se tenta assassinar a reputação de uma pessoa reconhecidamente honesta, as portas se abrem para as ações daqueles que, para além de desonestos ainda dão ares de verdade as suas fake News.


Por mais perversa que seja a corrupção, em se tratando da gestão pública, ser honesto não é o bastante, já que do agente público há que ser exigido duas outras condicionantes: experiência e competência.


Lamentavelmente, no nosso país, além de inaceitáveis, as emendas parlamentares aos nossos orçamentos públicos em muito têm estimulado e alimentado a nossa grossa corrupção, e isto nos três níveis: federal, estadual e municipal, do pavio ao fio.


Não resta dúvida que as tais emendas parlamentares originaram-se, e por incrível que pareça no nosso próprio Congresso Nacional, pelos nossos senadores  e deputados federais quando da elaboração do nosso orçamento federal, e a partir de então, a referida roubalheira se espraiou-se por todas as nossas unidades federativas. Bem diz o ditado popular: para se coçar e roubar basta apenas começar. Neste particular recomendo que leiam o “Sermão do Bom Ladrão” de autoria do Padre Antônio Vieira.