Um suposto esquema de corrupção em funcionamento desde 2021 é investigado pelo Ministério Público do Pará (MPPA), conforme revelou reportagem da TV Globo. A apuração envolve dois delegados da Polícia Civil, um promotor de Justiça, advogados e um juiz, suspeitos de extorquir investigados e negociar decisões judiciais em casos de grande repercussão.
A investigação teve início após um atropelamento em janeiro de 2024, em Belém. O inquérito foi conduzido pelo delegado Arthur Afonso Nobre de Araújo Sobrinho, que, segundo o MP, teria exigido até R$ 25 mil de familiares do motorista para amenizar a situação.
A análise do celular do delegado revelou uma rede estruturada de corrupção, com oferta de benefícios ilegais, como relaxamento de prisões, atrasos processuais e arquivamento de inquéritos, em troca de dinheiro. Mensagens indicam a participação do então diretor metropolitano da Polícia Civil, Carlos Daniel Fernandes de Castro, afastado do cargo, que nega as acusações.
O MP também aponta envolvimento do promotor Luiz Márcio Teixeira Cipriano, suspeito de dar respaldo institucional ao esquema, e do juiz Jackson José Sodré Ferraz, investigado por supostamente receber propina para proferir decisões favoráveis, inclusive em casos como a Operação Truque de Mestre, de 2023.
Para o Ministério Público, há indícios da existência de uma “justiça paralela”, em que atos oficiais seriam negociados. As investigações continuam, e todos os citados negam irregularidades.


















