Foto: ac24horas
O coordenador da Defesa Civil Municipal de Rio Branco, Tenente-Coronel Cláudio Falcão, em entrevista ao repórter David Medeiros, do ac24horas Play, nesta quarta-feira, 14, afirmou que 18 famílias já foram removidas de áreas de risco desde o início de janeiro devido aos alagamentos e desmoronamentos provocados pelas fortes chuvas na capital acreana.
As famílias foram encaminhadas para aluguel social transitório, por meio da atuação conjunta da Assistência Social do município e da Defesa Civil, após a constatação de que não havia condições de permanência nos imóveis afetados.
“São famílias impactadas por alagamentos de igarapés e por desmoronamentos, consequência do excesso de chuvas”, explicou Falcão.
O coordenador destacou que o encaminhamento segue critérios técnicos: inicialmente, a família indica um local para moradia temporária; em seguida, o imóvel de origem passa por vistoria da Defesa Civil, que avalia a impossibilidade de retorno; por fim, há avaliação socioeconômica pela Assistência Social. “Muitas dessas casas, mesmo após a vazante, ficam estruturalmente comprometidas e com risco iminente de desmoronamento”, afirmou.
Os desmoronamentos ocorreram principalmente nos bairros Preventório, Aeroporto Velho, Mocinha Magalhães e Parque das Palmeiras. Em outras áreas, embora não tenha havido colapso total, o risco permanece elevado, exigindo monitoramento constante.
Falcão atualizou a situação dos abrigos construídos no Parque de Exposições, iniciados em dezembro de 2025. Ao todo, foram construídos 74 abrigos, pela Secretaria Municipal de Infraestrutura. Durante o período crítico, 156 famílias foram retiradas de áreas de risco, sendo 103 acolhidas em escolas devido às enxurradas.
“Restou um saldo de 53 famílias, e por isso construímos pelo menos 20 abrigos a mais do que o necessário naquele momento. Caso o Rio Acre volte a atingir a cota de transbordamento, de 15,40 metros, ainda teremos estrutura para atender a população”, garantiu.
Segundo ele, em situação de emergência, é possível construir até 50 abrigos em 24 horas, seguindo orientação do prefeito Tião Bocalom.
O coordenador alertou para a elevação do nível dos rios nas cabeceiras. Em Brasiléia, o nível subiu 3,5 metros nas últimas 24 horas, situação semelhante a Xapuri, além da elevação do Rio Xapuri e do Riozinho do Rola, considerado um dos mais perigosos para a capital. Apesar de Brasiléia já apresentar vazante, a preocupação é com o volume de água que ainda deve chegar a Rio Branco, um trajeto que leva cerca de 60 horas. “Essa água pode elevar ainda mais o nível do Rio Acre”, explicou.
A previsão da Defesa Civil é de que o impacto mais significativo ocorra a partir de sexta-feira, considerando o tempo de deslocamento das águas: Assis Brasil (72h), Brasiléia (60h), Xapuri (48h), Capixaba (24h) e Riozinho do Rola (3h).
Falcão destacou que as chuvas intensas registradas em Rio Branco, como os 20,8 milímetros acumulados na terça-feira, têm impacto direto no Rio Acre. “Cerca de 90% do solo está saturado e não absorve mais água. Qualquer nova chuva escoa diretamente para os igarapés e para o rio, impedindo a vazante”, explicou.