Acre

Associação de Homossexuais do Acre conquista registro formal após 10 anos

Por
Whidy Melo

Depois de quase dez anos enfrentando entraves burocráticos e atuando sem registro formal, a Associação de Homossexuais do Acre (AHAC) foi oficialmente regularizada. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (14) pelo ativista LGBTI+, Germano Marino, por meio das redes sociais, logo após a conclusão do processo em cartório.


“Estamos saindo do cartório com essa vitória nas mãos”, escreveu Germano, ao anunciar a formalização da entidade. Segundo ele, a conquista é resultado de um esforço construído com recursos próprios e muita persistência política. “Uma vitória construída com investimento estritamente pessoal e financeiro, para organizar, estruturar e não deixar esse legado se perder”, destacou.


Na publicação, embalada pela música Celebration, de Madonna, o ativista relembrou os obstáculos enfrentados ao longo do processo. “Foram quase dez anos de espera, resistência e insistência. De portas batidas, de processos que não andavam, de uma luta silenciosa que só quem está na linha de frente conhece”, afirmou.


Fundada em 2002, a AHAC é considerada uma das entidades pioneiras na defesa dos direitos humanos da população LGBTQIA+ no Acre. Germano ressaltou que a associação tem uma trajetória consolidada no enfrentamento ao preconceito e na defesa de pessoas historicamente marginalizadas. “A Associação de Homossexuais do Acre não nasceu ontem. Ela nasceu em 2002, como entidade pioneira na defesa dos direitos humanos da população LGBTQIA+ no Acre”, escreveu.


De acordo com ele, permitir que a entidade desaparecesse por falta de regularização significaria interromper uma parte importante da história do movimento no estado. “Nós não permitiríamos que esse legado fosse apagado. Não permitiríamos que a história da luta LGBT no Acre fosse interrompida pela burocracia ou pelo cansaço”, enfatizou.


Com a regularização em cartório e o registro junto à Receita Federal, a AHAC passa a existir legalmente como pessoa jurídica. Para Germano, isso marca o início de uma nova fase. “Hoje, a AHAC está legalmente viva, regularizada em cartório, estruturada na Receita Federal, ativa, legítima e preparada para lutar ainda mais”, declarou.


O ativista destacou ainda que a conquista é coletiva e fruto da permanência de militantes mesmo nos momentos mais difíceis. “A luta é coletiva. E quem é militante de verdade permanece, mesmo quando as coisas não estão boas, mesmo quando cansa, mesmo quando parece que não vai dar”, afirmou.


Germano também fez questão de reconhecer o trabalho da advogada que acompanhou o processo. “Nosso reconhecimento à advogada Dra. Katricia de Paula, que caminhou conosco e acreditou quando muitos duvidaram”, escreveu.


Segundo ele, a formalização permitirá ampliar as ações da entidade. “Agora, ninguém nos tira mais do lugar. Temos estrutura para desenvolver projetos, receber emendas, fortalecer acolhimentos, denunciar violências e defender direitos com ainda mais força”, pontuou.


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Whidy Melo